Quarta-feira, 6 de Agosto de 2008

Domingo tinha lido a notícia no Público e começaram as comichões, hoje, no "Editorial" (p.34), Nuno Pacheco retoma o tema e avança uma série de objecções que também a mim se puseram. Estou a falar de quê? Da intenção do ME de dar um prémio de 500€ aos melhores alunos de cada escola.

As minhas comichões têm muito a ver, admito, com a minha prática como educadora/mãe. Desde que a minha filha mais velha entrou para a esola que me recuso a premiar bons resultados escolares. A conversa que os dois ouvem desde os 6 anos de idade é sempre a mesma "Vocês têm obrigação de fazer o melhor que conseguirem  e pensem sempre que não sou eu que lucrarei com o vosso sucesso escolar.". Esta "rigidez" de princípios valeu-me, ao longo dos anos, muitas críticas por parte de alguns amigos meus porque, ainda por cima, tenho bons alunos em casa (um dos bichos é, diga-se, um aluno de excepção) e cansei-me de ouvir coisas do estilo "Bolas, que chata que és. Com notas dessas a miúda merecia ser muito apaparicada". A cabrinha, aliás, em tom de gozo também me dizia frequentemente "Azar do caraças. Estou farta de perder dinheiro por te ter como mãe".  Para além desta conversa sobre "lucros" os meus pobres filhos também comeram com grandes prelecções sobre o gozo e o prazer de aprender. E é porque me parece que o que deve ser cultivado em primeiro lugar é este gozo de aprender, sem objectivos "pragmáticos" imediatos que, à partida, me arrepia a atribuição de prémios monetários aos bons alunos. Odiaria ver, e citando o Nuno Pacheco, "a escola (...)reduzida a isto: o conhecimento serve apenas para ganhar dinheiro.".



Shyznogud às 11:29

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