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Womenage a Trois

Women's True Banal Stories - womenageatrois@gmail.com

Junho 30, 2008

Shyznogud

Se vários alunos dizem que o exame nacional de matemática é fácil, não duvido, porque ninguém gosta de mentir para diminuir o seu mérito. Se a Sociedade Portuguesa de Matemática corrobora, acredito, porque tem autoridade. Se o Ministério contesta, assobio para o lado, porque era a sua única reacção possível. Se a ministra se vangloria, zombo dela, porque aqueles testes só permitem escalonar os alunos de um mesmo ano (percentis, sff). Se em relação ao ano transacto houve uma queda brutal nos chumbos, desconfio, porque da esmola farta também o pobre... Enfim, há um problema, mas cantemos hossanas pelo facto de o teorema de Pitágoras ser o mesmo na Brandoa e em Bogotá. Se para a História de Portugal se pode perpetuar uma ilusão de excelência à custa de bricolage ministerial, é fácil comparar os alunos de matemática portugueses com os do resto do mundo.

O PISA (Programme for International Student Assessment) de 2006 testou a matemática de alunos de 15 anos, independentemente do ano escolar que frequentam. A média de 57 países (desenvolvidos e outros) foi ajustada para 500 e Portugal teve um resultado mau (466, posição 37). Mas os dados do PISA mostram outra coisa: ” não houve facilitismo no ensino secundário luso. Os maus alunos chumbaram (o termo técnico é o histriónico “retenção”), porque se contabilizarmos os resultados do PISA apenas para alunos que não perderam anos, a classificação é boa (520). Não se pode pois falar em “nivelamento por baixo” – a escola pública, até 2006, não corrompeu os bons alunos e quem quer liberalizar o ensino não encontra aqui uma arma de arremesso. Quanto aos efeitos das práticas de Lurdes Rodrigues (em funções desde 2005), só o próximo PISA nos esclarecerá.

Fazemos bons alunos, não sabemos é lidar com que vão ficando “retidos”. Que sintamos vergonha disso agora é positivo. Ainda me lembro de um ilustre colunista se gabar de não perceber patavina de matemática e este país nunca foi para Leonardos, mas para intelectuais das humanidades, um sinal de atraso a que se junta o “não tenho jeito para a matemática”, essa definição de talento pela negativa a implicar jeito para não se sabe bem o quê. Nenhum talento se distribui equitativamente pela população, mas as competências mínimas para a matemática estão ao alcance de todos. Se tal exige a quem ensina e a quem aprende um esforço superior ao das disciplinas do empinanço, é um investimento recompensado pelo treino de raciocínio e pelo entendimento acrescido do mundo. Agora e sempre: o Quadrivium dos antigos era matemática vezes 4 (aritmética, geometria astronomia e música). Talvez a solução seja reforçar ainda mais um núcleo básico de saber em detrimento de disciplinas ridículas, como “formação cívica”, investir na qualificação dos professores premiando os melhores e, em vez da lengalenga do rigor, convencer os alunos de que se chega ao prazer pelo esforço. Sou da cultura do ZX Spectrum, mas aposto que aprender ou – melhor ainda – ”descobrir" o caminho para chegar a 5050 (ver título) dá um gozo que supera o de qualquer playstation.

 

Crónica do Metro de hoje adendada com ligações úteis.

 

P.S. meu (a que o Vasco é alheio): recomendo que passem os olhos no Goodnight Moon, o João Caetano tem uma série de posts sobre o tema (os "euLER" e "Literacia ciêntifica em Portugal") que merecem atenção (posts e respectivos comentários)

 

2 comentários

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    Shyznogud 01.07.2008

    Se a experiência de mãe com filhos que tiveram (um ainda tem) tal disciplina serve para alguma coisa, cá vai: não querendo generalizar, apesar de saber q a experiência dos meus putos é muito comum (porque estou rodeada de miúdos a frequentarem o ensino básico), essa disciplina (carga horária: um tempo lectivo) é utilizada para quase tudo menos para a "educação cívica". Esse tempo lectivo é utilizado pela directora de turma para as questões burocráticas: justificação de faltas, redacção de comunicações aos pais (a propósito, por exemplo, de visitas de estudo), etc... é verdade q parte do tempo (mas uma ínfima parte) é usada de forma interessante: tentar discutir e resolver problemas disciplinares.
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