Segunda-feira, 01.02.16

Há três dias anunciei no facebook que o Womenage a Trois ia regressar, depois de um epifanico que me deu ao ler uma coisa. Sim, um epifanico. Os mestres e sábios, os gurus e os santos, os iluminados e os escolhidos têm epifanias. Eu tenho epifanicos, que é uma coisa muito mais terrena, portuguesa e cá da terra. Não vou explicar bem o que é porque não sei bem, acabei de inventá-lo. Só sei que é um fanico com um centro. Não é preciso mais, neste país onde não é preciso explicar nada com lógica, senso ou conhecimento. Basta dizer uma coisa engraçadinha, olha que giro, pronto, pegou, já está. Like, like. Já vou ao epifanico. Para já, venho só manifestar que há gente quebra-tesões como o raio, que porra. Eu a preparar um regresso místico e apoteótico e estragou-se-me tudo. Primeiro o raio do login disto mais a password. Valeu-me a santa da casa, S. Bolota de Júpiter, padroeira dos cibernautas lusos, dos pírulas e dos tomates. Depois, claro está, foi a Shyz, que teve logo que fazer a gracinha - como aqueles putos que têm que meter o dedo no creme dos bolos - de espetar exatamente com a música com que eu queria assinalar o regresso triunfal à blogosfera. Digo que não sei onde foi ela buscar a inspiração testicular, digo, gesticular.

Pronto, depois deprimi. Só hoje arrebitei. O rebite vai ali no final. E já tarde, porque é rebite de início de fim de semana e não de final. Ah primeiro o epifanico. Pois sim. Para quem não souber ainda - tomem nota os escribas para memória futura - este blog não nasceu. Pela parte que me toca, foi parido noutro blog. Mais precisamente, num blog feminista que por aí pululava. Que eu achei tão giro, tão giro, mas as autoras não me acharam suficientemente feminista e censuravam tudo o que eu comentava. Eu queria ser comentador mas o meu país não deixou. Portanto, juntei um powertrio (há que tempos que andava pora poder usar esta, bolas) que decidiu criar o nosso próprio cantinho, não foi? Ora há dias, já com este womenage a trois a fazer tijolo há vários anos, li uma coisa que me abalou os alicerces e que me induziu a ressuscitá-lo. Foi um epifanico. O feminismo, uma vez mais. E que li eu? Um post sobre mamas na plataforma feminista do nosso tempo. Sobre mamas, mamas, mamas, escrito por uma mulher que gosta de mamas, sobretudo das próprias, que revela que "na presença de quem as chama à parada, podem ser um despropósito de fruição e até fazer graffiti" mas que "em contacto com a boca de um bebé, voltam ao seu ministério inicial que é o de provir alimento e amor materno". Longe vão os  tempos, há 10 anos, no tal blog, em que a Miss Piggy se insurgia contra o estereótipo de que "feministas são mulheres que 1- não gostam de homens; 2- não praticam sexo há muito tempo; 3- vestem sacos de batatas desprezando as saias e os decotes e, muito importante, não sabem maquilhar-se, etc.". Tempos de obscurantismo. Hoje, em 2016, a Patrícia Motta Veiga vai muito mais além e diz coisas impensáveis há uma década, como "o facto de ser feminista não colide em nada com o gostar de ser mulher, de ser feliz como mulher". Acho que ela também teve um epifanico, mas isso agora não importa. Isto a propósito das mamas, claro. Penso, portanto, que é chegada a hora de alguém criar uma plataforma masculina onde os homens escrevam textos igualmente libertadores e vanguardistas, por exemplo, a autoelogiar os testículos próprios e os alheios (já que vêm aos pares, como as mamas), e dizer que "já me deram muitas alegrias", como as mamas às donas respetivas. Textos devidamente ilustrados com a música que a Shyznogud ali espetou logo de enfiada, claro. É isto.

E porque é que arrebitei hoje, depois de este engasganço de arranque? Porque descobri isto, perdido há 12 anos num canto esconso deste computador. Já vai tarde, porque já é segunda feira. Mas serve perfeitamente para o próximo domingo. É eterna, multicultural, com amplo teor social e não tem nada a ver com mamas nem com testículos. À primeira vista, pelo menos. Um hino à lusofonia. Ai, Josefina.




Finalmente. A abrir, uma singela homenagem a todos os que nos leem, que nos "dão amor e ilusão ao meu pobre coração"




Quinta-feira, 28.01.16

O palhaço do Cenas fala com deus, que o manda reabrir isto, mas não tuge nem muge. A curta de patas grita "YAY" mas perdeu a chave da chafarica. O puto não pia, mas isso é normal porque, como relembrou o Cenas num acesso de sensatez, "as crianças acatam e não piam". As usual, sobra para mim... 

 

 

E agora é ver quanto tempo me deixam ficar a falar sozinha (nada que nunca tenha acontecido antes mas, a repetir-se, a vingança não demorará).

 




coco

(no Libération de hoje)







Quarta-feira, 23.05.12

No seguimento da obscena tentativa de censura ao blog dos Precários Infléxiveis (ver história aqui), venho por este meio juntar-me aos já muitos bloguers que acham inaceitável este precedente. Era o que faltava que as pessoas não pudessem exprimir opiniões críticas sobre empresas, quer como consumidores quer como trabalhadores. Tentemos demonstrar mais uma vez que na internet a censura é crime que não compensa. Cada post ou comentário apagado é post ou comentário multiplicado. Aqui ficam, portanto, os comentários censurados




Quarta-feira, 28.03.12




Terça-feira, 20.12.11

(Copio para aqui, em jeito de postal para o Natal 2011, o belo texto da Myriam Zaluar)

 

Exmo Senhor Primeiro Ministro

 

Começo por me apresentar, uma vez que estou certa que nunca ouviu falar de mim. Chamo-me Myriam. Myriam Zaluar é o meu nome "de guerra". Basilio é o apelido pelo qual me conhecem os meus amigos mais antigos e também os que, não sendo amigos, se lembram de mim em anos mais recuados.

 

Nasci em França, porque o meu pai teve de deixar o seu país aos 20 e poucos anos. Fê-lo porque se recusou a combater numa guerra contra a qual se erguia. Fê-lo porque se recusou a continuar num país onde não havia liberdade de dizer, de fazer, de pensar, de crescer. Estou feliz por o meu pai ter emigrado, porque se não o tivesse feito, eu não estaria aqui. Nasci em França, porque a minha mãe teve de deixar o seu país aos 19 anos. Fê-lo porque não tinha hipóteses de estudar e desenvolver o seu potencial no país onde nasceu. Foi para França estudar e trabalhar e estou feliz por tê-lo feito, pois se assim não fosse eu não estaria aqui. Estou feliz por os meus pais terem emigrado, caso contrário nunca se teriam conhecido e eu não estaria aqui. Não tenho porém a ingenuidade de pensar que foi fácil para eles sair do país onde nasceram. Durante anos o meu pai não pôde entrar no seu país, pois se o fizesse seria preso. A minha mãe não pôde despedir-se de pessoas que amava porque viveu sempre longe delas. Mais tarde, o 25 de Abril abriu as portas ao regresso do meu pai e viemos todos para o país que era o dele e que passou a ser o nosso. Viemos para viver, sonhar e crescer.

 

 

 

 


 




Segunda-feira, 06.06.11

Cada um tem os Bushes que merece. Aguente-se.




Começam assim As Aventuras de João Sem Medo, do José Gomes Ferreira:

 

 

"Era uma vez um rapaz chamado João que vivia em Chora-Que-Logo-Bebes, exígua aldeia aninhada perto do Muro construído em redor da Floresta Branca onde os homens (...) haviam instalado uma espécie de Parque de Reserva de Entes Fantásticos.

 

Apesar de ficar a pouca distância da povoação, ninguém se atrevia a devassar a floresta. Não só por se encontrar protegida pela altura descomunal do Muro, mas principalmente porque os choraquelogobebenses - infelizes chorincas que se lastimavam de manhã até à noite - mal tinham força para arrastar o bolor negro das sombras, quanto mais  para se aventurarem a combater bichas de sete bocas, gigantes de cinco braços ou dragões de duas goelas. Preferiam choramingar, os maricas!, agachados em casebres sombrios, enquanto lá por fora chovia com persistência implacável (como se as nuvens estivessem forradas de olhos) e dos milhares e milhares de chorões - as árvores prediletas dessa gente pingavam folhas tristes. Tudo isto incitava os habitantes da aldeia a andarem de monco caído, sempre constipados por causa da humidade, e a ouvirem com delícia canções de cemitério, ganidas por cantores trajados de luto, ao som de instrumentos plangentes e monótonos."

 

 

Rings a bell? Pois é. E no entanto aqui estamos a lamentar o facto de sermos lamentáveis. Bah

 

 

 

 

(obrigada pelo apoio técnico, Miguel)




Quinta-feira, 02.06.11

para quem é preciso explicar sempre tudo.







Aqui tens.




 

Mais gajas lânguidas e verdes aqui.

 

* nova série, irmã da nossa velhinha "Uma outra pornografia é possível".




Segunda-feira, 30.05.11

Quem diz que não se aprende nada com o Correio da Manhã não leu isto.