Segunda-feira, 18.09.06
Já por diversas vezes me vi metida em discussões em que estou, invariavelmente, em minoria. Como nunca gostei particularmente de consensos - são quase sempre ocos - não é coisa que me dê grandes abalos. Um dos temas em que é norma isso acontecer é a prostituição. Tem imensa piada observar um "efeito colateral" das minhas posições sobre a prostituição. Pelo que fui percebendo, é suposto eu ser absolutamente contra a legalização da prostituição já que sou mulher, ora, parece que uma mulher não pode ter outra opinião que não a de considerar que o grau máximo da degradação do ser humano é a venda do próprio corpo. Pois bem, a única hipótese é ter um misterioso pénis virtual que me condiciona as hormonas e masculiniza a minha massa cinzenta porque estou longe de considerar degradante que alguém, livre e conscientemente, proclame, alto e bom som, algo que vi escrito noutro dia "My body is my working place". Vi esta num placard de uma manifestação que aparece numa reportagem da sic notícias que apanhei a desoras e a meio. Apesar de não a ter visto desde o início percebi rapidamente que o tema era a aprovação, há 3 anos em França, da chamada LSI (Loi pour la Securité Interieure), emanada directamente de um senhor que me agrada muitíssimo, oh se, de seu nome Nicolas Sarkozy. To cut a long story, tal legislação terá sido criada (pelo menos é como a vendem) para, em primeiro lugar, combater o tráfico de mulheres (estrangeiras) mas na prática significou a "limpeza" das ruas das cidades (em especial Paris). Apesar da prostituição ser legal em França o assédio a clientes tornou-se proibido. Não podendo assediar clientes "às claras", as prostitutas viram-se erradicadas do trottoir e empurradas para as estradas e matas francesas. Guardei uma frase , "Deixaram de ser trabalhadoras precárias e passaram a ser clandestinas" e a consequência é óbvia, uma diminuição drástica das condições de segurança em que exerciam a sua profissão. Algumas das prostitutas entrevistadas na dita reportagem referiam algo que, penso, ilustra bem o quadro saído da LSI, "Antes podíamos contar com a polícia para nos dar alguma protecção, agora fugimos dela.". Outra consequência grave é que, acho eu, uma lei que "clandestiniza" a prostituição fomenta aquilo que pretende combater, o tráfico... mas isto vai ter que ficar para outras núpcias porque, podendo não parecer, aqui trabalha-se. Quando voltar a pegar nisto, o Daspu e outros sites não me escaparão.



5 comentários:
De Shyznogud a 20 de Setembro de 2006 às 14:35
Hum, já me dás lastro há bué. Ah! e - estarei errada? - só vamos fazer as bodas de prata daqui a um mesito?
A propósito (e se és qm eu acho q és), acabei deser cumprimentada por "Olá donzela, por aqui?", sounds familiar?


De agoradescobres a 20 de Setembro de 2006 às 12:58
Dou-te lastro há 25 anos precisamente. Chega-te?


De Shyznogud a 20 de Setembro de 2006 às 10:59
Não foi isso que eu disse, limitei-me a reproduzir as réplicas com que sou confrontada sempre q defendo q a prostituição - qdo exercida livremente, volto a frisar - deveria ser considerada uma profissão igual às outras, "Como é q tu, sendo mulher, consegues dizer isso??".
Ah! e não faço a menor ideia de quem és, se me deres mais lastro talvez lá chegue


De descobrequemsou a 19 de Setembro de 2006 às 23:29
Essa da masculinidade da tua opinião tem graça - achas que, para os homens, a prostituição é uma profissão igual às outras e deve ser legalizada?


De rosa que fuma a 18 de Setembro de 2006 às 16:08
de novo o tal padrão ou normalidade: porque sou mulher devo achar que. é o tal "tipo" que falavas? a rua da rosa, rua do net café onde estou deve o seu nome (a menos q seja excepção) a ter sido um red light district. noutros tempos a prostituição devia ser sinalizada por uma miríade de sinais, fosse uma manga de outra cor ou um chapéu específico. era suposto ser vista, como os mendigos do néon que vêm aí na luzboa. O mal-ver da prostituição, não confundida com escravatura, virá de onde, hã? de onde?


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