Sexta-feira, 15.08.08

... ou de as descobrir noutra língua em que não fazia ideia que também existissem. Hoje de tarde entrei na sala a meio de um documentário na Sic Notícias (acho que se chamava "Memórias da Escravidão") e levantou-se-me a orelhinha quando ouvi "mulatoo and mulatress". Ainda não sei é se têm o mesmo significado que os equivalentes em português, também fica para amanhã quando me passar o ataque de preguiça referido anteriormente.




Não é muito comum encontrarem-se, na imprensa portuguesa, artigos com certos temas, razão que me leva a trazer para aqui o que descobri hoje numa revista ( que me era até agora desconhecida, a Gingko), "Homens Feministas" de Isabel Freire. Não é nada de muito elaborado ou profundo mas tem o mérito de pôr vozes masculinas a assumirem-se como feministas. São três os homens que testemunham, Miguel Cardina, João Manuel Oliveira e Pedro Ferreira. Os dois primeiros têm, ainda por cima, a característica não despicienda de serem bloggers, o Miguel no Caminhos da Memória e o João no Uma Certa Enciclopédia Chinesa. Podem descobrir o que dizem no baú do costume (encontram uma colagem própria de uma criança de 1ª classe, foi a forma que arranjei de não tornar a coisa muito pesada e, além do mais, estou com uma belo ataque de preguiça, pode ser que amanhã ponha tudo bonitinho).

 

Repararão que, a certa altura, e citando o João, são referidos os nomes de dois homens pioneiros no feminismo, Condorcet e Stuart Mill. Uma das evidentes vantagens da net é permitir a ligação imediata, seria, por isso, estúpido da minha parte se não aproveitasse o mote para recomendar outras leituras. Por exemplo o texto clássico de Stuart Mill The Subjection of Women. Condorcet... bem, Condorcet - já o confessei antes e renovo a confissão -  é um dos meus heróis!




* agora num quartinho só seu




...não vem com merdas cretinas como esta. O lançador português Marco Fortes foi eliminado, a explicação pelo próprio: "isto de manhã é muito complicado, a manhã para mim é para estar na caminha..."

 

É difícil?




(Já alguma vez vos confessei que nunca entenderei a tara por Madonna que atinge tantos e tantas? Esta merda é só mais uma das inúmeras canções da criatura próxima do vómito)




Acabámos de ter aqui um momento de criação culinária, eu e a minha amiga Yana. É um prato de cozinha de fusão/conceptual. Um acepipe apropriado para um dia de festa, como o de hoje. Deixamos aqui a receita:

 

CHAMUÇAS DE M

 

ingredientes:

(para 4 pessoas)

Duas mortalhas

0,5gr de MDMA

1 costela monhé (prescindível na aparência; na verdade, só nós é que conseguimos fazer isto bem)

 

confecção

prepare o MDMA, esmagando-o num prato com o auxílio de um ou dois cartões de plástico; divida-o em quatro partes iguais. Dobre as mortalhas ao meio e rasgue de modo a ficar com quatro metades quadradas, que deverá vincar um pouco de modo a formar uma cova, como um pequeno cesto. Ponha dentro de cada um destes barquilhos uma das doses de MDMA que já preparou. Junte os quatro ângulos de cada quadrado, de modo a fechar o MDMA no seu interior, e faça uma dobra das pontas em rotação de 90º, formando uma espécie de triângulo rechonchudo. Volte a dobrar o que restar de pontas de papel de modo a aperfeiçoar o triângulo isósceles, e ficam prontas as suas chamuças de m. Ingerir com bastante líquido, para evitar engasgamento ou rupturas do papel antes de chegar ao estômago, que podem provocar um sabor desagradável. 

 

Sit back and enjoy.

 

Preço: médio

Dificuldade: baixa

Tempo: preparação 5-10 minutos; tempo de espera padrão 20-40 minutos.


sinto-me: quite well


Até enjoa a previsibilidade - e o horrível redesenhar das alianças imperiais.




Dinis:

Já vi que este blogue, infelizmente, tem amigos. O que um blogue destes precisa é de leitores. Ora os amigos são condescentes e resvalam para a parvoeira (não é parvoice, ah), já os leitores costumam ser mais sinceros. Como leitor é meu estrito dever informar vossas excelências que este novo layout ou lá como se chama, é uma CAGADA. Ou se quiserem, mudaram de uma casa arrumadinha e confortável para um condomínio piroso (se bem que com arquitectura assinada) Pronto. Ah! esqueci-me de dizer que o condomínio vai dar problemas, não sei se já repararam mas ás vezes toca-se à campainha aqui da casa nova e não dá nada. Só ruido.

 

FuckItAll, a anarco-comunista-feminista (i'll never take this out again):

Dinis, obrigada, comentários dessa sinceridade costumam ser bem mais hostis e/ou deseducados. Ainda por cima, tem toda a razão, é muito agradável ser elogiado mas é bom prestar muita atenção às más críticas, ao contrário do que alguns autores defendem. Como castigo por ter tanta razão, e ainda por cima ter começado com uma frase tão feliz, agora vai ter uma resposta a sério.

Eu até percebo a sua reacção. Em boa verdade, partilho dela, também me sinto incomodada com o ruído do novo layout. Quase agredida. A grande diferença entre nós é que eu acho esse incómodo ou agressão algo de bom - de fértil. Já explico.

Outra parte de mim está deliciada esteticamente, e pela sensibilidade do Pedro Neves para exprimir numa imagem visual o espírito deste blog - porque esta é o que se pode chamar, sem medo de errar, "a nossa cara". Dizer-nos que este blog lhe fazia sempre lembrar uma parede do Bairro Alto foi, ao mesmo tempo, o melhor elogio, quanto a mim, que já nos fizeram e o comentário mais insightful acerca do ambiente mental que nos junta aqui aos três+dois. Um golpe baixo, em suma. Ele é que nos topa. Com o mérito acrescido de ter mobilizado uma referência cultural com sentidos e associações de ideias partilháveis por quase toda a gente que aqui anda. Eu chamo a isto fazer arte.

Emoções à parte, quando racionalizo isto esta foi, sem dúvida, uma boa mudança. Primeiro, eu apreciava esse nosso outro nível de ambiguidade, de equívoco, que era o facto dos dois layouts anteriores darem uma imagem calma e organizada deste, como alguém tão bem disse, bordel. Mas esta é, claramente, a apresentação visual mais honesta. Quem entrar fica a saber onde entrou. Num albergue espanhol. E num com muito poucas regras de funcionamento. Eu, que sou, sem ironia nenhuma, pessoa básica e antiquada e ainda acho a verdade e a lealdade coisas importantes (acabo de destruir toda a coolness que me pudesse restar), vivo muito confortável com isto. Perde o meu lado intelectualóide e cultureta, ganho eu sensação de correcção. Não se pode ter tudo.

Para compensar o lado intelectualóide e cultureta desse revés, apraz-me pensar que sem incómodo não há pensamento nem criação. Esta nossa má esquina é um lugar muito mais adequado à ascese. Sim, acabo de usar a palavra "ascese" para me referir a estas longas páginas de piadolas mais ou menos brejeiras, refrega político/cultural e pura e simples patetice (ou parvoíce, como bem diz). Cada um tem a ascese que merece e espero ter deste modo estimulado o vosso sentido do absurdo. A nossa ascese é vomitar numa esquina má do Bairro Alto. But I digress.

Voltando à vaca fria, e por fim: uma mudança é sempre uma coisa boa. Mantém-nos acordados. Ponto.

Para terminar, só posso dizer-lhe que respeito inteiramente e desde já o seu direito de não mudar um milímetro na sua má opinião. Se lhe apetecer, mesmo assim, ir aparecendo aqui na tasca para dois dedos de conversa, pode ser que o mau ambiente se lhe torne familar, pelo menos. E é muito bem vindo. Aliás, peço-lhe: venha ao menos de vez em quando lembrar-nos de como nos acha cretinos. Outra coisa que em doses sustentáveis só faz bem.

 

Já tivemos oportunidade de dizer que o Pedro, além de ser, como se vê, tecnicamente muito bom e criativo, is a people person? A paciência dele connosco foi uma exibição vergonhosa de profissionalismo a lidar com o "cliente", além de uma simpatia e boa-onda impecáveis.

Obrigada, nunca me teria dado ao trabalho de organizar estas razões de outra forma. Pareço um sociólogo francês. Acho que tenho que ir à parede outra vez.

 

(conversa tirada desta caixa de comentários)