Quinta-feira, 21.08.08


sinto-me:


Eu e as leis do meu país (a última vez que reparei não era uma teocracia), já agora...

 

"O porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa considerou hoje que o novo regime jurídico do divórcio, vetado pelo Presidente da República, era “ofensivo do valor da religião"




O bom senso do Lutz é, desde sempre, marga registada e hoje o seu "salto na ciência" não é excepção.

 

Adenda de mete-nojo: apesar da tarde ter estado cinzenta estou a escrever este post ao ar livre, com uma camisolita de alças, a noite está amena e ouço grilos e cigarras.










Ó Dr. Maybe! O teu rapaz é tudo o que nos resta.




Até vem a propósito de efemérides, porque é digno de nota o esforço português no sentido da integração da Europa de leste. Mais uma medalha de prata para Portugal!




Eu, que sou o mais idoso desta espelunca, era chavalito em 1956, quando da revolta húngara. Alguém da minha família recebeu em casa um miúdo de um grupo de refugiados que para cá vieram na altura. Não sei que idade tinha, mas era mais velho do que eu, mais forte e estupidamente bruto. Batia-me por tudo e por nada, e eu ficava furioso, além de obviamente dorido.

Eu não percebia grande coisa do que se passava no mundo. Mas se os comunistas eram maus e os húngaros bons, porque é que aquela abécula me batia a mim, que não era comunista e até nem dormia a pensar que eles viessem por aí fora como tinham feito lá na terra dele?

Mais tarde, achei que se os húngaros eram todos assim avariados, não admirava que tivessem morrido tantos naqueles dias em que se atiraram para a frente dos tanques russos.

Depois, 12 anos depois, tal conclusão impressiva veio-me à mente ao ver as imagens de Praga – sobretudo a foto de um cartaz estendido nas ruas à frente dos mesmos tanques e que dizia, segundo a tradução: “Ivan, volta para casa que a tua Natasha quer fazer amor.” Atiravam-se rosas aos tanques, em vez de balas. Parece que muitos soldados russos tiveram que ser evacuados (ou o que quer que equivalesse a isso no sistema militar soviético) com crises de nervos. Mas morreu bastante menos gente em Praga 68 do que em Budapeste 56.

Mais tarde ainda, compreendi mais ainda, ao ler as histórias do “valente soldado Schveik,” de Jaroslav Hasek. Isto no fundo serve para as recomendar (foi publicada tradução portuguesa pela Europa-América, numa colecção de livros de bolso lá pelos tempos do marcelismo. Não sei se há mais edições nem me apetece ir ver).

Há poucas histórias mais deliciosas e exemplares que essas, sobre a resistência passiva da arraia miúda, de como os checos sabotaram metodicamente o esforço de guerra austro-húngaro na I Guerra Mundial, muitas vezes cumprindo simplesmente à risca as ordens absurdas que recebiam.

Isto os posts são como as cerejas.


sinto-me: Checo sem cobertura