Março 05, 2008
Shyznogud
Começa assim o texto de Miguel Esteves Cardoso, hoje no Público, sobre o que odeia no jornal.
"Quando se fala na irritação de ficar com um pêlo púbico atravessado na garganta, é raro fazer-se a justiça de contrabalançá-lo com o grande prazer do acto de amor que o causou. É íntima a ligação entre o exagero com que se exprime o incómodo e o silêncio em torno do afoito e da paixão que a tarefa exigiu.
E tanto vai dar ao mesmo que nós usamos o reque-reque das queixas como uma maneira engasgada de proclamar a sorte que tivemos. É como voltar a Portugal depois de ter passado o mês de Fevereiro a fazer surf na Austrália e, quando se pergunta como é que foi, responder que houve um dia que lhe entrou água para os ouvidos.
O pressuposto do sexo oral é, no meu caso, ainda mais importante porque me proibiram de falar dele. Ou de sequer esboçá-lo. Mais: pediram-me que virasse as costas à matriz cunilingue que seria o elogio deste jornal de que tanto gosto e me concentrasse apenas nas pequenas coisas que nele me irritam. Aqui vai, então, o meu relambório de pentelhos.
Espero que se veja que foram arrancados à força e que, se agora os tenho entredentes, foi só graças ao grande minete circundante. Diariamente renovado e tido nas palminhas desde o dia em que nasceu.
Mas atenção. Os pêlos púbicos que este jornal solta e que se me vão atravessando na goela não são todos minúsculos. Uns são tão compridos e pouco encaracolados que não se sabe de onde vieram. E - é preciso dizer - no caso de certos articulistas recorrentes, há tufos. São muito difíceis de remover. Mas vou tentar.
E, por fim, há a bola. Diante dessa, desisto já. É uma única, gigantesca, bola de pêlo, daquelas que levariam dez anos, oito gatos dos bosques da Noruega e cem quilómetros quadrados de alcatifa felpuda encharcada em sumo de carapau para produzir (...)"
(e mais não escrevo que estou farta de dar ao dedo porque o Público continua a não ter on-line o P2)
"Quando se fala na irritação de ficar com um pêlo púbico atravessado na garganta, é raro fazer-se a justiça de contrabalançá-lo com o grande prazer do acto de amor que o causou. É íntima a ligação entre o exagero com que se exprime o incómodo e o silêncio em torno do afoito e da paixão que a tarefa exigiu.
E tanto vai dar ao mesmo que nós usamos o reque-reque das queixas como uma maneira engasgada de proclamar a sorte que tivemos. É como voltar a Portugal depois de ter passado o mês de Fevereiro a fazer surf na Austrália e, quando se pergunta como é que foi, responder que houve um dia que lhe entrou água para os ouvidos.
O pressuposto do sexo oral é, no meu caso, ainda mais importante porque me proibiram de falar dele. Ou de sequer esboçá-lo. Mais: pediram-me que virasse as costas à matriz cunilingue que seria o elogio deste jornal de que tanto gosto e me concentrasse apenas nas pequenas coisas que nele me irritam. Aqui vai, então, o meu relambório de pentelhos.
Espero que se veja que foram arrancados à força e que, se agora os tenho entredentes, foi só graças ao grande minete circundante. Diariamente renovado e tido nas palminhas desde o dia em que nasceu.
Mas atenção. Os pêlos púbicos que este jornal solta e que se me vão atravessando na goela não são todos minúsculos. Uns são tão compridos e pouco encaracolados que não se sabe de onde vieram. E - é preciso dizer - no caso de certos articulistas recorrentes, há tufos. São muito difíceis de remover. Mas vou tentar.
E, por fim, há a bola. Diante dessa, desisto já. É uma única, gigantesca, bola de pêlo, daquelas que levariam dez anos, oito gatos dos bosques da Noruega e cem quilómetros quadrados de alcatifa felpuda encharcada em sumo de carapau para produzir (...)"
(e mais não escrevo que estou farta de dar ao dedo porque o Público continua a não ter on-line o P2)

