Sábado, 13.09.08

 

 

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É esta: vi hoje, pela primeira vez, o "Vertigo" do Hitchcock. E quase sem querer, calhou passar os olhos por uma canal de cinema e estava mesmo no início. E agradeci a mim mesmo nunca o ter visto antes, porque proporcionou-me uma sessão inesquecível. Percebem o que quero dizer: se eu tivesse visto o filme aos 10 anos não teria provavelmente achado grande piada na altura e o efeito-surpresa esvaía-se. Hoje, ao repetir o visionamento, seria apenas um exercício de revisitação. A trama já estaria desvendada há muito. Assim não. Foi como se fosse pela primeira vez ao cinema e, confesso, adorei ser enganado, perder-me na trama de piscadelas e de reflexos que o senhor gordo careca vai desfiando ao longo de todo o filme. Sem a necessidade de efeitos especiais de encher o olho, milhares de figurantes, produção milionária ou qualquer outra atracção que faz o cinema de Hollywood de hoje. No final, uma sensação de saciedade. Há muito que não via um filme tão bom. Nem sei porque me estou para aqui a gabar, afinal é uma obra com meio século.

Só uma coisa me fez impressão: aquela gente da década de 50 bebia mesmo muito ou é só charme cinematográfico da época?

Ah! o título português é lindo: "a mulher que viveu duas vezes". Apetecia acrescentar: "e morreu três".

(Próxima confissão: nunca li 0s Maias)