Quarta-feira, 30.04.08

Amanhã podem começar os festejos um bocadinho mais cedo:

 

O MayDay é uma parada de precári@s que vem marcando o 1º de Maio em várias cidades por esse mundo fora, desde da estreia em 2001, em Milão. Depois da primeira edição no ano passado, o MayDay Lisboa está de volta!


sinto-me: precária



Há melhor forma de ilustrar a crónica de Batista-Bastos de hoje no DN* que relembrar Carlos Drummond de Andrade e, também, a "Flor da Idade" de Chico Buarque?

* Começa assim: Cavaco despreza Santana, que deprecia Pacheco, que desdenha Menezes, que odeia Rio, que apouca Santana, que detesta Pacheco, que menospreza Menezes, que desconsidera Marcelo, que destrata Patinha, que desaprecia Borges, que caustica Santana, que aborrece Mendes, que desvaloriza Pacheco, que atazana Santana, que rebaixa Leite, que desabona Menezes, Mendes, Santana, Patinha, Aguiar, e todos os outros restantes; e todos os outros restantes abominam os anteriores.(...)





… um cartaz histórico.

Adenda: uma emissão, também ela histórica, do “2000 Ans D’Histoire”, emitida no passado dia 21 de Março, na France Inter.


 


boomp3.com (em stereo)



Terça-feira, 29.04.08
O João Pinto e Castro pergunta "Que estudo leu Cavaco?" como inspiração do seu discurso catastrofista do 25 de Abril e, muito sucintamente, refere algumas das conclusões a que chegou o tão falado estudo. A dúvida do João é muito pertinente, como se pode perceber passando os olhos pelo texto/fonte ( transcrevi a conclusão para aqui, lê-se bem, são só duas páginas).

Como adenda leia-se, também, o "Leitura obrigatória para cavaco-catastrofistas" do Luis Rainha.




É com a descrição desta cena que começa a, muito aconselhável, crónica do Rui Tavares de ontem. Crónica em que o Rui interpela VPV autor da seguinte pérola, «“O 25 de Abril”, Vasco Pulido Valente [VPV] garante-nos que “tirando as leis que instituíram a democracia, o PREC não deixou uma única reforma necessária e durável”.»



Segunda-feira, 28.04.08
Muitos estarão lembrados do bizarro (para não lhe chamar outra coisa) episódio ocorrido com o E Deus Criou a Mulher, no blogspot, que se viu confrontado com um porteiro moralista à entrada, que se apresentava assim enfarpelado:



Se nessa altura me ia caindo o queixo agora caiu-me de vez ao reparar que o mesmo tratamento estava a ser dado à (quase) cândida menina limão. Parece que ela tem uma estratégia qualquer para tentar remediar a situação para a qual precisa de ajuda. Façam o favor de ser simpáticos e dêem lá um saltinho.




According to German mathematician and astronomer Johannes Kepler, his theory was that the Universe was created on April 27th 4977 BC.




Acte-Gratuit - Le Site Qui N’Aime Pas Gide (Ni Sartre) vale muito a pena explorar (os vídeos, em especial).

(em stereo)


Domingo, 27.04.08


... apresentada por Agnès Giard, que começa lindamente "An 33 : un Palestinien appelé Jésus, surnommé Christ, se fait flageller par des soldats, devenant ainsi l’icône du châtiment corporel dans la culture occidentale." e que refere também o surgimento da WHAP, nos anos 90, a minha escolha para ilustrar este post ( "Women wHo Administer Punishment) est la plus célèbre de ces revues spécialisées dans «les femmes qui appliquent la correction». Elles n'appliquent pas que la correction d'ailleurs, mais aussi des soufflets, des flagellations et des châtiments corporels en tous genres... Partant du principe qu'il faut battre son mari quand il est chaud, WHAP, véritable «guide de la femme moderne pour atteindre la félicité matrimoniale», se présente comme un manuel pour les novices du sévice : on y apprend à manier la cravache d'une main de maîtresse, et surtout à assoir son autorité sur le postérieur des mâles ! Ils ne demandent que ça, à en croire l'édito :«Frappez votre homme. Vos ongles rouges s'accordent si bien avec la couleur de son derrière !»").



Sexta-feira, 25.04.08
O Portugal de 2008 é melhor do que o Portugal de 1974? É sim senhor. Vive-se melhor? Claro que vive. Mas o que tem o 25 de Abril a ver com isso? Se calhar, muito menos do que a euforia comemoracionista sugere.
A responsabilidade da melhoria não cabe só a um golpe de Estado que há 34 anos, como escreveu o António Pinto Leite (na altura em que ainda escrevia com graça), nasceu numa manhã de Abril “dos amores entre uma velha senhora e um capitão mal pago.”
Se o 25 de Abril não acontecesse, como estaríamos hoje? Provavelmente, não muito diferentes do que estamos. Qualquer outra coisa teria feito o trabalho de nos trazer até cá – outro golpe noutra data, ou qualquer outra forma de o regime desabar e/ou se transformar. Nada nos garante que não pudéssemos estar até melhores - embora, sabendo do que a casa gasta, eu não acredite muito nisso.
Nenhum país vive isolado, e muito menos na Europa ocidental, mesmo que no seu extremo mais periférico. O mundo muda, o mundo mudou, e Portugal teria que mudar com ele, com ou sem 25 de Abril.
Não foi a democracia portuguesa que inventou os computadores, a televisão por satélite, o telemóvel, a Internet, a evolução tecnológica em geral. Nem se imagina que o regime concentracionário português da altura pudesse resistir a tudo isso  – como não resistiu o regime soviético, quinze anos mais tarde. Não se imagina que pudesse também resistir ao movimento de integração europeia, à pressão internacional, ao que quer que acontecesse no resto do mundo, a começar pela Espanha aqui logo à porta. Isto não é a Coreia do Norte.
É legítimo (e desejável) não esquecer o que era Portugal há 35, 40 anos – a miséria, a ausência de liberdade, a guerra em África. Mas o 25 de Abril, mais do que a causa primeira, foi um elo (importante, mas um elo) na cadeia de causas que fez de Portugal aquilo que, bom ou mau, ele é hoje. A maioria delas nem sequer foi da nossa responsabilidade. E se não houvesse 25 de Abril, a cadeia seria emendada por outra coisa qualquer.
Portugal vive melhor hoje porque o mundo (pelo menos a parte do mundo em que Portugal se insere) vive melhor hoje do que há 34 anos. Se o mundo tivesse “piorado” entretanto, Portugal teria piorado com ele. E nenhum 25 de Abril nos salvaria.
Dito isto, lembremo-lo. Não pelo que fez de nós, mas pelo que mostrou de nós. Pelo que representou de coragem de uns e cobardia de outros, pelo que ensina da política, da guerra, da história, da condição humana. Quanto mais não seja (e não há muito mais para ser) os que o fizeram merecem-no.

sinto-me: materialista histórico (!?)



(desde a meia-noite a tentar postar isto... tirando a imagem final, parece-me bem)
sinto-me: revo


"lembrem-se como foi", da Fernanda Câncio, no Cinco Dias

Às vezes apetece-me agarrar em certas pessoas e levá-las numa viagem no tempo. Há filmes para isso, e até séries de TV - do Conta-me como Foi aos domingos na RTP1 à Guerra, o espantoso documento de Joaquim Furtado sobre a guerra colonial que está de novo a ser transmitido pela RTP2. Mas sei que não funcionam. Nem funcionaria, sequer, uma viagem aos anos pré-1974. Se nem a memória funciona para quem os experimentou, como esperar que alguma coisa funcione?(...)





Terminei a série com um excerto de um texto do Alfredo Caldeira sobre os "Murais de Abril". Como terão reparado os que a seguiram houve sempre som a acompanhar as imagens, aqui e agora também não podia falta... um trashzito do dia:
boomp3.com


Quinta-feira, 24.04.08



Estava a ler "Os desculpadeiros", crónica do João Bonifácio sobre aquelas pessoas que a torto e a direito usam a palavra "Desculpe" e tive um acesso de auto-análise. Não sofro do síndrome desculpadeiro mas sofro de outro que me faz, paradoxalmente, passar por mal-educada. Tenho a mania de agradecer tudo (bem, há piores neste antro, a FIA por exemplo, está sempre com um "sorry" na boca e só não falo do Cenas para não lhe lesar a imagem de intratável), o que não parece ser coisa má, certo? O problema é que o meu inconsciente me prega rasteiras tramadas. Quando estou perante uma situação que mereça agradecimentos, faço-os mesmo se eles me são devidos a mim. Imaginemos, por exemplo, que alguém me pergunta as horas no meio da rua... não só lhas digo como, instintivamente, se não ouvir um "Obrigado" imediato o digo eu. Naturalmente que isso só pode ser tomado pela outra pessoa como "Olha esta cabra a insinuar que sou mal-agradecido", não é? Mas há situações ainda mais constrangedoras de tão ridículas que são. Aqui há uns tempos fui parada por um polícia por estar a falar ao telemóvel. "Mostre-me os seus documentos" e patatí, e patatá... "Aqui tem a multa" que... agradeci! Nem vos conto o que fui gozada por quem me acompanhava no carro...