Sexta-feira, 02.05.08

Se calhar é de mim, do meu mau-feitio e conservadorismo, mas isto que aqui se defende parece-me um belo exemplo de tudo o que está errado em termos de atitudes parentais.

 

Ia dizer que isto não era  uma reacção ao post anterior da Shyza; não foi de facto por isso, mas até vem a propósito. Esta é uma das tais heranças perversas, o horror à autoridade mesmo onde ela não pode deixar de estar presente: porque autoridade (tal como autoria) quer dizer assumir responsabilidades, e quando somos pais de crianças pequenas vejo com dificuldade que possamos eximir-nos a isso. 


sinto-me: mãe autoritária & proud of it




Na Visão História (nova revista lançada há dois dias) Manuel Villaverde Cabral discorre sobre Maio de 68 "Como uma grande revolução cultural, o Maio francês de 1968 foi também político, mas só no sentido em que, para os participantes do movimento, a política fazia parte da vida. Não visavam, porém, o Poder. É impossível saber se conseguiriam conquistá-lo; talvez não; mas nunca fizeram menção disso e, quando lhes foi acenada uma alternativa partidária, no célebre comício de 27 de Maio no Estádio da Cidade Universitária, com a presença de políticos profissionais como Mendès- France e Miterrand, recusaram-na categoricamente pela voz de Daniel Cohn-Bendit.
Foi essa a radical inocência de Maio de 68 como movimento irrepetível. Foi esse o seu êxito e o seu limite, simultâneos, como momento mais alto de uma vaga de assalto internacional que não queria o Poder, mas que nem por isso – ou talvez por isso – deixou de mudar o mundo. E não o queria porque a natureza do movimento era, antes de mais, antiautoritária.(...)"

Há uns dias o Rui Bebiano referiu, entre outras coisas, a "abrangência" da herança de Maio, relembrando os argumentos de José Luis Pardo, "«Primeiro, porque existem coisas provenientes de 68 que ninguém deseja herdar (como os grupos terroristas); segundo, porque a nova direita é muito mais ‘sessenta-e-oitista’ do que confessa: é-o na sua aversão à ordem jurídica e à regulação estatal, no seu culto da identidade ou na substituição da discussão política pelos valores morais; e, finalmente, porque se alguém tivesse então falado do casamento homossexual, das quotas de género ou da conciliação entre o trabalho e a família - justamente quando se previa a abolição concertada do casal, dos géneros, do trabalho e da própria família -, teria sido perseguido sem piedade como um reaccionário dos mais recalcitrantes.".

Duvido muito que a Dominique Grange, a voz que a seguir se vai ouvir, agradasse esta visão das "heranças trocadas" que o Rui apontou ;-).

boomp3.com


Que me fatigam de morte os paleios que, sistematicamente, menosprezam, criticam e diminuem essa entidade curiosa que dá pelo nome de juventude não é novo para ninguém que por aqui passe. Foi pois com agrado que li "O jovem, esse desconhecido" do João Pinto e Castro.