Sexta-feira, 29.08.08

Tanto se tem falado na chegada à cinquentena de Madonna que até ficaria mal não referir que esta criatura também está a entrar na mesma década (aliás, e como foi aqui referido antes, talvez até faça mais sentido "homenageá-lo" a ele).

 

O João Lopes recordou(-me) este clip no DN de hoje (ou ontem?), tecnicamente revolucionário para a época, daí esta escolha do dia.


Michael Jackson - Black Or White
Enviado por hushhush112



... esse foi um tiro ao lado, caro Carlos Pinto ;-).

 

A prova? Aqui está ela, é requentada mas também se aplica (além disso estou de férias e com uma ligação de trampa, não dá para mais que post-its).




Reparai como se liga, num passe de mágica, a droga e os cidadãos estrangeiros à "onda de crimes violentos" (vou começar a gritar se continuo a ouvir esta frase).




Acordo com um ouvido tapado. A coisa incomoda-me. O que se faz para desentupir um ouvido numa vilória do norte da Galiza, a 600 km de casa? Vou à procura de um posto de saúde mai-la mulher da minh'alma. Lá está ele, moderno e arejado. Digo ao que venho, mas esqueci-me do cartão de saúde português no hotel. Vale a pena ir buscá-lo? "Claro, hay convenio. A xente trata, eles despois se entenden." Mas não hay problema, venho cá trazê-lo mais tarde, mesmo que não me conheçam de lado nenhum. Falem-me da burocracia espanhola.
A médica é jovial: "Portugueses? Como vieram aqui parar tão longe?" Até parece que estamos na Ossétia do Norte, mas pronto.  Espreita-me para o ouvido e diz que tenho uma inflamação. Mede-me tensão, vê-me a temperatura, pergunta-me por alergias. Quer saber se respiro bem. Começo a recear que me interne. Receita-me uns pingos e, de caminho, até mete na receita uma pomada para a mulher da minh'alma, que tem uma ferida no pé e, à portuguesa, aproveita para se queixar.

Inflamado ou não, o ouvido continua entupido, dias depois, no Porto. A coisa incomoda-me mesmo. O que se faz para desentupir um ouvido numa manhã de sábado, em Agosto, a 300 km de casa? Vai-se finalmente às urgências do Hospital de Sto António. Com sorte, não irei tirar a vez a alguém com problemas mais prementes. Parece que não – o ambiente está calmo.
Triagem rápida, pulseira verde para os casos menos urgentes. Espera curta: "Vá por ali até ao serviço de Otorrino." Corredores vazios, um segurança que indica: "Toque ali à campainha." É uma e meia da tarde.
Um funcionário de bata azul abre-me a porta com ar mal disposto e mal pago. Sem sequer olhar para mim nem para o papel que humildemente lhe estendo, rosna: "Nem à hora do almoço as pessoas deixam de vir..."

Sou atendido depois de meia hora de expiação num gabinete vazio e silencioso como uma cela de monges capuchinhos. Há dias em que me sinto a mais no meu país.