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Womenage a Trois

Women's True Banal Stories - womenageatrois@gmail.com

Janeiro 03, 2008

Cenas Obscenas

Há coisas para as quais um pé-de-meia é útil. Por exemplo, para pagar multas. Logo à primeira. Logo, sem respirar. "Confesso, tomem lá, quanto é e onde pago?". Sem respirar e, sobretudo, sem pensar, porque às vezes, quando pensamos, sai disparate. Como aquele que saiu da boca do director da ASAE apanhado a fumar uma cigarrilha às duas da matina no Casino Estoril e que vem agora dizer que o famigerado projecto-lei anti-tabaco não se aplica aos casinos. Porra, pá, dizias que sim, que infringiste a lei e pagavas a multa. Que és fumador com muito orgulho, que tiveste um deslize (tipo "o meu relógio parou" ou, ainda melhor, "olhe, estava tão bêbado que nem vi as horas"), sim, que cumpres a Lei e quando não cumpres, pagas como todos nós pagamos. E que te limitas a aplicar e fiscalizar a lei, não a fazê-la, como alguns parecem crer e fazer crer. Agora isto? Uma foto no Diário de Notícias e desmentidos da Direcção Geral Não Sei de Onde e inteligentes comentários dos nossos jornalistas que dizem que "estalou a polémica" sobre "diferentes interpretações da lei"?
Como se não nos bastasse o espectáculo televisivo deprimente de ver, no Telejornal de hoje, os jornalistas e os cameramen atrás dos funcionários dos correios e dos bancos a fumar na rua e a perguntar, com ar de gozo, porque é que "não fuma no local de trabalho". Os fumadores, que agora são uns bombos da festa, estão sempre na defensiva e a pedir desculpa por fumarem, passaram de envenenadores inconscientes a coitados, uns viciados, uns doentes, uns fracos. Assim expostos à chacota pública e à vergonha televisiva, os novos leprosos, os novos bobos, a fumar cá fora, a levar com chuva e com frio, tsc tsc, expulsos do posto de trabalho só para virem matar o vício, só falta criar brigadas da virtude para começarem a atirar ovos podres a cada fumador que virem na rua a dar umas passas nos 5 minutinhos da pausa. Talvez um dia se arranje uma estrelinha amarela para usarem na lapela.
Posto isto: sou a favor da tal lei. Sou mesmo. Infelizmente, vejo que melhorará a saúde física dos portugueses, mas definitivamente irá afectar-lhes a saúde mental. Porque em cada passo no caminho da igualdade de direitos enfiamos um pé numa nova discriminação. Como se todas as sociedades tivessem uma qualquer necessidade profunda e mórbida de ter os seus párias, os seus intocáveis, os seus alvos. E a cada um que desaparece, logo se cria outro.

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