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Womenage a Trois

Women's True Banal Stories - womenageatrois@gmail.com

Agosto 18, 2006

Cenas Obscenas

Há coisas desconcertantes. Há experiências curiosas. Ora experimentem lá dirigir-se a um qualquer restaurante da cadeia McDonald’s. Quem o fizer, reparará que a velha receita de hamburgers besuntados de gorduras saturadas com muitas batatas fritas a pingar óleo e baldes de Coca-Cola carregadinha de açúcar caiu em desuso. Está out. As pessoas continuam a consumir daquilo em barda, mas o que conta é a intenção, não é? Seja pela má-fama criada à conta das bombas calóricas, da má-alimentação, da obesidade crescente, da maldição do fast-food ou, simplesmente, pelos efeitos do Super Size Me, a verdade é que, hoje em dia, a McDonald’s está arejada e convertida à alimentação saudável. Saladas, fruta, sopa, iogurte, água mineral entraram nas ementas acompanhadas de tabelas nutritivas e informação adicional. Os perigos continuam lá mas obrigam a fazer contas e as pessoas não estão para isso. Aliás, são conhecidas as deficiências dos portugueses em Matemática. Mas experimentem somar as calorias de um Big Tasty, batatas fritas médias, cola média e um Sundae de chocolate, que é o que mais vejo consumir quando lá vou. Excluam o ketchup, os molhos e o providencial açúcar no café, que é para evitar instintos suicidas a quem fizer contas. Somem tudo e vejam o total. Dá 1641. Isto excede a quantidade de calorias que uma criança deve ingerir num dia inteiro e é mais de 80% das necessidades calóricas diárias de um adulto. Estamos conversados, portanto.
Mas as saladinhas, oh as saladinhas estão sempre disponíveis. São uma alternativa, não são? Pois são. E nestes meses de Verão, quem adquirir uma, devidamente acompanhada de uma bebida média, terá direito a um brinde. Não, não é um copo, uns chinelos ou um DVD. É um... cinto. Um lindo cinto verde-alface, cor-de-laranja ou outra cor assim leve, fresca e gira. E que para serve? Não é para dar cargas de porrada nos filhos. Isso era nos tempos do fascismo obscurantista. É apenas para ver se a (e já explico o “a”) cliente come saladinhas saudáveis e nutritivas em vez de se atravancar com batatongas e molhos. Numa palavra, se não engorda. E para ajudar na meritória tarefa, o cintozinho vem numa linda embalagem cujas faces mostro acima. Estão a ver? É um cinto para meninas. Só para meninas. As meninas lindas, felizes, saudáveis e elegantes que vão ao McDonald’s, não as trambolhas gordas que comem porcarias cheias de gordura e açúcar e que, provavelmente, passam a vida no KFC, Kingburger ou qualquer outro antro de perdição nutricional. São Meninas Mac, de cintura delgada, sorriso gentil e ar desempoeirado, envergando os tais cintos. Uma está de mini-saia e bebe alguma coisa certamente fresca saudável e light como ela. A outra, de óculos escuros na testa, descobre ligeiramente o ventre (que parece esmifrado por um espartilho, mas é mera ilusão) e acaba de vir das compras de uma qualquer loja bem. “I’m lovin’ it”, dizem elas.
Mas eu, como o Casimiro, interrogo-me: as saladas são só para mocinhas? Os rapazes não têm o direito de ser esbeltos e saudáveis? Ou não querem? Ou não precisam? Ou preferem atulhar-se primeiro e ir a correr para o ginásio depois? Ou acharam que oferecer um cinto era demasiado apaneleirado para um mancebo? Qualquer que seja a resposta, achei curioso e desconcertante, sobretudo porque os Happy Meal têm sempre “escolha de género”, invariavelmente um carrinho para os petizes e uma Barbie para as menininhas. Ambos acompanham o mesmo esterco alimentar, mas ao menos possibilitam a opção. Nas saladas não há escolha. Homem que é homem (ou rapaz que o quer ser) não come salada. Ou come?

Agosto 16, 2006

Cenas Obscenas

...desta vez sem piadinha nenhuma. A Super Bock vestiu-se decentemente e fartou-se de poucas-vergonhas. Agora vêem-se seis copinhos alinhados com a legenda "Six Appeal". Pobre trocadilho, digo eu. Se ao menos envolvesse a Six do Tripping the Rift, aí já seria um trocadilho com piada. Mas não me parece que seja o caso.
Assim, não vale a pena colocar aqui a respectiva foto. De coisas desenxabidas está a net cheia. A menos que (e agora fala a minha costela perversa)... as feministas de bairro (sim, essas mesmo em que estão a pensar) considerem que se trate de uma exibição despudorada de prepotência sexual masculina, com a exibição de 6 (seis) falos erectos e perfilados, prontos a derramar espuma borbulhante, ainda por cima com um aspecto desejável, de uma prova de exibicionismo machista ou, pior ainda, de um insidioso convite ao gangbang, tentando incutir nas mentes das portuguesas, em mensagem subliminar, o desejo de sexo em grupo. Assim tipo "Venham Mais Seis", estão a ver?
Se assim for, eu tirarei então a foto manhosa e exibirei aqui a dita meia-dúzia. Ou se houver muitas e insistentes solicitações por parte de quem ler este post, também serve.

Agosto 15, 2006

Cenas Obscenas

Devia ser este o verdadeiro nome do cartaz da Super Bock, que tive a honra de divulgar, em primeira mão e em rigoroso exclusivo, há uns dias. Ora confirmem . É, não é? tinha afirmado que os senhores da campanha percebem mais de cerveja do que de mulheres ao compararem o corpo feminino com uma garrafa, assim direita, sem curvas e de vidro frio. Agora, examinando melhor o cartaz (vai aqui uma foto manhosa porque parece haver vergonha de exibi-lo no site), percebe-se porque é que a ignorância é um mal tão nefasto: espalha-se, entranha-se e, sobretudo, surge sempre onde menos se espera. No caso presente, estende-se a temas mais mundanos, como roupas, história recente e língua inglesa.
A
garrafa não tem dois rótulos? E não é o de baixo que foi surripiado? Então não é topless, é bottomless, senhores. Não sabem inglês? É a parte de baixo que falta, pelo que temos, portanto, uma descaradona a exibir despudoradamente as vergonhas. Desenganem-se os voyeurs, porque a decepção é imediata. Depois de uma mama e de um rabo, ohh, concluimos tristemente, ao cabo de toda esta expectativa, que a Super Bock é uma cerveja assexuada. Isso mesmo, nadica de nada, limpinha, bald, rapadinha, sem um pelinho que se veja. Nem uma pilosidade nem nada a acompanhar. A Miss Playbock não passa de um querubim louro. Ora bolas. Fizeram-nos esperar tanto tempo, num longo e expectante strip, para isto. Estamos perante um logro, uma decepção. Voltem a cobri-la, sff.
A verdadeira Miss Playbock Topless,
que não envergonhasse os seus compatriotas com enganos destes, está aqui. É uma invenção minha, o fruto da minha imaginação, um delírio onírico que nunca verá a luz do dia.


Confessem, esperavam ver a Samantha Fox, a Pamela Anderson ou, quem sabe, a Dolly Parton com uma cuequinha da Super Bock, não era? O que a gente atura neste blog. Pfff!

Agosto 14, 2006

Shyznogud

Não tendo eu a menor das simpatias pelo Hezbollah, ou movimentos semelhantes, sinto-me perfeitamente confortável para afirmar que é no mínimo questionável (e no máximo mete nojo) a forma como a “Carta a Ester Mucznick” de Isabel do Carmo é publicada hoje no Público. Há pequenos pormenores que dizem tanto…

Não faz sentido nenhum, a menos que exista um óbvio propósito manipulador, que se ponha em destaque, logo depois do título, uma frase, supostamente uma citação do texto, amputando-a de uma parte, não é verdade? Ora foi exactamente isso que aconteceu, no texto Isabel do Carmo escreve “O Hezbollah, goste-se ou não, é um partido organizado, tem deputados eleitos e foi a forma daquela população se organizar. Tem escolas, hospitais, assistência social. Não é uma organização terrorista e como tal não é considerada pela União Europeia”. O “subtítulo” da Carta é exactamente o mesmo, só que desaparece, como que por magia e sem que seja assinalado por um grafismo universalmente aceite – a saber (…) – o “goste-se ou não”. Funny, right? Mas não é tudo, há outra que também não é fácil de engolir. Aparece uma nota da redacção, no fim do texto, que diz, e cito, “O PÚBLICO não alterou a grafia deste texto, designadamente o facto da autora escrever Holocausto com caixa baixa”. Ou sou eu que ando muito flor de estufa ou esta “pequena” nota de inocente tem muito pouco e, digo eu, é extraordinariamente ofensiva para a autora.

Estratégias rafeiras deste estilo não ficam nada bem a um jornal que se quer de “referência”.


P.S. - Para que não restem dúvidas, este post não é sobre o texto da Isabel do Carmo mas, tão somente, sobre a forma de o editar.

P.S. 2 - Não fui a única a achar profundamente discutível a edição do Público. Acabei de reparar (tarde porque as férias falam mais alto) que também Pacheco Pereira falou sobre o assunto:
Esta agora, então num artigo de opinião o seu autor não pode escrever "holocausto" com minúscula? Usar maiúsculas ou minúsculas, aspas ou outros mecanismos com significado é parte indissociável da liberdade de opinião. Não percebo por que razão escrever "holocausto" em minúscula justifica uma nota da redacção, nem me parece que o Livro de Estilo (que não posso consultar agora, nem sei se se aplica) se sobreponha sobre a intencionalidade valorativa da opinião. De facto, independentemente do artigo de Isabel do Carmo, eu também escolheria escrever "holocausto" e não Holocausto se tivesse percebido o sentido interpretativo e ideológico que lhe dá a redacção do Público que de todo recuso - a transformação do holocausto numa identidade a-histórica impossível de interpretar fora do quadro de uma determinada leitura disfarçada de intangibilidade moral.

Agosto 14, 2006

womenageatrois

Agosto 14, 2006

Cenas Obscenas

Estou no meu direito, não estou? Sem colidir com as intenções de divórcio da FIA e respectivas pensões de sobrevivência. E meto a colher onde? No tema dos pais e das mães, pois claro. Isto para não pensarem que só sei dizer mal da cerveja e dos blogs feministas (na verdade, sei dizer mal de muitas outras coisas e ainda tenho umas quantas a acrescentar à conta das cervejas, mas ficam para depois).
Acho que os vossos posts são muito complicados. Metem questões jurídicas, questões éticas, questões sociais, tudo embrulhado num lindo pacote com muitas fitas e berloques. Ora, num assunto tão delicado como a maternidade/paternidade (que tal inventar "@aternidade" para definir a coisa, hein?), é preciso ser um bocadinho mais básico para chegar ao cerne da questão. E esta alcalinidade define-se em duas patacoadas: cá nas nossas tribos, os papéis estavam, desde há séculos, bem definidos: o pai ganhava o sustento fora de casa, a mãe cuidava da dita e dos filhos. Ao pai cabia definir as GOPs da família, à mãe estava destinada a sua aplicação. Ao pai o sustento, a defesa, o respeito, o lugar eminente à mesa, a racionalidade, a severidade, se necessário. À mãe o afecto, a a intimidade "do lar", a emoção, a educação, a "humanidade" no sentido comum do termo. Nada de confusões, nada de cruzamentos. Cada um sabia o que devia fazer e qual era o papel que lhe competia. Havia funções maternais e funções paternais, coisas de homem e coisas de mulher. O mundo era simples e fácil de entender. Desvios à norma eram aberrações, taras, manias, a rectificar depressa, a bem ou a mal.
Ora, num quadro destes, é claro que os filhos ficavam muito mais ligados à mãe que ao pai. "Mãe é mãe", certo? Ou, como dizia a minha avó de um modo mais interessante, "os pais gostam [dos filhos] por fora, as mães gostam por dentro".
Subitamente, em poucas décadas, tudo isto sofreu um verdadeiro "familimoto" (sim, pá, se há terramotos e maremotos, porque é que não pode haver familimotos?). Hoje os pais também querem ser "mães" e as mães querem também ser "pais". Traduzindo: os pais querem reclamar o seu quinhão no seio dos afectos e as mães querem distanciar-se para poderem ter a sua carreira profissional, etc. Isto, como se sabe, é apenas uma pontinha de um gigantesco iceberg. Prontos, tá tudo feito num molho de bróculos. Anda tudo baralhado, às cabeçadas e às turras, ninguém sabe bem onde estão os "carris".
Até encontrarmos um novo modelo, um novo equilíbrio onde os papéis, as funções, os direitos, os deveres, as aspirações e as ambições estejam novamente definidas de forma razoavelmente consensual, andaremos sempre nisto. Que fazer? ora, ora... lembro-me do sentido daquela obra-prima do Isaac Asimov que fala da necessidade de abreviar os "mil anos de barbárie após a decadência do Império", mas ficará para uma outra ocasião.

Só um acrescento ao post da Shyz: é com grande emoção que assisto ao regresso à ribalta desse grande senhor que dá pelo nome de Pedro Arroja, autor de célebres e memoráveis máximas, como a de se insurgir contra o salário mínimo, lembram-se? Segundo este ilustre académico, o SM é um disparate porque as pessoas devem ser pagas pelo valor do seu trabalho. Porquê pagar um valor mínimo, se o trabalho de tanta gente não vale sequer isso? Pois eu concordo por inteiro, é uma máxima excelente. Mas descobri que já foi aplicada há algum tempo, sabem quando? exactamente no momento em que o senhor saiu de cena: a trampa que escrevia em artigos e colunas nos jornais não valia a tinta que gastava e, provavelmente, teve que mudar de ofício para não morrer de fome.

Agosto 13, 2006

Shyznogud

Estar sem filhos em casa tem semelhanças evidentes ao estar sem pais em casa quando se é adolescente (será isto o ciclo da vida? Será que as concepções circulares da História fazem sentido? O eterno retorno terá cabimento? Só dúvidas que me angustiam). Alguém arrumava e limpava a casa quando os papás se piravam durante uns dias? Eu não! Nestes últimos dias, em que tenho estado em versão “puto’s free”, o panorama é semelhante. Lava-se a roupa e a loiça e oh oh… “já gozas”! Mas agora, que a data da partida para férias se aproxima a passos largos, uma gaja olha em redor e pensa “Pooorra, que desgraça, está na altura de mexeres o traseiro e te armares em fada-do-lar que não podes encontrar isto assim quando voltares a casa”. Today is the day. Desligar o pc, não ligar a TV, recusar todos os convites para um “café rápido” ou qualquer outro programa são condições indispensáveis para que se consiga levar a bom termo tão hercúlea tarefa.

Um pulo ao pc para passar os olhos nas notícias do dia nos jornais que não o do costume, espreita-se o mail e responde-se a um ou outro que exija resposta mais urgente, dá-se uma espreitadela no blog, just in case, e pensa-se “Teria vindo tão a propósito uma referência a um aniversário de peso celebrado ontem”. Não o fiz ontem faço-o hoje, ninguém morre por isso. Passaram 47 anos sobre a 4ª Conferência de Genebra, a relativa à protecção de civis em tempo de guerra (a actualidade da questão parece-me ser evidente). Todos textos das várias conferências e protocolos, bem como outras informações relevantes, podem ser encontrada aqui.

E agora, com vossa licença, o aspirador aguarda-me. Não me retiro sem pesar, em primeiro lugar porque nunca fui lá grande apreciadora de lides domésticas e, em segundo, estou com umas quantas atravessadas, ainda relativas a maternidades, paternidades e "coisas naturais".

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