É o meu solene testemunho, parecer, opinião, juízo, sentença e "achadela". Sobre o quê? Sobre o caso da interrupção do Santana Lopes na SIC-Notícias. Talvez faça jurisprudência, quem sabe.
Sou insuspeito: odeio futebol, principalmente as tricas de jogadores e treinadores. Antipatizo com o Mourinho, mesmo que fosse o salvador da pátria. Odeio estas coberturas televisivas em cima do acontecimento idiota. Basta relembrar o que aconteceu há semanas com o famigerado
caso Maddie. Mas sorrio com alguma ironia aos que agora elevam o Pedro Santana Lopes e lhe elogiam a firmeza e a postura.
How funny.
Para mim, a questão é simples: foi uma birra. Uma birra de quem esteve sempre habituado à luz da ribalta, ao calor dos holofotes, à macieza do pódio. E quando não estava habituado, procurava tudo isto como uma traçazinha procura um candeeiro. E agora doem-lhe as saudades à farta. Subitamente, o deputado, o secretário de Estado, o presidente do Sporting, o ministro, o presidente da Câmara de Lisboa, o Primeiro-Ministro, percebeu que é apenas um cidadão sem direito a horário nobre ou a atenção especial. É apenas um meio-careca de voz pastelosa e papos nos olhos. Foi ali falar como podiam ter convidado outro qualquer notável do PSD. Que seria interrompido sem apelo nem agravo, submetido à lógica do
directo televisivo. E provavelmente amoucharia. São as regras do jogo. Um jogo que Santana Lopes jogou com prazer e maestria durante muito tempo. Enquanto tinha uma batuta. Agora, perdeu-a, e ninguém faz soar uma nota que seja ao movimento dos seus dedos.
O mais notável cientista português, a mais ilustre artista nacional, a mais brilhante intelectual, o mais genial académico, o mais medalhado atleta, todos teriam que se vergar à cruel lei televisiva de interromper o contacto para ir ao aeroporto ver se o Mourinho arrotava, vinha de barba feita ou trazia olheiras. Não percebo porque é que o Santana Lopes não teve que fazer o mesmo. Por ser quem é, evidentemente, e por lhe doer o cotovelo ao perceber que já não é notícia.
Recuso-me a "tomar posição" ou a julgar "quem tem razão". Ele fez o que achou melhor. Se eu estivesse no seu lugar, talvez fizesse o mesmo. No dia seguinte, merecia um rodapé nos jornais e certamente nunca mais seria convidado a entrar num estúdio. Os jornalistas fazem o seu trabalho. De uma forma que a turba de telespectadores gosta e aprecia. Se eu fosse Director de Informação do canal, provavelmente também agiria como o Ricardo Costa. É a nossa televisão, que todos fomos construindo após o fim do monopólio da RTP. Se age assim não é por capricho do director, é porque as audiências o exigem. Não gostam? Mexam-se. Eu não gosto. Logo, não vejo. Não sou eu quem contribui para os números dos
reality shows, dos
especiais informativos ou das
Chiquititas. Quem o for, que puxe dos galões e exija uma nova televisão. Ora bolas.