Já por diversas vezes me vi metida em discussões em que estou, invariavelmente, em minoria. Como nunca gostei particularmente de consensos - são quase sempre ocos - não é coisa que me dê grandes abalos. Um dos temas em que é norma isso acontecer é a prostituição. Tem imensa piada observar um "efeito colateral" das minhas posições sobre a prostituição. Pelo que fui percebendo, é suposto eu ser absolutamente contra a legalização da prostituição já que sou mulher, ora, parece que uma mulher não pode ter outra opinião que não a de considerar que o grau máximo da degradação do ser humano é a venda do próprio corpo. Pois bem, a única hipótese é ter um misterioso pénis virtual que me condiciona as hormonas e masculiniza a minha massa cinzenta porque estou longe de considerar degradante que alguém, livre e conscientemente, proclame, alto e bom som, algo que vi escrito noutro dia "My body is my working place". Vi esta num placard de uma manifestação que aparece numa reportagem da sic notícias que apanhei a desoras e a meio. Apesar de não a ter visto desde o início percebi rapidamente que o tema era a aprovação, há 3 anos em França, da chamada LSI (Loi pour la Securité Interieure), emanada directamente de um senhor que me agrada muitíssimo, oh se, de seu nome Nicolas Sarkozy. To cut a long story, tal legislação terá sido criada (pelo menos é como a vendem) para, em primeiro lugar, combater o tráfico de mulheres (estrangeiras) mas na prática significou a "limpeza" das ruas das cidades (em especial Paris). Apesar da prostituição ser legal em França o assédio a clientes tornou-se proibido. Não podendo assediar clientes "às claras", as prostitutas viram-se erradicadas do trottoir e empurradas para as estradas e matas francesas. Guardei uma frase , "Deixaram de ser trabalhadoras precárias e passaram a ser clandestinas" e a consequência é óbvia, uma diminuição drástica das condições de segurança em que exerciam a sua profissão. Algumas das prostitutas entrevistadas na dita reportagem referiam algo que, penso, ilustra bem o quadro saído da LSI, "Antes podíamos contar com a polícia para nos dar alguma protecção, agora fugimos dela.". Outra consequência grave é que, acho eu, uma lei que "clandestiniza" a prostituição fomenta aquilo que pretende combater, o tráfico... mas isto vai ter que ficar para outras núpcias porque, podendo não parecer, aqui trabalha-se. Quando voltar a pegar nisto, o Daspu e outros sites não me escaparão.
