Quinta-feira, 31.07.08




Porque num grupo constituído apenas por homens já não é novidade surgir uma conversa sobre depilação, veja-se as pernas da malta das bicicletas, por exemplo, a minha questão é só uma e sempre a mesma:

 

"A que latitude parar?"




Assim...




O que acham que tem o Cavaco de tão importante para nos dizer?

 

(aproveitem agora, não é logo a ouvi-lo que nos vamos divertir, de certeza)

 

Actualização: XOOO, acabou, perderam todos, vão s'embora. As nossas hipóteses eram muito mais giras, mas ele lá sabe, se julga que vai fazer carreira a ser assim um chato toda a vida...


sinto-me: a tremer de expectativa


A anedota mais antiga em registo.




 

 

* your words ;-)




Estava em casa da minha irmã, olhando displicentemente para o noticiário enquanto esperávamos a companhia para o jantar, quando ouvi as inacreditáveis palavras da juíza Ana Gabriela Freitas que me fizeram, entre outras coisas, abrir a boca de espanto. Preparava-me para qualificar as mesmas agora mas acabei de descobrir que outros, mais lestos que eu, já o tinham feito e muito bem. O Rui Bebiano e o Daniel Oliveira são uns desses outros.

 

* palavras tornadas blogosfericamente célebres por Pacheco Pereira mas que se devem a Sá de Miranda

 

Glosando o tema recomenda-se passeio netístico que pode ser iniciado na página Untermensch da Wikipedia

 

 

Actualização: aparentemente as notícias sobre as declarações da juíza no caso em questão não corresponderão inteiramente à verdade (""Anula-se a notícia com o título "Juíza de Felgueiras diz que ciganos são 'marginais e traiçoeiros'" (8103044), de 30 de Julho de 2008, por o seu conteúdo não corresponder inteiramente aos factos narrados no acórdão".). A ser assim é grave, muito grave,  para o jornalismo português. Já agora se alguém arranjar forma de ter acesso ao acórdão a "malta" agradecia.







Quarta-feira, 30.07.08

Um belo naco de prosa, o do Tiago Galvão no Atlântico hoje (quase merece perdão por ter deixado finar o Diário, aka o Pif-Paf da coluna dos meus blogs preferidos aí ao lado).




Alguém viu o "Nós por cá" do noticiário da SIC de ontem? Não era nenhum caso bizarro (bem, por acaso até era, assim mais ou menos), uma rotunda com uma cabine telefónica no meio ou um poste eléctrico no meio da autoestrada. O assunto apresentado era até relativamente banal, se bem que demonstrativo de excesso de zelo, como é regra em tantos casos: um tipo que teve que pagar coimas municipais, acumuladas ao valor de 300 euros, por licenças em falta e sei lá o que mais, por causa do seu cão. Só que o bicho morreu há 9 anos e ele não deu baixa do facto. No meio da entrevista da praxe e da explicação oficial, eis a pérola: a SIC contactou a entidade autárquica responsável (a Junta de Freguesia de S. Sebastião, em Setúbal) a pedir um comentário sobre o caso. O Digmo. Presidente, Carlos Jorge de Almeida, respondeu por carta. Uma jóia rara. Ei-la:

 

"Falar de S. Sebastião, 4ª ou 5ª maior freguesia de Portugal, num meio comunicacional como é a televisão, tocando no infortuito caso do cidadão bem-intencionado mas que desconhece a lei e que não sabe que é preciso declarar o óbito de um animal é, perdoai a sinceridade, revelar fragilíssimo interesse por estes mais de 60.000 cidadãos, por uma história de quase 5 séculos, pelos seus habitantes em tantos e tantos bairros sociais, pela sua nobre riqueza multicultural, pelo seu Movimento Associativo e Popular, pelo berço de Bocage e leito do sono eterno de José Afonso. (...)" De seguida, o autarca manifesta-se sempre ao dispôr "para falar dos nossos problemas sociais, da maravilhosa multiculturalidade das nossas gentes, dos nossos agentes sociais, educativos e económicos, da nossa relação com o tecido social, do berço que somos do crescimento da cidade, que poderá ser o 'miolo' do desenvolvimento sócio-cultural da grande região polinucleada e cidade de duas margens que é a Área Metropolitana de Lisboa, por sua vez motor do desenvolvimento económico e social do país. (...)" E acrescenta ainda que está à disposição "sem menosprezo pelo assunto do nosso freguês", para poder "dar testemunho dos sonhos, problemas e vivências" da sua terra. Por fim, convidou a SIC para as Festas Populares de S. Sebastião e para a procissão fluvial de Nª Sraª do Rosário de Tróia (como "convidados especiais"). Ora digam lá se o homem não está no posto errado?




Aposto que falharam todos.

 

(gracias, Don Nuno)




Há muito, muito tempo resolvi trazer aqui para o womenage esta pergunta retórica que sempre me pareceu ter resposta evidente, sendo esta, claro,  a célebre tirada do outro quando apontava para o quadro. Tinha-me esquecido que dia de mamografia é dia de renegar todas as minhas convicções sobre o tema. Quando a senhora que me fazia o servicinho (senhora? torcionária, torcionária) me tentava distrair, contando-me que havia mamas que nem cabiam na plaquita onde é suposto "radiarem-nos", só lhe consegui dizer,  de lágrimas nos olhos, provocadas pela dor do apertão,"Que inveja, ao menos essas têm o que apertar, não devem ter esta sensação de nos estarem a apertar e a sugar a alma".

 

P.S. - A quarentena tem muita graça mas tem estas partes gagas, de mamografias periódicas e o raio, que são deveras aborrecidas.




Terça-feira, 29.07.08

À Dª Ester, que aprecia, e ao John Zorn a caminho de estar por cá.

 

 

Adenda: Para o Jorge e outros saudosistas, Chuckie Egg e muito mais...




Copio o post na íntegra, como gostei de o ler. Grande Rititi.

 

"Parida de um mês e com o criatura arrotada e deitada no berço de ferro forjado, sento-me, já sem pontos e com cinco quilos a mais alojados nas mamas, cintura e ancas, no terraço da casa dos meus pais, com vistas para a planície alentejana e o portátil sobre as pernas. E penso, agora que nada se me pendura da mama, que coisa, pá, esta da maternidade, que puta de volta que me deu a vida, e que bonito que me saiu o cabrão do gaiato, mas essa é outra historia. E, já agora, que engraçado, que ainda continuo à espera desse suposto halo de grandeza que dá a maternidade e que supostamente nos faz mais altas, mais espertas e até mais sensíveis e que, no tal suposto, nos eleva a uma outra categoria de gente superior, a das mães, grupo que se arroga em genérico, por causa da tal coisa da dor do parto, o amor incondicional e de ouvir o choro da criança a três quilómetros de distância e sem intercomunicador. E eu, que já passei por aí e que até tenho leite para alimentar uma escola primaria da Africa Negra e que acordo cada três horas todas as noites desde que pari, em verdade vos digo, meus irmãos, que se há um clube da maternidade a mim não me convidaram e se o fizeram eu não quero ser aceite. Porque a tão sovada maternidade é um estado de espírito, sim, mas que eu tenho só com o meu filho, que me une a ele e a mais ninguém, já seja este ninguém as leitoras da revista pais e filhos ou as senhoras que empurram carrinhos de bebé no Retiro, com quem eu, felizmente, não tenho nem quero ter nada a ver. Esta coisa da maternidade, digo, não só não me une ao resto das mulheres, nem me eleva, nem me dá direitos especiais que tantas doidas acham que têm só por ter parido, como o de dar bitaites sem autorização ou até a falar com uma estúpida e desnecessária arrogância cada vez que se dirigem ao resto das gajas que não querem, ou se calhar não podem, ter filhos, e até às que mesmo sendo mães nem sabemos tudo nem nos importamos de o dizer em público. A maternidade tira-nos todas as certezas, e maluca da gaja que disser o contrário. Que se desenganem as patetas, ser mãe não nos dá direito a escrever sobre nós em maiúsculas, mas claro, gente doida há em todo o lado."




O texto de João Ubaldo Ribeiro postado pelo Filipe Moura, acerca das controvérsias na altura das comemorações dos 500 anos do Brasil.