Quarta-feira, 23.01.08
Curioso, ao ler este post e o comentário que lá está, vivi um curioso momento de regresso ao passado. Lembrei-me de toda uma conversa estafada que ouvi anos a fio: de cada vez que falava de liberdades cívicas, de abuso de autoridade, de direitos humanos, de Amnistia Internacional, havia sempre quem dissesse "pois, pois, devias era ir para a União Soviética para veres como aquilo é bom, porque é que não vais para lá pregar?".
Era chamada a conversa de chacha, a conversa assassina (ou, mais prosaicamente, conversa de ir ao cu - sem ofensa, Dr. Maybe). De chacha porque não adiantava nada ao assunto que se discutia. Assassina porque matava imediatamente qualquer veleidade de troca de ideias. Nesses tempos distantes, qualquer defeito que se apontasse ao "mundo livre", qualquer denúncia de injustiça ou de abuso na nossa ("nossa" - europeia ou americana) democracia era vista como um ponto a favor do "lado de lá". Por muito mau que isto aqui pudesse ser, era muito melhor do que o que se passava nessas paragens, por isso, pianinho, pianinho, era mas é melhor estar calado, ou então, que fosse "para lá".
Nesses tempos, a Besta era vermelha e tinha uma foice e um martelo tatuadas na testa. Uma Besta temível, monstruosa, implacável, sem rosto. Depois viu-se que tinha pés de barro, afinal. E que os seus habitantes eram humanos e, ohh, até parecia, como mostrou uma estrela pop, que amavam os seus filhos e tudo. Hoje mudámos de Besta. Do vermelho de Lenine passou a verde do Profeta, mas apenas para alvos seleccionados. Os verdes iranianos são maus, os sauditas são bons. Mas muitas das conversas, essas, continuam estéreis.

desculpa lá a invasão mas foi mais forte que eu, tive mesmo que vir musicar o post.
shyz





5 comentários:
De Anónimo a 24 de Janeiro de 2008 às 12:14
Nem na "Vida Sociética" nem em nada que tenha "encadernado lá em casa", presumo.

Sá.


De Cenas Obscenas a 24 de Janeiro de 2008 às 10:48
Se não a História, a justiça divina, presumo.
(Obrigado pela lição, ignorava todos esses números. Não sei porquê, não vem nada disso na Vida Sociética encadernada que tenho cá em casa).


De Shyznogud a 24 de Janeiro de 2008 às 09:56
Nem de encomenda se arranjaria um tão perfeito exemplar para ilustrar o post. É também verdade que eles abundam, daí que não seja de estranhar...


De Anónimo a 24 de Janeiro de 2008 às 02:25
Acontece que "assassinas" foram as aventuras comunistas no século passado, as soviéticas e as outras.

O comunismo foi responsável pelo maior genocídio de âmbito ideológico da história da humanidade, e isso está inscrito na história da união soviética, do cambodja, da china; aventuras que a História hoje contabiliza em mais de 60 milhões de mortos, directamente assassinados pelo comunismo. Conseguiram exterminar ainda mais que os fascistas.

Não assobiem para o lado porque esse ajuste de contas está por fazer, e a História encarregar-se-á disso.

Sá.


De Shyznogud a 23 de Janeiro de 2008 às 10:09
e já se vai estando habituado a tão previsíveis reacções, n'est pas?


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