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Womenage a Trois

Women's True Banal Stories - womenageatrois@gmail.com

Setembro 28, 2006

Shyznogud

Lembram-se todos, com certeza, de um célebre pontapé ocorrido no primeiro Big Brother, não é verdade? Prontus, é mais ou menos a mesma coisa, ninguém tinha medo do homem, mas o gesto de um alucinado em público dá sempre direito a comentários. Hum, outra imagem, o louco da aldeia é sempre um personagem castiço que alimenta algumas histórias (e gargalhadas cruéis), mas, coitado, não inspira medo a ninguém.
Ah! Ao que parece os defensores (adoradores parece-me mais ajustado) alvoraçam-se porque as "críticas" (risota geral, diria eu) foi provocada por uma entrevista com 10 anos, datada (se calhar o senhor já reconsiderou ou mudou de medicação). No problem, arranjam-se já intervenções recentes - não tão hilariantes, é um facto - mas que roçam a imbecilidade.

Setembro 28, 2006

Shyznogud

Há coisas que não se fazem e imaginários que não se podem destruir, especialmente se tiverem associadas toda uma série de experiências sensoriais únicas. Um vendedor de castanhas assadas, ao fim da tarde, em frente à Igreja de Benfica quando o calor ainda aperta é um atentado, devia ser proibido. Vendedores de castanhas e respectivo odor e fumo só fazem sentido quando o frio se impõe, fora deste quadro são uma espécie de tumor, uma degenerescência.

Setembro 27, 2006

Shyznogud

Já aqui elogiei uma vez o José Hermano Saraiva (elogiei foi a escolha do título de um livro, du calme), hoje venho aplaudir o Governo Regional da Madeira. Será que ainda me ouvirão dizer bem do João Paulo II e da Madre Teresa de Calcutá? Ficava quase completo o ramalhete dos ódios de estimação. Se isso acontecer devo estar pronta para internamento psiquiátrico.
Indo ao que interessa, e apesar de não fazer ideia dos conteúdos, à partida só posso aplaudir que o ano escolar na Madeira tenha começado com as seguintes inovações:

A Educação Sexual e Afectos e Educação Rodoviária passam a ser obrigatórias, introduzidas na disciplina de Educação Cívica, e, de acordo com Francisco Fernandes, a primeira «vai abranger os alunos do 5.º ao 9.º ano», enquanto que a segunda consiste numa sensibilização à problemática desde o 1.º ao 9.º ano. Matérias que terão professores vocacionados para a área.

...

Setembro 27, 2006

Shyznogud

Cada vez que dou uma olhadela no Tó Colante suspiro pela minha antiga colecção de autocolantes. Onde andará ela? Feita com tanto esmero e, palavrinha de honra, enoooorme e politicamente muito variada. Mas nem só de suspiros são feitas as minhas incursões por ali. Inevitavelmente a iconografia leva-me lá para os confins do passado e vem-me logo à cabeça o meu slogan preferido da altura. Terá surgido nas eleições legislativas de 76, acho, e marcou-me. "Cada voto na AOC é uma espinha cravada na garganta do Cunhal", não sei se era pelo ar da senhora (era normalmente uma senhora que o dizia), muito séria, muito convicta, que a frase cá ficou gravada. Não faz muito sentido porque ... quem é que ainda se lembra da AOC, não é verdade?

Setembro 26, 2006

Shyznogud

A entrevista que Fernanda Câncio fez ao Pedro Arroja há uns anos é um monumento. Dá vontade de dizer "O que é que este gajo andava a fumar? também quero!"
Morceaux choisis:

Portanto só quem tem dinheiro é que pode ter um partido...

A menos que haja um partido que me queira mesmo que eu não tenha dinheiro. Mas é precisamente a pensar nos pobres que eu punha a questão da transacção do voto. Se uma pessoa tem direito a um voto mas não quer usá-lo, tem de o deitar fora. Noutro sistema, poderá vendê-lo a alguém que queira votar várias vezes. Já viu quantos pobrezinhos ficavam beneficiados?

Se há quem venda sangue, deve haver muito quem queira vender votos... O problema era depois encontrar quem não quisesse vender. O chamado voto em consciência passava à História.

O voto em consciência tem produzido estes partidos...

E o que é que produzia o voto vendido?

Produzia votos esses sim em consciência, porque eu para comprar três votos para um partido tinha de ter grande apreço por ele.

(...)

E sendo negros tenham mais tendência a ser mortos.

Posso-lhe dizer que não há país do mundo onde os negros vivam tão bem como na América.

Costumava ouvir-se isso em relação à Àfrica do Sul...

E com verdade. Era o país com o mais alto nível de vida para os negros em África, mas agora vai cair.

Claro que estamos a falar de valores económicos.

Sim. Repare, eu acho que eles têm todo o direito à liberdade, é a terra deles. Agora não se esqueça que os negros americanos não estão na sua própria terra.

Ah não? E quem é que os levou para lá?

Foram eles que foram. Atraídos pelo nível de vida que não têm em mais parte nenhuma do mundo.

Para começar a terra era dos Indios. E está-se a esquecer do pequeno pormenor da escravatura.

Alguns foram levados como escravos. Mas ainda hoje há gente a emigrar para lá, negros. E deixe-me dizer-lhe uma coisa. O homem que ganhou o prémio Nobel, este ano, Robert Fogel, provou que se o sistema da escravatura era politicamente inaceitável, em termos económicos, para os negros, era um sistema muito eficaz. Mais: que o trabalhador negro da época, escravo, vivia melhor que o trabalhador médio branco. Certamente que a conclusão é surpreendente, é por isso que ganhou um prémio nobel. Mas documentou extraordinariamente bem...

O escravo vivia melhor em que sentido?

Existe a ideia de que o escravo trabalhava e dava tudo ao senhor. Não. O senhor branco ficava no máximo com dez por cento. Em segundo lugar, o trabalhador escravo negro era duas vezes mais produtivo que o trabalhador negro.

E já se perguntou porque é que ele seria duas vezes mais produtivo?

Diz-se que os negros não trabalham, não sei quê, e isto vem provar o contrário: mesmo sob condições de adversidade, a escravatura, os negros eram duplamente mais produtivos que os brancos. E os estados do sul, onde eles estavam concentrados, prosperaram muito mais do que os do Norte. Fantástico.

(...)

Que podem ser comprados. Aliás você defende que o Estado não devia ter o exclusivo da formação dos médicos e qualquer pessoa devia poder exercer a medicina.

Veja: se eu quiser ser médico e não tiver clientes, vou à falência. Mas se houver pessoas que vêem em mim um curandeiro...

E se não curar nada, lá morre mais meia dúzia de desgraçados para que o resto do mundo perceba que você afinal não presta.

E os familiares pôem-me uma acção em tribunal.

(...)

Não deve existir legislação contra o trabalho infantil?

Não. Se a criança vai ou não trabalhar, é com os pais.

Não deve haver regras extra-família que definam os limites das relações entre pais e filhos? Como prevenir abusos, como precaver regimes de semi-escravatura?

É como nos casos de abuso físico: a criança vai parar ao hospital, enfim. A polícia participa.

A criança tem de ir parar ao hospital?

Não, se a criança aparece batida indevidamente, qualquer professor ou outra pessoa pode ir participar. Mas considere a alternativa, que era ao mínimo indício a polícia entrar pela casa dentro. Há com certeza vítimas, mas na alternativa haveria mais: destruia-se a civilização.

Setembro 25, 2006

Shyznogud

Não tardará muito que o tema do costume, leia-se IVG, tome conta dos palcos mediáticos com o habitual chorrilho de disparates. Disparates que vêm, aliàs, dos dois lados da barricada (escolhi conscientemente a palavra barricada). Como feroz partidária da despenalização e liberalização do aborto (dentro de prazos sensatos) custa-me muito mais, claro, ouvir disparates ditos pelo lado dos partidários à alteração legislativa. O principal, aquele que me revolve as entranhas, é o que assenta no discurso da "desgraçadinha, coitadinha, que não tem com que dar de comer aos filhos que já tem e a quem não resta outra saída que não meter-se nas mãos das parteironas de vão de escada, essas vis criaturas". E porque é q isto me dá volta ao estômago? Em primeiro lugar porque o aborto não é, nem nunca foi, um problema específico de "pobrezinhas". Penso, aliás, que a maioria das mulheres que já abortou deve pertencer aquilo que se chama classe-média. A maternidade/paternidade é um projecto de vida, a longa distância que já nos separa da "natureza" permite, felizmente, que não procriemos apenas para perpetuar a espécie. Não concebo a maternidade (e só falo dela porque estou a falar em nome próprio) sem um profundo investimento nas "crias" que se têm. Esse investimento não passa só por fornecer alimento às criancinhas, é muito mais do que isso, e exige uma disponibilidade mental que não se tem em todas as alturas da vida. "Shit happens", como dizem os anglófilos... e sim, gravidezes indesejadas acontecem por motivos vários. Felizmente não somos autómatos e, feliz ou infelizmente, o corpo humano tem falhas. Uma simples diarreia pode tornar ineficaz a toma da pílula. Mas, mais do que isso, quem nunca teve uma relação sexual "potencialmente reprodutível"? Não acredito que haja quem responda "Eu não!" a esta pergunta se estiver a ser absolutamente sincero. Por muito racionais que sejamos há momentos em que a desgraçada da razão, tadita, leva um senhor tareão e desaparece durante um bocado. Estou a fazer a apologia do sexo não protegido? Claro que não, estou a limitar-me a constatar que, por vezes, falhamos. Acontece... Quer seja por motivos fisiológicos, quer seja por "calores", todos nós , uma vez na vida, tivemos um deslize, um momento, que pode resultar numa gravidez. Posso parecer pedante mas parece-me que é por achar que um filho é algo demasiado valioso, demasiado importante que defendo que casos há em que a IVG faz todo o sentido. Como referi antes neste blog já abortei. Se me arrependo? não, de todo. Naquele momento da minha vida foi a decisão que me pareceu certa e fi-lo. De ânimo leve? Não, claro que não. Ponderei muito bem todas as "variáveis" e, no fim desse processo, não hesitei. Sofro por causa da minha decisão? Não, não sofro, não tenho nenhum sentimento de culpa a pairar sobre a minha existência. Se me visse de novo na mesma situação faria o mesmo? Muito provavelmente, ter mais filhos não faz parte do meu projecto de vida para o futuro. A maternidade é algo muito presente na minha vida, a que dou uma importância fulcral, tenho-me por uma mãe muito presente na vida dos meus dois filhos mas chegam-me os que tive/tenho. Ter filhos pequenos fez sentido em certos momentos da minha vida, agora, que começam a voar sozinhos, não faz. Até porque não reduzo a minha condição de mulher ao papel de mãe.
Grande conversa que para aqui vai e não era propriamente isto que eu me propunha a escrever quando abri a página do blogger. Ia, pensava eu, fazer uma viagem até 1998, à noite em que os resultados do Referendo ao Aborto foram conhecidos. "Que se fodam as mulheres do meu país", este era o meu espírito nessa noite. Eu, burguesinha que sou, tinha (e tenho) todas as condições para fazer uma interrupção voluntária de gravidez onde e quando quiser. Não era a mim que aquele resultado penalizava em primeiro lugar. Ou melhor, penalizava-me sim, porque no meu país continuava a vigorar uma legislação que me impunha comportamentos (mas a isso já lá vamos). Fiquei irritada, profundamente irritada com a preguiça demonstrada por uma enorme percentagem de portugueses. É verdade que a cidadania e o exercer dos seus direitos e deveres é coisa que ainda tem um longo caminho a percorrer neste canto, mas, bolas, no mínimo exigia-se que quem já tivesse passado por uma situação semelhante abandonasse a praia um bocadinho mais cedo e fosse votar. Eu não conheço só depravadas (ok, concedo, conhecerei algumas ) nem inconscientes e das mulheres que conheço (todas as idades confundidas) se há 20% que nunca tenha feito nenhum aborto é muito. Claro que também há gente, como uma senhora que acompanhou a filha a uma parteira no dia seguinte, que proclamava alto e bom som ter votado Não. "Votou não?? e hoje está aqui a fazer uma interupção com a sua filha?", "Mas a minha filha é um caso diferente, foi um acidente"... ah! pois, as nossas filhas são sempre diferentes das outras, essas putas ou ignorantes, que fornicam inconscientemente e que por isso merecem ser "castigadas" com um filho.
Hei-de voltar ao tema, agora vou terminar com algo que sempre me intrigou. Alguns blogs lusos têm mantido, nos últimos tempo, debates sobre o assunto. É o caso do Blasfémias e do blog da Revista Atlântico. Neste último encontrei uma pérola que me deixou de olhos arregalados (ainda hei-de ficar cheia de rugas de expressão tantas são as vezes que os meus olhos se abrem de espanto). Paulo Pinto de Mascarenhas, um dos redactores do blog, é dos tais que diz que vai votar não à alteração da lei mas que não defende que as mulheres sejam penalizadas. Como é que disse? ora porra, se existe uma lei é para ser cumprida... não? mas não foi esta afirmação, incoerente mas, infelizmente, banal, a responsável pelo aumento das marcas do tempo na minha cara, mas sim o q se segue. Numa caixa de comentários replica a uma comentadora, que fala das penalizações à mulher que aborta e à ausência de penalização ao homemque que forneceu os espermatozóides, "Tem toda a razão Maria Antónia, se a posso tratar assim. A penalizar, para mim, devia ser o homem.". Confesso, não resisti a rir perante tamanho paternalismo e menorização da mulher ( a desgraçada, coitadinha, que, incauta, é engravidada pelo malandro do macho abusador?dá ou não vontade de rir?). Este mote poderia servir para muitas outras coisas, inclusivamente para a questão inevitável: o homem deve ou não ter uma palavra a dizer sobre a decisão de interromper uma gravidez. Fica prometido para outros post que surgirão, tenho a certeza.
Ah! Antes de me despedir só mais uma coisinha. Este blog surgiu, tembém, por causa de uma conversa mantida na caixa de comentários do Escola de Lavores. Faço esta referência devido às "parteironas, essas vis criaturas" que referi no início.

...

Setembro 25, 2006

Shyznogud

Porque nem todos são tão - hum, como dizer? -, maduros (cof, cof) pronto, como eu

Foi disto que eu me lembrei há bocadinho. Holly fuck! devia ter uns 10/11 anos quando vi o Tommy. Até tinha o álbum (LP, como se dizia) e tudo.

(o you tube desgraça-me!)

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