Terça-feira, 25.03.08
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sinto-me: alimentícia




Apesar de ter tido muito contacto com este mundo (ser irmã de um fanático tem destas vantagens) não me lembrava desta, do Luvas Pretas, que o Filipe Nunes Vicente recordou, "Querem ópera? Vão ao São Carlos!".



...é a campanha «Mortes na estada - Vamos travar este drama» da ANSR, com frases destas: "Nesta Páscoa, não morra na estrada! Chegue vivo a casa de quem mais gosta...", não vá chegar morto.




 

Não uma, não duas, não três, mas quatro ou cinco vezes ao longo do texto...


sinto-me: um caça-gralhas


...longe da sem-vergonha que é a música actual.

 

Esta é um quizz: há por aí versados em alemão que saibam ler esta pauta? E adivinhar quem a compôs? A resposta fica aqui.

 


Leck mich
sinto-me: melómana


                      
Passagem do tempo  pela capital da Eslovénia. Depois eu é que sou ordinário.



Esta já vai atrasada. Mas antes tarde que nunca. Li, na Sábado de há duas semanas (nº 201), a entrevista/reportagem sobre José Rodrigues dos Santos. Fiquei devidamente informado sobre o dia-a-dia do cavalheiro. E a lição que nos dá a todos: "sou o escritor que mais vende em Portugal. Nos últimos quatro anos, já vendi acima de meio milhão de livros".

Estou longe de pensar que o sucesso deva ser motivo de modéstia, E muito menos de falsa modéstia. Mas mantenho a minha reserva: vender muito não significa ser-se um bom escritor. O síndrome Margarida Rebelo Pinto não me sai da cabeça. Enfim, adiante. Penso, porém, que quem vende tanto livro bem que poderia ser mais comedido a confessar certas coisas, porque não é sinal de coragem, mas sim de irresponsabilidade.

José Rodrigues dos Santos não recicla o seu lixo. Ou o come ao pequeno-almoço, ou simplesmente não está para isso. "Na parte que lhe cabe, poupa água. Mas pouco mais. Reciclagem? Pois, isso não. Nem vidro, nem plástico, nem papel? Nada? «Não, não faço. Sou uma pessoa normal». Muitas pessoas normais reciclam. «A média do cidadão não recicla o lixo. É muito complicado. Um saco é azul, outro é não sei o quê, aquilo é uma confusão»" (pág. 97).

Lembrei-me logo dos tempos em que célebres cromos milionários vangloriavam-se de declarar o ordenado mínimo no IRS. Hoje piam todos mais fino porque o fisco não dá tréguas. Chegará um dia em que a poluição será encarada a sério e estes meninos preguiçosos, balofos e irresponsáveis terão vergonha de dizer chalaças destas e começarão a fazer o que espero se torne "normal" rapidamente. Se for preciso meter o fisco, a ASAE ou a imprensa ao barulho, que se meta. Até lá, alguém deveria ensinar a estes filhos da abundância, da irresponsabilidade e do desperdício o que é um vidrão, um embalão, um papelão, um oleão, um electrão. Verde, amarelo, azul, laranja, vermelho. Tudo com cores diferentes para evitar raciocínios complicados que, já se sabe, estes intelectuais têm os neurónios ocupados nas tramas dos romances que escrevem. E se alguém um dia lhe encher a casa com o lixo que ele próprio produz e o afogar no entulho de que não cuida, no desperdício que não separa e cujo destino não quer saber, ninguém levará a mal por isso.






(clicar na imagem)



Vitor Malheiros escreve, no Público de hoje, sobre a mais que lamentável confissão pública de adultério do novo governador de Nova Iorque. Todo o texto merece ser lido mas a sua conclusão diz quase tudo (só não subscrevo a utilização da palavra coragem):

(...)O segredo não é uma característica do vergonhoso como defendem os inquisidores, mas um direito e uma condição da liberdade. Não é que tenhamos o direito de não responder a estas perguntas. Temos o direito de não ser interrogados sobre elas. Temos direito a que ninguém (na esfera pública) nos pergunte se dormimos com outra mulher ou outro homem. E temos o direito e o dever de combater o totalitarismo. O gesto de Patterson exigiu coragem, mas foi também um gesto de concessão ao que de mais venenoso existe nas nossas democracias. Se todos os políticos admitirem esta intromissão na sua vida privada, se admitirem aos rivais, aos media e aos vizinhos este escrutínio da sua esfera íntima, que valores defenderão? E que garantias nos dão de que irão defender as nossas liberdades, quando chegar a nossa vez?