Terça-feira, 29.07.08

À Dª Ester, que aprecia, e ao John Zorn a caminho de estar por cá.

 

 

Adenda: Para o Jorge e outros saudosistas, Chuckie Egg e muito mais...




Copio o post na íntegra, como gostei de o ler. Grande Rititi.

 

"Parida de um mês e com o criatura arrotada e deitada no berço de ferro forjado, sento-me, já sem pontos e com cinco quilos a mais alojados nas mamas, cintura e ancas, no terraço da casa dos meus pais, com vistas para a planície alentejana e o portátil sobre as pernas. E penso, agora que nada se me pendura da mama, que coisa, pá, esta da maternidade, que puta de volta que me deu a vida, e que bonito que me saiu o cabrão do gaiato, mas essa é outra historia. E, já agora, que engraçado, que ainda continuo à espera desse suposto halo de grandeza que dá a maternidade e que supostamente nos faz mais altas, mais espertas e até mais sensíveis e que, no tal suposto, nos eleva a uma outra categoria de gente superior, a das mães, grupo que se arroga em genérico, por causa da tal coisa da dor do parto, o amor incondicional e de ouvir o choro da criança a três quilómetros de distância e sem intercomunicador. E eu, que já passei por aí e que até tenho leite para alimentar uma escola primaria da Africa Negra e que acordo cada três horas todas as noites desde que pari, em verdade vos digo, meus irmãos, que se há um clube da maternidade a mim não me convidaram e se o fizeram eu não quero ser aceite. Porque a tão sovada maternidade é um estado de espírito, sim, mas que eu tenho só com o meu filho, que me une a ele e a mais ninguém, já seja este ninguém as leitoras da revista pais e filhos ou as senhoras que empurram carrinhos de bebé no Retiro, com quem eu, felizmente, não tenho nem quero ter nada a ver. Esta coisa da maternidade, digo, não só não me une ao resto das mulheres, nem me eleva, nem me dá direitos especiais que tantas doidas acham que têm só por ter parido, como o de dar bitaites sem autorização ou até a falar com uma estúpida e desnecessária arrogância cada vez que se dirigem ao resto das gajas que não querem, ou se calhar não podem, ter filhos, e até às que mesmo sendo mães nem sabemos tudo nem nos importamos de o dizer em público. A maternidade tira-nos todas as certezas, e maluca da gaja que disser o contrário. Que se desenganem as patetas, ser mãe não nos dá direito a escrever sobre nós em maiúsculas, mas claro, gente doida há em todo o lado."




O texto de João Ubaldo Ribeiro postado pelo Filipe Moura, acerca das controvérsias na altura das comemorações dos 500 anos do Brasil.




"Ao aderir ao projecto de Recolha de Óleos Alimentares Usados não só evita a poluição da água como está a transformar o óleo em Biodiesel, uma fonte renovável de energia que reduz as emissões de CO2. Além disso, cada litro de óleo será transformado num donativo para ajudar a AMI na luta contra a exclusão social em Portugal."

 

Aqui está a lista de entidades aderentes a quem entregar os óleos, podem pedir materiais para divulgação da campanha e existe um número gratuito para restaurantes ou outras entidades que queiram aderir (800 299 300).




O mundo dá muita volta. Agora chego de férias, decido regressar ao blog e não é que vejo que já há versões pimba do womenage e tudo? Sim, dessas mesmo. Melhor dizendo, pimba-melga, pobres em inspiração (e no resto, já agora) e que, portanto, vivem do que os outros escrevem. Chupa-se um sonzinho aqui, um riff ali, uma ideiazinha acolá, muda-se o aspecto, cola-se com uma escarreta, hop!, está feito. O resultado está aqui. A história, vai já a seguir.

Foi ontem que uma das minhas partnaires (ahh tigreza, sempre alerta! alerta! às armas!) topou com isto. Um shaker do meu post das mosquinhas com um comentário da FuckIt. A gente ainda se riu. Ainda por cima, alguém nos disse, por email, que identificou a autora. Como eu não levo tudo isto demasiado a brincar, deixei lá um comentário. Nada demais, apenas uma beliscadela, merecida. Um puxãozinho de orelhas. Porque é feio, desonesto, desleal, copiar o trabalho alheio, ainda que se trate de um post disparatado sobre represálias e campanhas de terror sobre moscas domésticas.

E preparava-me, ontem, para ir dormir o sono dos justos, quando me apareceu o arcanjo Gabriel e me preveniu de que a menina que fizera a brincadeira, para além de sonsa, preguiçosa e desonesta, é também mal-educada, e que iria retirar o post sem, sequer, dizer "ups, apanhaste-me". É assim, quando se é apanhado a meter a mão no boião das bolachas, não se pede desculpa, vira-se as costas e faz-se de conta que não foi nada. Se alguém perguntar, diz-se que é mentira. Isto, desculpem a franqueza, fiz eu aí pelos meus 5 anos. Não aos 31, como tem (ou diz que tem) a TT. Portanto, gravei o dito post, o tal que misturava o Sun Tzu da Shyz com as minhas moscas e o comentário da Fuckit. Ei-lo, em todo o seu esplendor de plágio. Agora vou emoldurá-lo e guardá-lo, que há-de valer alguma coisa, um dia, na Feira da Ladra.

Hoje, ao abrir o dito blog, a "arte da guerra" desapareceu. Se o querubim não me tivesse prevenido, perdia-se, para memória futura. Agora está lá um post a dizer "não esquecer: cumprir sempre aquilo que prometo". Espero que a TT tenha prometido a si própria "não voltarei a plagiar posts alheios". Eu acrescento que lhe faz muito bem, porque os neurónios morrem se não forem exercitados e ainda lhe devem restar alguns. Se não, bah! eu quero lá saber!




Quando, há 2 ou 3 dias,os jornais anunciaram a morte de Randy Paush lembrei-me da "Última Palestra", que vi há meses logo quando alastrou na web, e lembrei-me também da impressão mais forte com que tinha ficado aquando do primeiro visionamento, ou seja, que a morte a prazo pode ser vivida de forma construtiva pelo sentenciado mas não o é - ou pelo menos raramente o é - por quem o rodeia. As lágrimas da mulher, quando lhe cantam o "Happy Birthday" e que contrastam com a (aparente?) normalidade com que Randy Paush vai falando,  são disso exemplo. Se calhar vou generalizar abusivamente, porque me fio nas minhas observações de realidades próximas, mas arrisco a dizer que uma família que vive com um "condenado" é uma família com uma espécie de vida suspensa (coisas pequenas e insignificantes como, por exemplo,  o destino das férias tornam-se dilemas existenciais profundíssimos). E depois há a estranheza de se começar a fazer o luto de alguém que ainda vive...

 

p.s. - o Público tem um pequeno clip com um excerto da palestra legendado




Tudo a tomar banho de mar de fato completo é que era.

 

Vale a pena ler o comentário da Marta Rebelo a este respeito.