Quarta-feira, 20.02.08
E olhem que isto não é acerca de fetos!


Sabem que eu gosto muito de utopias?


Carpenter rules! They live!


Convém não esquecer que cheias na região de Lisboa (tal como fogos de verão em grande parte do país) são uma inevitabilidade natural. Estou para aqui a escrever coisas óbvias mas ao ler/ouvir o que por aí se diz parece-me que isto não é evidente para a maioria. Minorar os efeitos dessas inevitabilidades, e controlá-los mais eficazmente, é fundamental, mas não existe risco O.

Adenda 1: Acabei de descobrir que o maradona se dedica a este tema e ,numa postura deveras pedagógica que só lhe fica bem, tenta explicar the facts of life a Helena Matos "(...)"Durante algumas horas choveu e imediatamente passámos da gravíssima seca para o problema das cheias.". Helena Matos, muito evidentemente, não sabe a verdade que esta frase contém. Helena Matos, como todo o caralhinho de articulista que se preze, sai logo dali para uma visão do país e uma introspeção à alma do povo português. Há anos e anos que ando a ler aspirantes a eças de queiroz, uma pessoa aborrece-se.(...)"

Adenda 2: passar os olhos no comunicado do IM sobre o que se passou na noite de 17 para 18 de Fevereiro é capaz de ser boa ideia "(...)Os valores da quantidade de precipitação registados no dia 18 de Fevereiro de 2008 (das 09 UTC do dia 17 às 09 UTC do dia 18) nas estações meteorológicas de Lisboa/Geofísico e Lisboa/Gago Coutinho, ultrapassaram os anteriores máximos registados, o que atesta do carácter excepcional do fenómeno.Em Lisboa/Geofísico, considerando a série de totais diários, com 145 anos (desde 1864) o valor agora registado, 118 mm, constitui um novo extremo absoluto desta estação(...)". Se tivermos em conta que, por exemplo, em Odivelas o valor foi quase de 160mm e compararmos os efeitos das cheias de agora com as de 1983 (são as que me lembro melhor, em 67 era demasiado jovem) nesse concelho penso que poderemos ter alguma esperança, as coisas melhoraram a olhos vistos.

Adenda 3: tudo isto não obsta a que se considerem completamente disparatas as declarações do Ministro do Ambiente desvalorizando os problemas óbvios de ordenamento e planeamento do território. Ah! Mas as autarquias que não se armem em virgens ofendidas, pl'amor de deus.



Na Visão da passada quinta-feira dei com uma notícia, aparentemente menor, que me fez levantar a orelhinha, começando logo pelo título que dizia "Arruaceiros não entram". Na referida notícia dava-se conta do sucesso comercial de um pequeno aparelho criado por um inventor britânico que, e cito, "impede a entrada de jovens em espaços comerciais. O Mosquito é instalado à porta das lojas e emite uma frequência sonora irritante, só audível por pessoas com menos de 20 anos". Ao ler esta frase tive vontade de encontrar uma explicação fisiológica mas para tal tem-me faltado, não o engenho e arte, mas o tempo e a pachorra. Adiante que não é isto o mais importante. O que me interessa mais é a colagem que se faz entre o termo "arruaceiro" e "adolescente" (não da lavra do jornalista que redigiu a notícia, mas do mentor do projecto, um tal Howard Stapleton) e que me fez pensar neste vídeo que o Daniel Oliveira colocou no Arrastão há uns dias....
...Porquê? Porque me parece que, para além de um caso de prepotência policial óbvia, a actuação do polícia tem muito que ver com um profundíssimo desrespeito, muito generalizado, pela "adolescência" enquanto "grupo sociológico" (curiosa e paradoxalmente há domínios em que se eleva esse mesmo grupo a um patamar quase intocável, mas isso são outros 500). Declaração de interesses: gosto de adolescentes, gosto de os ver dominados por utopias, gosto da rebeldia que os caracteriza e que, curiosamente, é temperada por uma seriedade muito própria. Falam alto (o que é uma vantagem não negligenciável, permite-me ouvir o que dizem sem passar por uma cusca execrável), andam em bandos barulhentos e fazem disparates. So what? Faz parte dessa coisa muito divertida que se chama crescer. Irrita-me o partis pris com que são olhados pela maioria das pessoas, que parece estar esquecidas do gozo que dá passar por inconsciente.