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Womenage a Trois

Women's True Banal Stories - womenageatrois@gmail.com

Março 24, 2009

Cenas Obscenas

 

Uma delas é um pobre macho da espécie Homo sapiens sapiens perceber que há coisas que lhe estão vedadas, não pelos constrangimentos naturais, não por mandamento divino, mas sim pelo que as agregações de indivíduos da sua espécie lhe impõem. E se esse macho for da sub-sub-espécie latino, e ainda da derivante ibérico e, mais, da alínea português, essa limitação é real. É verdade que somos poucos, globalmente considerando, uma migalhinha no panorama geral dos viventes e um grão de poeira no universo da Humanidade desde ela é ela, criada, evoluída, degenerada, saída num bolo-rei do Olimpo ou calhada num qualquer acaso cósmico.

Uma mulher pode, deve, é-lhe exigida, uma postura reivindicativa de igualdade de direitos, de oportunidades e de regalias em relação ao outro género. Mas um homem vê-se desarmado, em súbita constatação de quão pequenos, insignificantes, precários e voláteis somos perante a imensidão do Universo ou, mais prosaicamente, perante os desígnios das multinacionais dos cereais de pequeno-almoço. Um homem deprime.

Ora, de que falo eu? Da mais injusta, retrógrada, falsamente emancipadora, discriminatória e desviante recente iniciativa da Kellog's. Não bastava vender cereais de pequeno-almoço dedicados apenas às mulheres, com imagens de mulheres (e vestidas, o que ainda é pior) e com chavões do tipo "7 em cada 10 mulheres que fizeram o Plano comprovam que funciona". Não, não é o Plano da Criação, da saída para a Crise ou, sequer, o da pólvora; é apenas o Plano 15 Dias Special K, uma coisa que não se sabe o que faz nem o que provoca, porque não é revelado. Aparentemente, elas comem aquilo, fazem exercício e seguem uma alimentação equilibrada, mas não se sabe no que dá, se faz perder 15 g ou 15 kg ou o inverso. Não diz. É só para mulheres, não é para o comum dos mortais. Só elas é que saberão, só mesmo elas é que seguiriam um Plano destes sem saber para que serve. Basta que funcione.

Não bastava isto, disse acima. Pois não. Ainda tinham que fazer pior. Bom. Um moço anima-se ao ver o pacote de Special K e ver que, se fizer o tal "Plano 15 Dias", habilita-se a quê? a participar "nos sorteio mensais para ir às compras com 1 amiga a Manhattan". Aqui percebe-se que há qualquer coisa errada, logo à partida. Porque encontrar uma maneira destas de levar a Glorinha do quiosque ou a Marisa do ginásio a Manhattan é um furo, um tiro na mosca. As "compras" é que fazem alguma confusão. Um gajo quer lá saber das compras, não é verdade? Mas pronto, ainda se pode pensar que é uma forma de adoçar o isco. Especialmente para gajos. Yesss!, grandes criativos da Kellog's, não vos escapa nada.

A desilusão, o balde de água fria, a queda dos gajos ao chão, pior ainda do que os dos investidores do Madoff, surge quando viramos o pacote. Lá aparece, preto no branco, clarinho e com todas as letras, que os cereais e a cadeia de hotéis "levam-na às compras em Manhattan com 1000 €" (ainda por cima mal escrito, pfff), "já pensou com quem quer ir?". Eu pensei, oh sim, oh sim, mas a coisa é só para gajas. Não? Mais abaixo diz para comprovar se "é uma das vencedoras".

Oh ca porra. E, pensei eu, e se eu fizesse uma arriscada manobra de 180º com flic-flac à retaguarda e convencesse primeiro a Flávia Marineide da papelaria a concorrer? Também estaria quilhado, porque as regras dizem claramente que o cupão deve ser enviado com os dados pessoais e os "da amiga que pretende levar a Manhattan". Portanto, é apenas para mulheres, e para levarem mulheres às compras. Estamos entendidos. Eu cá hei-de ligar para a linha e de apoio e sugerir a divulgação junto das associações de LGBT, ca merda, devem ter sucesso. E faço votos para que vão todas, as fufonas, às compras, que engordem quilos e quilos com a boa comidinha americana, que inchem que nem uma baleias, que depois não haverá Planos 15 Dias, 15 Meses ou 15 Anos que lhes valham. Pronto, desabafei. Agora processem-me por homofobia. Não me importa.

Importar-se-á a Tatiana de visitar o motel da Abrunheira em vez de ir ao Vincci Avalon de Manhattan?

Março 23, 2009

Cenas Obscenas

Hoje, ao que sei, é dia internacional da meteorologia. Uma efeméride razoavelmente banal, inócua e unânime, que ninguém contesta, que toda a gente aplaude, porque não envolve nem preservativos, nem papas, nem provedores de justiça, nem freeports, nem coisas desse tipo. Afinal,  "saber o tempo" é algo que todos e cada um necessita e se apraz em conhecer. A coisa começa a dar um bocadinho para o torto se desatamos a achar que "o tempo", isto é, a ciência meteorológica, não tem só a ver com o saber se vai chover amanhã, mas envolve a atmosfera no seu conjunto, as suas alterações no tempo longo, pois já se está a ver, alterações climáticas, efeito de estufa blá blá, subida do nível dos oceanos, efeitos catastróficos na diversidade das espécies e no Homem. Pois aqui a coisa azeda, e a sério. Mas como ninguém quer saber disso de momento, pelo menos enquanto o anúncio a dizer "crise" piscar em luminoso néon a toda a hora, em todo o lado e em todos os cenários, vamo-nos contentando com "o tempo para amanhã".

Convinha era que a informação que passa em canais públicos dissesse alguma coisinha de jeito. Que se ficasse pelas banalidades, já não seria mau. Mas não. Hoje de manhã, mais ou menos pelas 8.40 h., uma voz na Antena 2 assinalou a efeméride e decidiu improvisar um bocadinho. É sempre bom, embora não precise de teleponto-para-fingir-que-não-está-a-ler como na televisão. E que disse então o senhor? Que a meteorologia é importante e coiso e tal, e depois dispara com uns dados que dizem que anualmente morrem cerca de 2 milhões de pessoas devido aos efeitos da poluição atmosférica. Arrebitei um pouco o sobrolho, porque penso que esse número é apenas o dos tipos que snifam tubos de escape. Porque os efeitos da dita, globalmente considerados, excedem muito largamente esse número. Enfim. Adiante. Eis que então dispara um rol de "causas" da mesma, produção industrial, transportes, queimadas, o que se sabe. E o que faz tudo isto? Emite, segundo o senhor, "finas partículas de monóxido de carbono". Bem. Sem ser químico, nem físico, nem de ciências naturais, que se ficaram pelo meu 9º ano, sei contudo, e talvez não fosse mau fazer uns briefings aos jornalistas de serviço, que o tal monóxido é um gás. E que, portanto, são tem "partículas" marotas, finas ou grossas. A não ser que quisesse dizer que são tão finas, tão finas, mas tão finas que se trata, afinal, das próprias moléculas. Uma finura de discurso, portanto. Ele podia era ter a fineza de explicar as coisas assim, sempre dava um ar finamente poético. A não ser que ache que o público da Antena 2 é tão erudito, tão velho, tão esclerosado, tão enquistado e com os pés para a cova que nem dá por isso ou que, com mais partícula fina ou menos partícula fina, finar-se-á em breve.

Março 23, 2009

Shyznogud

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