Segunda-feira, 01.09.08

 

 




 

Mais uma vez, através do computador, que suspirou e apagou, de repente, no sábado à tarde. Estou com capacidade blogueira limitada, portanto.




 

Pelo menos uma pessoa aqui deveria saber onde é...


sinto-me:


 

Depois do aperitivo, ora vamos lá escolher um restaurante. Hmm que tal este? Não preciso de dizer em que região fica, há sotaques típicos que não enganam. Hesito entre uma "sapatiera" e um "dressed crab", uma "caldierada" e um "fish stew", "fresh clams" (presumo que o resto não seja fresh) e "amejoas", um "borrego no forno" ou um "lamb portugeese style". Se pedir em português far-me-ão esperar 24 horas, pelos vistos. Ainda me apetece perguntar se não há "chicken piri-piri". Acho que vou mesmo escolher um "english spoken", a ver o que me sai na rifa. Ou na linha, parece que dão boas achegas.

 




 ...agora parecem-me um espectáculo um 'cadito macabro. Mais não digo.

 

 


sinto-me:


O pirolito tinha uma irmã que era a pirolita. Certo dia mãe mandou um para a escola e a outra para a mestra, aquele que chegasse a casa primeiro ganharia um bocadinho de pão com queijo. O pirolito foi o primeiro e a mãe disse-lhe: «Olha, põe além uma mesa, um alguidar debaixo e uma faca e põe-te em cima da mesa a dormir a sesta». O pirolito era bem mandado, adormeceu, a mãe matou-o e fez dele um guisado. A pirolita chegou, perguntou pelo pirolito, a mãe disse-lhe que ainda não chegara e deu-lhe o bocadinho de pão com queijo. «Vai levar o jantar ao teu pai» disse, «mas não espreites nem proves». A pirolita não era tão bem mandada, quis ver o que era o jantar, viu o pirolito e começou a chorar. A Nossa Senhora chegou e perguntou-lhe por que chorava. «Não chores, em teu pai estando a jantar há-de chamar-te para comeres também, mas tu diz-lhe que não tens vontade e, depois de ele jantar, reúne os ossinhos e deita-os para o rio». Assim fez a pirolita, então saltou do rio o pirolito cheio de laranjas e foram os dois para casa.

 

Mãe: «Pirolito, dás-me uma laranja?» - «Não, que me mataste.»

 

Pai: «Pirolito, dás-me uma laranja?» - «Não, que me comeste.»

 

Pirolita:  «Pirolito, dás-me uma laranja?» - «Toma-as lá todas, que me salvaste. A tua boca cheia de anjinhos e a minha de confeitinhos.»

 

 

Estes alentejanos são mesmo marados, sempre suspeitei.

 

Conto popular de Elvas, este não é o texto original mas é adaptado do Pirolito [p.140], Contos Populares Alentejanos Recolhidos da Tradição Oral, CEPCEP