Terça-feira, 29.07.08

Copio o post na íntegra, como gostei de o ler. Grande Rititi.

 

"Parida de um mês e com o criatura arrotada e deitada no berço de ferro forjado, sento-me, já sem pontos e com cinco quilos a mais alojados nas mamas, cintura e ancas, no terraço da casa dos meus pais, com vistas para a planície alentejana e o portátil sobre as pernas. E penso, agora que nada se me pendura da mama, que coisa, pá, esta da maternidade, que puta de volta que me deu a vida, e que bonito que me saiu o cabrão do gaiato, mas essa é outra historia. E, já agora, que engraçado, que ainda continuo à espera desse suposto halo de grandeza que dá a maternidade e que supostamente nos faz mais altas, mais espertas e até mais sensíveis e que, no tal suposto, nos eleva a uma outra categoria de gente superior, a das mães, grupo que se arroga em genérico, por causa da tal coisa da dor do parto, o amor incondicional e de ouvir o choro da criança a três quilómetros de distância e sem intercomunicador. E eu, que já passei por aí e que até tenho leite para alimentar uma escola primaria da Africa Negra e que acordo cada três horas todas as noites desde que pari, em verdade vos digo, meus irmãos, que se há um clube da maternidade a mim não me convidaram e se o fizeram eu não quero ser aceite. Porque a tão sovada maternidade é um estado de espírito, sim, mas que eu tenho só com o meu filho, que me une a ele e a mais ninguém, já seja este ninguém as leitoras da revista pais e filhos ou as senhoras que empurram carrinhos de bebé no Retiro, com quem eu, felizmente, não tenho nem quero ter nada a ver. Esta coisa da maternidade, digo, não só não me une ao resto das mulheres, nem me eleva, nem me dá direitos especiais que tantas doidas acham que têm só por ter parido, como o de dar bitaites sem autorização ou até a falar com uma estúpida e desnecessária arrogância cada vez que se dirigem ao resto das gajas que não querem, ou se calhar não podem, ter filhos, e até às que mesmo sendo mães nem sabemos tudo nem nos importamos de o dizer em público. A maternidade tira-nos todas as certezas, e maluca da gaja que disser o contrário. Que se desenganem as patetas, ser mãe não nos dá direito a escrever sobre nós em maiúsculas, mas claro, gente doida há em todo o lado."




23 comentários:
De cristã a 29 de Julho de 2008 às 16:09
subscrevo e subscrevo por baixo



De FuckItAll a 29 de Julho de 2008 às 16:16
...e por mais nenhum lado?


De cristã a 29 de Julho de 2008 às 16:49
Tentei uma vez em cima e não consegui. a partir dai deixo sempre claro que subscrevo, sim, senhora, mas só por baixo.



De FuckItAll a 29 de Julho de 2008 às 17:01
Estava a pensar que ainda se pode pensar na palavra"sobrescrever", mas como se dirá quanto aos lados? "Esquerdoscrever"?


De FuckItAll a 29 de Julho de 2008 às 17:02
...mas sabes, não devias desistir de algo só porque não conseguiste à primeira. Que falta de persistência.


De cristã a 29 de Julho de 2008 às 21:19
tens razão sabes, mas de momento só entro nas guerras quando vejo uma hipotese de as ganhar.

ps - eu esquerdoescrivinho muito


De FuckItAll a 29 de Julho de 2008 às 22:00
Eu esquerdo e direitoscrevinho nos livros, às vezes. É que aí, se apenas subscreveres, não se sabe a que parte te referes.


De Shyznogud a 29 de Julho de 2008 às 22:17
Eu escrevinho em todo o post, pronto.
Já noutro dia tinha tido vontade de lhe palmar esta frase, q a torna, entre outras coisas, em mais uma da confraria da epidural (e por aqui elas abundam):

"- Uma última nota dedicada às defensoras do parto natural, sem químicos e ajuda da medicina moderna: vão mazépaputaquevospariu, sádicas!! Repeat after me: EPIDURAL, EPIDURAL, EPIDURAL!"

http://www.rititi.com/2008/07/vida-de-primpara-breve-memria.html


De FuckItAll a 30 de Julho de 2008 às 07:09
Yep (SIM, eu faço parte da confraria, epidural rules!), não sei porque não roubei essa. Obrigada.


De Ana Matos Pires a 30 de Julho de 2008 às 02:32
Eu trissilinho ambos as postas!!!!!


De cristã a 30 de Julho de 2008 às 02:41
por baixo?


De pt a 30 de Julho de 2008 às 10:41
Com as malucas que não querem epidural, posso bem. São malucas, sofram, é só com elas.
O que me tira do sério são as do parto em casa ou no meio da natureza, na quinta (deve ser para irem perguntando às vacas qual é a sensação), tudo num ambiente calmo e tranquilo...e completamente sem meios.
A mim, que me morria o filho se não nascesse num hospital, a arrogância destas parvas em acharem que tudo vai correr bem, dá-me vontade de lhes dar estalos.


De FuckItAll a 30 de Julho de 2008 às 12:16
Por mim, até podem parir no esgoto, se quiserem, desde que não apareça aquele arzinho de superioridade moral e as sentenças sobre as opções das outras pessoas.


De cristã a 30 de Julho de 2008 às 14:06
eu tenho para mim que a mania da superioridade moral e de sentenciar dessas gajas já lhes vem de trás. mas, é verdade, depois de parirem ficam bastante mais insuportáveis. A falar dos dotes maternais e da excelência dos rebentos noto-lhes até com uma expressão atoleimada, para não dizer imbecilóide .


De FuckItAll a 30 de Julho de 2008 às 14:48
Não notes, denota, é muito mais chique.


De cristã a 30 de Julho de 2008 às 14:58
tens razão. Tu não lhes denotas também uma enorme superidade como esposas e até como filhas, enfim, cobrindo toda a gama da plenitude feminina, no lar e fora?


De FuckItAll a 30 de Julho de 2008 às 15:01
Plenitude feminina fora do lar? Não sei do que falas.


De cristã a 30 de Julho de 2008 às 14:59
superioridade


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