Março 01, 2007
Shyznogud

Domingo passado, enquanto me dedicava, com afinco, à modorra típica do dia zappando alegremente, dei por mim a ver a parte final de uma reportagem sobre vandalismo urbano. Grande parte das imagens que vi eram dedicadas aos graffitis, tags e exercícios afins. Por muito que perceba o porquê da associação entre vandalismo e graffitagem não consigo ter uma posição radical de desdém absoluto pela street art, bem pelo contrário. Frequentemente aprecio, deliciadamente, o resultado final das pichagens. É amor antigo, vindo dos confins dos tempos revolucionários. Muito pequena deslumbrava-me com os murais políticos. Compro todo e qualquer livro ou revista que se dedique a eles. Bem, já me estou a perder... falava eu da reportagem que vi sobre vandalismo. Nela, a certa altura, refere-se que algumas estações de comboios no Reino Unido (princípais vítimas dos vândalos) resolveram fazer uma experiência que tem diminuido a incidência de actos desse tipo. Como? Escolhendo para música ambiente trechos da chamada música clássica. Os autores da reportagem decidiram testar este método. Num parque infantil pintaram de branco imaculado uma parede... sem música. Montaram câmaras de vigilância e apreciaram o resultado. Muito poucas horas depois já os primeiros tags apareciam e ao fim de uma semana nada restava do tal branco puro. Renovaram a pintura e desta vez colocaram um altofalante junto da parede de onde saía uma berceuse de um compositor clássico de que não me lembro o nome. As horas e os dias foram passando e branco continuava, glorioso, a imperar. Lá apareceu, finalmente, um rapaz mais afoito que desflorou a parede... num cantinho discreto, o que não deixa, também, de ser curioso já que antes, quando a berceuse não estava presente, tinha sido o centro da parede o alvo primordial e mais desejado.
A fotografia que ilustra este post foi roubada do Sociedade Anónima. Recomendo a visita, bem como o artigo de ontem no Público que explora o tema "Graffiti: pintam ou sujam as ruas?", onde o autor do Sociedade Anónima, André Torgal, deixa umas pistas de reflexão interessantes.
A fotografia que ilustra este post foi roubada do Sociedade Anónima. Recomendo a visita, bem como o artigo de ontem no Público que explora o tema "Graffiti: pintam ou sujam as ruas?", onde o autor do Sociedade Anónima, André Torgal, deixa umas pistas de reflexão interessantes.