Quinta-feira, 24.04.08



Estava a ler "Os desculpadeiros", crónica do João Bonifácio sobre aquelas pessoas que a torto e a direito usam a palavra "Desculpe" e tive um acesso de auto-análise. Não sofro do síndrome desculpadeiro mas sofro de outro que me faz, paradoxalmente, passar por mal-educada. Tenho a mania de agradecer tudo (bem, há piores neste antro, a FIA por exemplo, está sempre com um "sorry" na boca e só não falo do Cenas para não lhe lesar a imagem de intratável), o que não parece ser coisa má, certo? O problema é que o meu inconsciente me prega rasteiras tramadas. Quando estou perante uma situação que mereça agradecimentos, faço-os mesmo se eles me são devidos a mim. Imaginemos, por exemplo, que alguém me pergunta as horas no meio da rua... não só lhas digo como, instintivamente, se não ouvir um "Obrigado" imediato o digo eu. Naturalmente que isso só pode ser tomado pela outra pessoa como "Olha esta cabra a insinuar que sou mal-agradecido", não é? Mas há situações ainda mais constrangedoras de tão ridículas que são. Aqui há uns tempos fui parada por um polícia por estar a falar ao telemóvel. "Mostre-me os seus documentos" e patatí, e patatá... "Aqui tem a multa" que... agradeci! Nem vos conto o que fui gozada por quem me acompanhava no carro...