Quinta-feira, 02.10.08

Eu nem comento, estou cansada e vai sair asneira. Sirvam-se. E se quiserem explicar-me alguma coisa, agradeço muito.

O fim da monarquia representou "um enorme recuo a nível democrático para Portugal", defendeu hoje, numa conferência na Universidade de Lisboa, o investigador do Instituto de Ciências Sociais de Lisboa Rui Ramos (...).

Aquilo que se diz hoje da implantação da República "é o mesmo que dizer que o Estado Novo foi um tempo de liberdade e que a PIDE (polícia política) foi um grupo de rapazes simpáticos", ilustrou o orador.

Rui Ramos referiu ainda que as celebrações do aniversário da República comemoram "um regime que seria repugnante para os dias de hoje".

Questionado sobre as propostas apresentadas segunda-feira pela plataforma monárquica Centenário da República, o investigador revelou que "concorda com a proposta de alteração dos manuais de História".

 


sinto-me:


Isto vai soar a conversa demagógica, mas é exactamente o que eu sinto: o chumbo destes projectos-lei sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo (e sobretudo agora que o assunto está discutido e rediscutido até à náusea) pode ser lesivo só para os gays. Mas é ofensivo para nós todos que prezamos a ideia de viver a nossa vida privada em liberdade e sem sermos discriminados oficialmente por isso. É ofensivo para qualquer pessoa que tenha a boa educação de saber que não se mete o nariz na vida dos outros para a premiar ou punir, mesmo que não a aprovemos. E no médio/longo prazo é mesmo lesivo para todos, porque se há espaço para negar a igualdade e a liberdade a uns, há espaço potencial para as negar a todos. Como diz um pin de que gosto muito (ver supra), merecemos aquilo que aceitamos - incluindo o que aceitamos para os outros.


O Estado e a lei não deviam servir para algumas pessoas imporem os seus valores aos outros, deviam tratar toda a gente da mesma maneira perante situações idênticas. É para isso que financiamos o Estado e nos sujeitamos todos às mesmas leis - para sermos todos servidos por ele, não postos ao serviço de desígnios morais e identitários alheios. Não tenho vergonha de dizer uma coisa tão óbvia que dói? Tenho bastante. Até por isso esta situação é ofensiva. Como se falou hoje aí nas caixas de comentários, já não há pachorra para ter que continuar a explicar as mesmas coisas simples a pessoas que só podem estar a fazer-se de burras. Irra.

 

(desabafo inspirado por este outro desabafo)


sinto-me:


Em nome da solidariedade cromática e para festejar o facto de já se poder usar o blog sem demorar tudo duas horas.


sinto-me:


Considerem esta linkadela um desbafo de mãe (eu). No Cadeirão de Voltaire fala-se da confusão que tem sido o início deste ano escolar e a conclusão é straight to the point:

 

"Para quem queria construir um grupo sólido, profissional e eficiente, a Leya não se tem saído nada bem."

 

Para além de maldizer o grupo Leya já tive que me irritar com alguns senhores professores a quem a falta de bom senso deu para ameaçar que vão marcar faltas aos miúdos que não têm ainda manual. Será que estas singelas alminhas não percebem que não é responsabilidade nem dos putos nem dos pais a não existência de manuais à venda?! Ah!Não preciso acrescentar que ameaças vãs são péssima pedagogia, pois não?




«Afinal, quem é "maricas"?», é o título do texto do Miguel Vale de Almeida publicado hoje pelo Público. Como é extenso copiei-o para o baú. Morceaux choisis:

 

"Dizia eu em 2006 que, uma vez instituída a igualdade no Código Civil (processo que não custa nada, é simples e não impede a resolução de outros problemas do país), a maioria das pessoas continuará a poder optar, como hoje, entre casar ou viver em união de facto. Todas essas pessoas continuarão a poder escolher a sua forma de vida em conjunto, os direitos e deveres associados às diferentes opções, e o prestígio e valor simbólico que os seus valores a elas associem. A única diferença é que milhares dos seus concidadãos (iguais em tudo o resto, do pagamento de impostos à obediência às leis) passarão também a poder usufruir das mesmas escolhas. E nem uma ínfima porção dos direitos da maioria será posta em causa."




(cortesia da loja do melhor jornal do mundo)




Esta senhora, de nobre descendência, faz 219 anos este mês. Entre outras coisas, institui a universalidade e igualdade de direitos, e também o direito à procura da felicidade. Não é antiga o suficiente para ser inútil, infelizmente.




Vão lá ler a Shyza acerca de conservadorismo gay e casamento.