Quarta-feira, 30.07.08

Um belo naco de prosa, o do Tiago Galvão no Atlântico hoje (quase merece perdão por ter deixado finar o Diário, aka o Pif-Paf da coluna dos meus blogs preferidos aí ao lado).




Alguém viu o "Nós por cá" do noticiário da SIC de ontem? Não era nenhum caso bizarro (bem, por acaso até era, assim mais ou menos), uma rotunda com uma cabine telefónica no meio ou um poste eléctrico no meio da autoestrada. O assunto apresentado era até relativamente banal, se bem que demonstrativo de excesso de zelo, como é regra em tantos casos: um tipo que teve que pagar coimas municipais, acumuladas ao valor de 300 euros, por licenças em falta e sei lá o que mais, por causa do seu cão. Só que o bicho morreu há 9 anos e ele não deu baixa do facto. No meio da entrevista da praxe e da explicação oficial, eis a pérola: a SIC contactou a entidade autárquica responsável (a Junta de Freguesia de S. Sebastião, em Setúbal) a pedir um comentário sobre o caso. O Digmo. Presidente, Carlos Jorge de Almeida, respondeu por carta. Uma jóia rara. Ei-la:

 

"Falar de S. Sebastião, 4ª ou 5ª maior freguesia de Portugal, num meio comunicacional como é a televisão, tocando no infortuito caso do cidadão bem-intencionado mas que desconhece a lei e que não sabe que é preciso declarar o óbito de um animal é, perdoai a sinceridade, revelar fragilíssimo interesse por estes mais de 60.000 cidadãos, por uma história de quase 5 séculos, pelos seus habitantes em tantos e tantos bairros sociais, pela sua nobre riqueza multicultural, pelo seu Movimento Associativo e Popular, pelo berço de Bocage e leito do sono eterno de José Afonso. (...)" De seguida, o autarca manifesta-se sempre ao dispôr "para falar dos nossos problemas sociais, da maravilhosa multiculturalidade das nossas gentes, dos nossos agentes sociais, educativos e económicos, da nossa relação com o tecido social, do berço que somos do crescimento da cidade, que poderá ser o 'miolo' do desenvolvimento sócio-cultural da grande região polinucleada e cidade de duas margens que é a Área Metropolitana de Lisboa, por sua vez motor do desenvolvimento económico e social do país. (...)" E acrescenta ainda que está à disposição "sem menosprezo pelo assunto do nosso freguês", para poder "dar testemunho dos sonhos, problemas e vivências" da sua terra. Por fim, convidou a SIC para as Festas Populares de S. Sebastião e para a procissão fluvial de Nª Sraª do Rosário de Tróia (como "convidados especiais"). Ora digam lá se o homem não está no posto errado?




Aposto que falharam todos.

 

(gracias, Don Nuno)




Há muito, muito tempo resolvi trazer aqui para o womenage esta pergunta retórica que sempre me pareceu ter resposta evidente, sendo esta, claro,  a célebre tirada do outro quando apontava para o quadro. Tinha-me esquecido que dia de mamografia é dia de renegar todas as minhas convicções sobre o tema. Quando a senhora que me fazia o servicinho (senhora? torcionária, torcionária) me tentava distrair, contando-me que havia mamas que nem cabiam na plaquita onde é suposto "radiarem-nos", só lhe consegui dizer,  de lágrimas nos olhos, provocadas pela dor do apertão,"Que inveja, ao menos essas têm o que apertar, não devem ter esta sensação de nos estarem a apertar e a sugar a alma".

 

P.S. - A quarentena tem muita graça mas tem estas partes gagas, de mamografias periódicas e o raio, que são deveras aborrecidas.