Outubro 01, 2007
Cenas Obscenas
Estou encantado com a nova moda do automobilista nacional. As antigas manhas, os tradicionais atropelos ao respeito pelo outro-carro-que-circula, já eram. Esqueçam o hábito de ultrapassar a bicha e entrar à má-fila quando a estrada afunila, deixem o costume de acelerar quando o malandro que vem atrás nos quer ultrapassar, não liguem importância ao costume de não dar passagem a quem está no cruzamento, num stop, a querer entrar, não se incomodem mais com a tradição de ultrapassar e depois travar, "agora aguentas, cabrão", olvidem o hábito de ir na faixa do meio a 40 km/h, larguem a mania de falar ao telemóvel enquanto se ziguezagueia na estrada. Tudo isso é coisa velha, sem piada, sem gozo, sem pica.
Desde que as novas tecnologias invadiram a estrada, a gente inventou formas mais divertidas de chatear o próximo. Há uma, então, que dá um gozo do caraças porque obriga mesmo o outro a fazer figura de parvo. Eh caraças. Estou a falar dos semáforos limitadores de velocidade. Daqueles que obrigam um tipo a circular a 50 durante para aí um meio minuto. Não, não é acelerar depois para os 120, logo que se passa o dito. Nem sequer é a prática de não respeitar o vermelho nem o limite de velocidade. Isso é coisa batida, comum, banal. Falo de algo muito mais fixe: esperar que o pessoal abrande que nem uns caracóis e depois, a 100 metros do sinal, zás, acelerar, ultrapassá-los a todos na esgalha, por cima do traço contínuo e da passadeira e tudo, se possível a buzinar e a mandá-los apanhar na bilha. Não há bófia, não há problema. A gente excede a velocidade e o sensor acusa. O sinal muda para vermelho mas quem é obrigado a parar são os mongos que ficaram lá atrás, eh eh, patós do caralho, comem com o fumo e param todos no vermelho a estrebuchar, enquanto a gente já lá vai. Um frissom do caraças, só vos digo. Um dia será promovido a desporto nacional.