Segunda-feira, 22.09.08

Quando não me desgraço sozinha há sempre alguém que me dá uma mão. Obrigada, João, fico a dever-te esta.

 

 




 

Fuckit, elogia o meu esforço em não fazer piadinhas com a coisa, siim? (para ler a notícia na íntegra carregar na imagem)




A minha dérmica reacção a propósito de, entre outras coisas, o não respeito da privacidade dos adolescentes não é de agora e já me levou, no passado, a escrever posts por aqui. Porque vem a propósito do ataque de fel matinal, repesco um desses textos e acrescento-lhe o artigo da Pública (de 22 de Setembro de 2006) que lhe deu origem.Começo, aliás, por este:

 

"Tecnologia/Parentalidade digital Big Mother"

 

e agora as minhas cócegas

 

"Absolutamente arrepiante... é a única forma como consigo caracterizar o que acabei de ler na Pública de hoje. "Big Mother" é o título do artigo e nele se descrevem práticas parentais que me revolvem as vísceras(...)"

 

E mais uma adenda: leia-se o que Carlos Teixeira escreve aqui.




 

E insistem em pôr-me a olhar para baixo à procura de um qualquer apêndice que me esteja a crescer.

 

"A questão é que, ao contrário do homem, a mulher não é moderna, é clássica , e quer compromisso, quer família. O homem sempre foi moderno. O casamento inventou-se para o agarrar."




Tenho 2 filhos em cujas escolas já se usa o tal do cartão magnético. Dá jeito? Dá sim, a não necessidade de haver dinheiro em circulação dentro da escola dá imenso jeito por vários motivos que não vale a pena referir aqui. Tudo o resto que é referido no artigo dispenso bem. Ah! é importante salientar que o "tema" do artigo é o alargamento deste tipo de cartões a escolas de 2º e 3o ciclos, ou seja,  não estamos a falar de criancinhas pequenas, ok?

A ideia de que alguém se mostre satisfeito pela existência de um cartão que lhe permite, por exemplo, ser avisado em tempo real de uma simples balda de um filho arrepia-me. Chamem-me inconsciente se quiserem mas educar é, também, responsabilizar e responsabilizar implica dar algum espaço de manobra para pequenos disparates. Tenho sempre tentado manter uma boa comunicação com os directores de turma dos meus filhos. Porque confio neles sei que quando houver motivos para alarme (por ínfimos que sejam) serei convocada para um encontro na escola. Mas haver motivos para alarme é muito diferente de controlar todos os passos dos meus filhos. E uma balda nunca fez mais a ninguém. Sinal de inteligência e responsabilidade é saber gerir as suas próprias faltas, homessa.

Mais... que diabo de infantilização é esta de "bloquear" a compra de doces? Os pais que fazem isto não têm a menor confiança nos seus dotes de educador, só pode. Tudo isto me soa tão bizarro, tão pouco normal. Lembrei-me da minha irritação de início do ano lectivo passado quando assisti, horrorizada, ao seguinte espectáculo «ouço o presidente do CE afirmar "Eles vão para fora da escola para fumar, porque é proibido dentro do espaço escolar. Claro que nós não podemos fazer nada mas se algum pai quiser ser informado se o seu filho fuma estaremos perfeitamente disponíveis para o fazer". Uóte da fuc is diz? Estamos a falar de miúdos com mais de 15/16 anos. Onde é que estava a cabeça daquele professor para se oferecer, diligentemente, para ser bufo? Que infantilização dos adolescentes é esta? E - sooorry - que merda de pais são estes que acenam a cabeça em sinal de assentimento agradado quando alguém se oferece para espiar os seus filhos crescidos? Que vómito, pronto...»




Contrariando o que é afirmado no texto eu, que não sou pai mas sou mãe, não vejo só vantagens, bem pelo contrário.

 

"(...)António Figueiredo convoca outro aluno para uma demonstração. Naquele dia, a uma semana de terminar as aulas, o cartão de José Filipe marca 0,01 euros. E o que pode ele fazer com 0,01 euros? "Nada." Onde gastara o dinheiro?, perguntámos nós. Os pais dele não precisavam de perguntar.
José Filipe inseriu o cartão e consultou o seu horário, as suas notas, as suas faltas. Os pais, lá em casa, desde o seu computador pessoal, também podiam verificar o seu horário, conferir as suas notas, controlar as suas faltas, aferir se levantara ou não a senha para o almoço. Se os pais não quisessem que José Filipe comprasse doces no bar da escola, bastar-lhes-ia ir à secretaria dizê-lo. E o rapaz até os podia pedir, mas não poderia comprá-los porque o seu cartão recusar-se-ia a pagá-los. Os de José Filipe não o fazem, mas os de um colega com diabetes já o fizeram.
É como se o braço dos pais se esticasse até ali dentro. Se os encarregados de educação optam por autorizar a saída apenas no fim das aulas, os torniquetes virtuais dos portões, accionáveis através do cartão, barram qualquer antecipação. O aluno tem de permanecer ali dentro, em actividades de tempos livres ou em estudo, até o relógio marcar a hora certa.(...)Pais só vêem vantagens
Para já, Rui Pinho, presidente da Associação de Pais, só vê vantagens no sistema informático. "Os pais ficam mais descansados sabendo que os filhos estão dentro da escola. Já aconteceu as minhas filhas quererem sair antes da hora e eu ter de vir à escola assinar uma declaração."
O sistema até contempla uma possibilidade de aviso automático: os encarregados de educação recebem um SMS mal um filho falte a uma aula.(...)"

 

no Público de hoje (p.10)