Janeiro 31, 2007
Shyznogud
Nos últimos dias fui confrontada com dois casos que me fizeram ficar assim com ar de parvinha, a abanar a cabeça e a dizer para as minhas entranhas (as coitadas ouvem cada conversa, ui), "ó criaturinhas mais preconceituosas".
O cronologicamente mais afastada aconteceu quando, num momento de descontração blogosférica, entrei no E Deus Criou a Mulher e encontrei um comentário que dizia "Este blog é um insulto às mulheres com cérebro grande em vez de mamas grandes". Não há cu para esta conversa. Andasse eu mais abonada de tempo e ainda vos sujeitaria a uma longa prelecção sobre o tema. Lucky you... não ando.
O outro exemplo de pacóvio preconceito foi encontrado ontem, nas Cartas ao Director. Eu nem comento mais nada, leia e digam lá se tenho ou não razão em abanar a cabeça e dizer "Ó país cinzentinho e tão comme il faut"
Encontrei o outro belíssimo exemplo de pacóvio preconceito na secção das Cartas ao Director do Público de ontem. Um senhor manifestava-se indignadíssimo por, ó desgraça, o EPC ter dedicado uma das suas crónicas à cosmética masculina. Leiam lá e digam-me se tenho ou não razão para abanar a cabecinha. Ó país de gente cinzenta e comme il faut...:
Eduardo Prado Coelho (E.P.C.) um dos símbolos da esquerda bem pensante deste país, professor universitário, ensaísta, filósofo, eu sei lá que mais, desperdiçou a sua coluna de opinião que regularmente lhe é concedida no jornal PÚBLICO com uma crónica sobre "cosmética masculina". Foi um pequeno tratado sobre esfoliantes, rugas, melenas, peles suaves, "horrores da noite", hidratantes, sprays secos, champôs para a terceira idade, "cremes de mãos e a relação com os pés", etc., etc. Não vou, obviamente, querer obrigar E.P.C. a escrever sobre assuntos sérios. Tampouco irei comentar os seus gostos especiais, logo eu que, embora mais novo que E.P.C., me ensinaram (na longa noite do fascismo, claro), que essas coisas da cosmética eram para mulheres ou para efeminados.
O que me leva a hoje e aqui a registar o meu veemente protesto é a sensação de tragédia que perpassa por aquele infeliz artigo. Quando um homem intelectualmente válido e notado pelos seus pares e pela sociedade, entende que a sua coluna de opinião num jornal sério também serve para dissertar sobre cosméticos para homens, estamos falados. Longe de mim querer censurar e muito menos pedir ao director do PÚBLICO que admoeste E.P.C. pela sua insensatez, porque, se os leitores do jornal são inteligentes, quero acreditar que o artigo é absolutamente elucidativo sobre a (in)capacidade do seu autor para emitir doravante qualquer juízo válido sobre a sociedade portuguesa.
O cronologicamente mais afastada aconteceu quando, num momento de descontração blogosférica, entrei no E Deus Criou a Mulher e encontrei um comentário que dizia "Este blog é um insulto às mulheres com cérebro grande em vez de mamas grandes". Não há cu para esta conversa. Andasse eu mais abonada de tempo e ainda vos sujeitaria a uma longa prelecção sobre o tema. Lucky you... não ando.
O outro exemplo de pacóvio preconceito foi encontrado ontem, nas Cartas ao Director. Eu nem comento mais nada, leia e digam lá se tenho ou não razão em abanar a cabeça e dizer "Ó país cinzentinho e tão comme il faut"
Encontrei o outro belíssimo exemplo de pacóvio preconceito na secção das Cartas ao Director do Público de ontem. Um senhor manifestava-se indignadíssimo por, ó desgraça, o EPC ter dedicado uma das suas crónicas à cosmética masculina. Leiam lá e digam-me se tenho ou não razão para abanar a cabecinha. Ó país de gente cinzenta e comme il faut...:
Eduardo Prado Coelho (E.P.C.) um dos símbolos da esquerda bem pensante deste país, professor universitário, ensaísta, filósofo, eu sei lá que mais, desperdiçou a sua coluna de opinião que regularmente lhe é concedida no jornal PÚBLICO com uma crónica sobre "cosmética masculina". Foi um pequeno tratado sobre esfoliantes, rugas, melenas, peles suaves, "horrores da noite", hidratantes, sprays secos, champôs para a terceira idade, "cremes de mãos e a relação com os pés", etc., etc. Não vou, obviamente, querer obrigar E.P.C. a escrever sobre assuntos sérios. Tampouco irei comentar os seus gostos especiais, logo eu que, embora mais novo que E.P.C., me ensinaram (na longa noite do fascismo, claro), que essas coisas da cosmética eram para mulheres ou para efeminados.
O que me leva a hoje e aqui a registar o meu veemente protesto é a sensação de tragédia que perpassa por aquele infeliz artigo. Quando um homem intelectualmente válido e notado pelos seus pares e pela sociedade, entende que a sua coluna de opinião num jornal sério também serve para dissertar sobre cosméticos para homens, estamos falados. Longe de mim querer censurar e muito menos pedir ao director do PÚBLICO que admoeste E.P.C. pela sua insensatez, porque, se os leitores do jornal são inteligentes, quero acreditar que o artigo é absolutamente elucidativo sobre a (in)capacidade do seu autor para emitir doravante qualquer juízo válido sobre a sociedade portuguesa.
(não ponho link porque é a pagar)