Segunda-feira, 06.10.08

Inconscientemente sei que eles voltam sempre, por isso não actualizo a minha lista de blogs favoritos. O José Bandeira acaba por me dar mais uma vez razão.

 

O País Relativo foi, nos primórdios dos meus passeios blogosféricos, um dos poisos em que parava e espreitava diariamente. Agora está de regresso, com alguns dos nomes da primeira leva, acrescido de mais uns quantos, parte deles também faz parte, a solo, do grupo dos meus bloggers favoritos.




 

(roubado à Helena)




 

A última vez que me tinham chamado coisas risíveis com ar sério foi há muitos anos, aquando da experiência militar. O termo fora "mancebo". Agora, passadas décadas, e depois de ter contactado com aquele delicioso termo que é "cabeça de casal" (o que pressupõe que a outra parte é o corpo, um apêndice ou um membro), vejo-me confrontado com o "chefe de família". É evidente que vou aproveitar e não deixarei que ninguém usurpe esta função ou me faça perder a oportunidade. Em casa vou começar a exigir que me tratem assim, por "chefe", impondo o tratamento correspondente. E quando tiver que me dirigir a um centro de saúde, seja com bicos de papagaio, reumatismo, senilidade ou qualquer outra mazela habitualmente associada à velhice, não irei cabisbaixo e tremeliques, não admitirei faltas de respeito por parte das funcionárias ou dos médicos. Pelo contrário, seguirei de cabeça erguida e em passo majestoso. Como convém a um chefe. Oportunamente pedirei para substituir o termo por "líder", como se usa agora.




De volta à entrevista, realizada por Anabela Mota Ribeiro ,a Maria José Morgado e Saldanha Sanches, publicada ontem na Pública. Achei-a uma delícia pela ironia e humor que transpira mas, também, pela óbvia capacidade de auto-crítica demonstrada. Se a quiserem ler na íntegra podem fazê-lo no Caminhos da Memória abaixo. Mostro a resposta final que me parece ser um bom exemplo do tom de toda a entrevista ;-).

 

Quando ela lhe apareceu de olhos pintados, gostou?
S.S. - Foi gradual. Não desgostei. Acho que nas pinturas há alguma sensualidade, e num casal tem de haver sensualidade. Mas pinta mal - como toda a gente sabe!