Novembro 30, 2006
Shyznogud
Remexer em histórias da "francofonia" trouxe-me recordações que podem provocar meditações. Ser mãe de uma criatura bilíngue é uma experiência única que nos permite observar a beleza da/na simplicidade da lógica infantil. Lógica essa que é, reconheça-se, de cariz a que ninguém possa "botar defeito". Pouco interesadas nos mecanismos de formação das palavras, as crianças muito pequenas escolhem, sempre, o vocabulário que lhes parece mais óbvio. Em putos com mais que uma língua "materna" essa escolha tem piada acrescida porque tomam como referência uma ou outra língua, de acordo com o "mais óbvio" em cada caso concreto. Nos anais da história familiar ficará para todo o sempre a teimosia da júnior que se recusava a enfiar na gentil cabecinha (é mula que se farta!) que o acto de utilizar a vassoura para limpar o chão era varrer e não "vassourar". Ora se em francês de "balai" se ia para "balayer" porque é que nós, os grandes (chatos), insistíamos que em português ela não podia fazer o mesmo percurso mental?