Sábado, 12.07.08

Ao pôr os olhos no "Quando a bomba é uma mulher" senti-me, de imediato, compelida a pegar no polémico livro de Elisabeth Badinter, O Caminho Errado (a que já fiz referência anteriormente), e a copiar um pequeno excerto com grande potencial de promover metitações.

 

"Na verdade, a violência feminina é difícil de pensar não só por razões ideológicas - a violência talvez não tenha sexo - mas porque põe em perigo a ideia que as mulheres fazem de si mesmas. Quando a filósofa Monique Canto-Sperber se espanta com o facto de uma palestiniana ter podido ser ´kamikaze´, ela considera quatro razões possíveis para a sua inquietação:«Será porque o horror de uma morte em que alguém se faz explodir é ainda mais insuportável quando a vítima é uma mulher? Será porque [isso]supõe uma violência indiferenciada relativamente aos outros e a si própria que tenho dificuldade em imaginar numa mulher? Será porque imagino que pode existir mais compaixão numa mulher que num homem pelo sofrimento concreto das suas vítimas? Ou será porque acho as mulheres mais realistas, menos sujeitas ao fanatismo, à embriaguez das causas?»

 

Elisabeth Badinter, O Caminho Errado, p.55 (as afirmações de Monique Canto-Sperber a que Badinter alude podem ser encontradas no Libération de 2 de Fevereiro de 2002, isto, claro, para quem tiver acesso ao arquivo do Libé).