Quarta-feira, 02.07.08

... ao ler esta notícia sobre a entrevista de Manuela Ferreira Leite de ontem (que não vi). Abstenho-me de  opinar sobre as declarações especificamente relacionadas com o casamento homossexual (presumo que todos sabem que se me pusesse a falar sobre elas este post tornar-se-ia digno do mercado do Bolhão), apetece-me ficar só um bocadinho a olhar "enlevada" para a ligação automática que a senhora faz entre família e casamento. Em que mundo é que esta senhora vive? Que gentinha é esta a quem parece não passar pela cabeça que o conceito de família engloba uma série infindável de variações?

 

Adenda:


COMUNICADO DA ILGA-PORTUGAL 

(...)
 

Ficámos assim a saber que:

 

1. Porque não é “suficientemente retrógrada”, MFL “não é contra as ligações homossexuais”. É um enorme alívio saber que MFL as “aceita”, até porque a alternativa seria reinstituir a criminalização da homossexualidade que acabou em 1982. Como pode MFL julgar que ainda é possível sequer pôr isto em questão?

 

2. MFL, que se apresenta como conhecedora de aspectos fiscais, parece ignorar que a Lei de Uniões de Facto de 2001 - que abrange casais de pessoas do mesmo sexo - concede exactamente o mesmo estatuto fiscal a unid@s de facto e a cônjuges, pelo que as famílias constituídas por casais de pessoas do mesmo sexo já usufruem das referidas “medidas fiscais”. Ou será MFL contra o que foi instituído em 2001?

 

3. MFL parece julgar que existe uma única família a promover. Esperamos que se aperceba rapidamente de que existem muitas famílias em Portugal, e que se tem como objectivo que o seu partido se apresente como uma alternativa de governo terá que contar com o apoio de muitas delas. Seria também importante compreender que o casamento não implica procriação e que a procriação não implica casamento. Ou será que, na mesma linha de raciocínio, pensa proibir o casamento para heterossexuais infertéis?

 

 4. Quanto à ideia de que gays e lésbicas viriam sujar a instituição do casamento, sendo por isso fundamental que “não lhe chame o mesmo nome”, sugerimos uma alternativa a MFL. Quando se alargou o casamento a escravos, porque estes viriam sujar o nome do casamento, optou-se por um nome diferente: “contubérnio”. Como MFL partilha esta ideia de que, tal como os escravos, lésbicas e gays não são cidadãs e cidadãos de pleno direito, o nome do casamento para escravos será talvez o que melhor se adequa à sua visão do mundo. Poderia assim manter o insulto a gays e lésbicas, como parece pretender - e será um nome mais económico do que “outra coisa qualquer”, que parece ser a sua sugestão.

 

5. MFL ignora sobretudo a Constituição da República Portuguesa que proíbe explicitamente a discriminação com base na orientação sexual desde 2004. Aliás, a revisão do artigo 13º (Princípio da Igualdade) fez-se com os votos favoráveis do PSD. Para proteger cidadãs lésbicas e cidadãos gay, e precisamente porque há quem pense que gays e lésbicas são “diferentes”, a Constituição proíbe a discriminação. Não é possível manter por isso um apartheid legal como o que MFL defende.

 

A imagem de rigor e de seriedade que MFL tenta fazer passar não se coaduna com a ignorância de todos estes aspectos. A imagem de alternativa política para o país que MFL tenta construir também não se coaduna com a promoção da desigualdade, ao arrepio dos movimentos que atravessam os países mais desenvolvidos, a começar pela vizinha Espanha. É esta a agenda de transformação que MFL tem para o país? Sobretudo, a discriminação e o insulto não são aceitáveis em democracia.

As declarações de MFL vêm provar uma vez mais que fracturante não é a reivindicação de igualdade; fracturante é a discriminação - e que é urgente eliminar as fracturas que a própria lei continua a impor.

Dado que o PSD não parece querer fazê-lo sob a liderança de MFL, a Associação ILGA Portugal - Intervenção Lésbica, Gay, Bissexual e Transgénero espera que os restantes partidos clarifiquem se apoiam a discriminação ou, se pelo contrário, querem promover sem reservas a igualdade.

 

Lisboa, 2 de Julho de 2008

A Direcção e o Grupo de Intervenção Política da Associação ILGA Portugal




Como para além de não conseguir comentar também não consigo editar os posts, transformo esta adenda em novo post sobre o infeliz vídeo de Sarkozy. Não vou tecer mais comentários, limito-me a aconselhar-vos a leitura do Zèd , está lá tudo explicadinho*. E ainda têm como bónus esta fantástica informação:


France 3 (televisão pública, relembre-se, controlada pelo estado) quem ameaça o Rue89 (orgão de informação independente) com um processo judicial por divulgar as imagens que deviam ser em "off". Esta é nova, um orgão de informação que processa outro orgão de informação para tentar obter as suas fontes, e impedir a divulgação da notícia)

 

(*Pedro, assim ficas com os teus problemas com a francofonia resolvidos. Como contrapartida ainda te levo aí a porra deste pc para q me expliques que porcaria de incompatibilidade tem ele com os blogs sapianos).





Sarkozy en off sur France 3
Colocado por rue89
 

Não é a primeira vez que aqui declaro que este tipo de imagens, captadas em off, e respectiva divulgação me merece algumas reservas. A última vez que o fiz foi a propósito da divulgação de uma conversa entre a Minitra da Justiça francesa e a jornalista que a iria entrevistar de seguida, com quem tinha relações de amizade, logo a converseta captada era, claramente, uma invasão da privacidade de duas amigas. Aqui o caso é bastante diferente e as minhas reservas são muito atenuadas. Ressalvado isto... a figurinha é mesmo triste, convenhamos.

(discussão sore o tema pode ser vista aqui)




Não tenho a certeza de não ter já dito isto no ano passado mas gosto tanto desta inovação que, mesmo se for tema repetido, não faz mal: as matrículas automáticas nas escolas dos putos (todas? so I hope...) são-me tão simpáticas. Dá vontade de perguntar porque diabo não existem há décadas. Para quê aquelas horas de "ir comprar impressos" e, depois, noutro dia, ir perder tempo numa fila à espera que chegasse a nossa vez  de entregar os papeluchos? O mais elementar bom senso diz-nos que durante a escolaridade obrigatória não há nada que saber, depois de um ano vem outro, com o mesmo aluno... se a escola já tem todas as informações necessárias sobre ele no processo para quê repetições?



Shyznogud às 10:33
editado por Jonas às 10:57
juntar-se ao pagode

Estou amuada! Acontece-me sempre isto quando não me deixam falar e é isso que está a acontecer porque não consigo comentar o que por aqui se vai escrevendo. Assuntos tão importantes como os velhos pintores estão  passar-me ao lado.