Sábado, 02.08.08

Nem consigo qualificar bem o reles Post Scriptum* do editorial de hoje no Público saído da pena de José Manuel Fernandes. Enquanto penso no assunto deixo-vos com a frase, curta mas incisiva, de Miguel Vale de Almeida.

 

Tanta frontalidade, e nem o nome da “colunista” - obviamente Fernanda Câncio - é referido…

 

É feio, é deselegante e, digo eu, é muito pouco ético. Afinal um jornalista deve identificar o tema de que fala e de quem fala, não?

 

* podem lê-lo num dos comentários assinados pela Fernanda aqui (no post que, aliás, transcreve a crónica que deu origem ao ataque de fúria de JMF).

 

P.S. - Começo a suspeitar que deve ser filosofia do jornal, relembro que ainda há dias Rui Ramos fez o mesmo tipo de exercício com o Rui Tavares.

 

 




"Mas uma coisa de nível, não são cá brejeirices, isso não é para mim.", escreveu, aí em baixo, a Fuckit de All. A gente sabe como tu és, ó Boris de trazer por casa.

 

 


Boris Vian - Je suis snob -
Colocado por chantalounette



Da ronda matinal pelos jornais houve uma crónica que se destacou, não propriamente pelo tema em si (porque nem acho particularmente interessantes - apesar de frequentemente risíveis - discursos do estilo "os homens isto e as mulheres aquilo") mas pela óbvia inspiração "haddockiana"* que atingiu Pedro Mexia com resultados dignos de serem apreciados. A crónica de hoje no P2 (p.5) gira em torno de um "imperativo categórico" que comandará a acção da metade masculina heterossexual da humanidade e que se traduz por uma "solidariedade heterossexual" fundamentada na máxima "Um homem nunca põe obstáculos aos desejos carnais de outro homem com uma mulher, excepto se for pai ou filho ou pretendente.". Ou seja, "Se um homem está interessado numa mulher, os outros homens têm a obrigação moral de o ajudar. Isso implica que dêem informações, números de telefone, que facilitem encontros, inventem desculpas, que emprestem o telemóvel e o automóvel. Um homem que não faça isto comete traição masculina.". Adiante... quem não siga a cartilha é, no dizer do autor, um empata e mais informa-nos que "(...)não há categoria moral mais repugnante que o empata.". Agora que já têm o contexto descrito vamos à parte que interesssa, aquela em que Pedro Mexia demonstra que, entre outras influências que transparecem,  Hergé foi uma das suas leituras infantis ou juvenis e deixou marca. Ora reparem (bolds meus):

 

«Há uns tempos perguntei a um cidadão alguns dados sobre uma rapariga que conheci. O meu tom foi cordato e casto. A curiosidade talvez mate o gato, mas também lhe dá vida, e eu estava mais curioso que um gato curioso. E daí não vinha mal nenhum. O próprio cardeal Ratzinger me teria fornecido informações sobre a miúda, tivesse ela sido sua aluna em Tubinga. Mas este camarada não estava pelos ajustes. Que não, que não podia, não sei quê, a deontologia e o catarino, que não estava em condições de, que nunca se permitiria. Não sei como é que ele reagiria se o aliciassem para um desfalque ou uma limpeza étnica, mas não imagino um discurso mais beato e sisudo. Estava ali, à minha frente, um exemplar raro, tipo lince da Malcata, do empata.
Este posterga-coitos achava que era a barragem de Cahora Bassa da moralidade alheia. O Catão de Campolide. Aquilo que o próprio Kant (não exactamente um folgazão) reconheceria ser um dever ético básico, este atrasa-cópulas recusava com cara de caso. Não estava nas suas competências exercer a solidariedade masculina, ainda que na sua versão mais superficial. Imediatamente se tornava um poço de virtude, um dique de decência, um enjoado, um Savonarola de Sacavém. Este obstaculiza-amplexos cuspia em milhares de anos de luta pela decência ética, cuspia nas Declarações dos Direitos do Homem e na pursuit of happiness americana. Diz-se que o próprio Moisés trazia uma décima primeira tábua que estipulava o imortal "não empatarás", mas parece que a deixou cair entre uma sarça e dois arbustos, que a vegetação no Antigo Testamento era um bocado madrasta.
O empata fazia tábua rasa de uma civilização que assentou sempre na solidariedade masculina, um dos últimos portos de abrigo neste mundo cão. Disse que não, que não devia, que não se permitia, o pedaço de asno, a bestiaga, calcando aos pés uma das mais belas criações do espírito humano que é a fraternidade entre um homem e outro homem. Empata da pior espécie, idiota chapado, doutor Mengele da amizade, ele não foi capaz daqueles mínimos olímpicos do "é tudo o que sei, espero que te safes", este empata dos empatas, este catastrófico castrado, sacristão dos desejos dos outros, Bokassa da decência humana

 

* leitura recomendada:  o artigo da wikipedia dedicado ao vocabulário do Capitão Haddock




Então está bem, fico para aqui a ouvir umas músicas. Mas uma coisa de nível, não são cá brejeirices, isso não é para mim.




Ainda venho postar mais esta convidada regular aqui no vosso blog. Womenage, um chat feito mesmo à vossa image. Acho que ainda nunca consegui ver isto sem ficar de lágrimas nos olhos. Daí estarem sempre a papar com esta (e se não estão, deviam e eu estou a falhar aqui). Abraço.




...deixo cá já aqui a dosezinha para a manhã dominical, sim? Abram só amanhã, nada de espreitar os embrulhos antes d'O Momento. Prometo que vou tentar vir de qualquer maneira, a não ser que esteja tão cansadinha e tão carregadinha de dores que não seja tarefa à medida das minhas forças, que assim se vão deteriorando de dia para dia. Mas se eu não aparecer não se peocupem. Preciso apenas de uns diazinhos de repouso, e isto vai entrar tudo nos eixos. Estou sempre convosco em espírito, e com muitas muitas saudades,

 

Vossa do coração,

FuckIt de All





Olá, dormiram bem? O fim de semana, como vai correndo?, sossegadito, hum? Então gooood-morning, womenage!

 


sinto-me: in a good, if tired, mood.