Sexta-feira, 12.09.08

Uma delas é, sem dúvida, a cegueira ideológica. Um belíssimo exemplo desse tipo de cegueira pode ser encontrado no Atlântico, num paralelismo sem sentido nenhum saído dos neurónios do PPM.

 

Refira-se que a crítica que faço ao PPM não é motivada pelo apoio à atribuição dos tais prémios escolares de que hoje tanto se falou. Como já aqui afirmei antes tal iniciativa causa-me urticária.




 

(clicar na imagem)




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Novidade isto? Bof...Aos anos que já usamos os serviços sms ou mail do Cenopedia.




Que a ciência era coisa de esquerda, mas agora que vejo isto afirmado por dignos representantes da direita, sinto-me muito mais segura. Suponho que todas as pessoas de direita se sintam também mais esclarecidas acerca do seu papel no campo do conhecimento.




Há disparates que têm um sabor especial. Sobretudo quando quem os profere coloca um ar sábio, imaginando que está a demonstrar sabedoria e a revelar conhecimento quando, na verdade, produz alarvidade. Lembro-me sempre do longínquo ano de 1999, aquando do famoso "vírus do milénio" (que não era vírus nenhum, mas apenas o receio de anomalias nos computadores por causa da data 2000, lembram-se?), sai a terreiro o já então ministro Mariano Gago a responder a jornalistas que lhe perguntavam se não havia risco de o "vírus" afectar os computadores da administração pública (ou do ensino superior, ou lá o que era), e ele a dizer, com ar superior e levemente desdenhoso, que não, porque os computadores em causa eram antigos e, portanto, não estavam sujeitos a tal maleita modernaça. Mal sabia ele a figura de urso que estava a fazer, porque o alegado risco não era nenhum vírus e envolvia precisamente os computadores mais antigos.

Hoje, penso que na RTP-1, por causa dos funerais oficiais em Espanha das vítimas do recente acidente aéreo em Barajas (e da polémica que os envolve), lá entraram em directo com a jornalista de serviço, que fez uma rápida síntese das conclusões preliminares dos estudos às causas do acidente, que apontam para falha no sistema de alarme, que não avisou os pilotos de que os "flaps", segundo a mesma, "não estavam activados". Ainda esperei que a mocinha explicasse exactamente a coisa, mas voltou a repetir a história da "activação dos flaps". Percebi que ela não imagina o que sejam tais bichos, deve achar que são dispositivos electrónicos especiais que fazem o avião descolar e aterrar por artes mágicas. Não fosse um evento trágico e eu rir-me-ia à gargalhada. Vejo que não é só em geografia e história que os jornalistas não pescam uma. Até sobre os pobres "flaps", que são aquelas asocas picaninas na parte traseira das asas e que podem ser manobradas de modo a maximizar ou minimizar a resistência do aparelho ao ar (na aterragem e descolagem, respectiva e nomeadamente), não são capazes de fazer um brilharete e mostrar que sabem do que falam. Já há dias vi o Mário Crespo a gaguejar sobre o assunto e a conseguir sair-se airosamente sem explicar coisa nenhuma.