Terça-feira, 19.02.08
da ciência, onde cada grande vitória é sempre uma grande derrota.


"I wish you a lucky life with your dream animal."

 

E agora vou trabalhar, que a minha vida não é isto.







Já resolveste o desafio?

 

srfaisca


Não ouvi a maior parte da entrevista do Primeiro Ministro à SIC, ontem. Mas apanhei o bocadinho em que ele disse que a questão da sua recandidatura a novo mandato não se colocava, para já. Bom. Hoje verifiquei, no coro da imprensa matinal, que aquilo que as palavras são objecto do rótulo-maravilha dos jornalista portugueses: tabu. Os jornalistas têm uma relação verdadeiramente fetichista com esta palavra. Não na sua real acepção. Na outra. You know what I mean. Há coisas que não se discutem na sociedade portuguesa. Querem exemplos? A eficácia do combate à droga; a corrupção; os 10% da população que vive na pobreza; aquilo que já mencionei aqui: quem são os bandidos do BCP, as caras escarrapachadas nos noticiários, e porque é que ainda não foram presos; enfim.

Não. O que os nossos media gostam não é disto. É dos tabus. Dá um ar de mistério, de proibido, de tentação irresistível, oh de pecado, como aquele anúncio do padre a confessar comedores (as) de iogurte, a que ele próprio não resiste. De sexo, em suma. "Primeiro Ministro não discute recandidatura" é uma pobre manchete. "Primeiro Ministro tem novo tabu" é tiragem assegurada. Não tem nada a ver com sexo, mas no imaginário nacional, tem. Aliás, é um dos problemas da oposição: não têm tabus, são uns desbocados. Arranjasse o Menezes um tabuzito à maneira e subiria imediatamente nas sondagens.

Um Primeiro Ministro tem que os ter. E se não os tem, inventam-se.

Em 2005 era o tabu dos impostos. Mais recentemente houve um tabu sobre o referendo a Tratado de Lisboa e também se mencionou essa palavra aquando da Cimeira Europa-África. Cavaco SIlva também teve os dele. Um político tem que falar de tudo. Mesmo que não queira, mesmo que não possa, mesmo que não lhe apeteça. Se não fala, é um tabu. Está criado o tabu. Não é sagrado, não é proibido, não revela respeito para não ofender, não tem qualquer significado religioso. Quer dizer, apenas, que fugiu ao assunto. É o tabu à portuguesa.




Já só falta uma das mães e, pela determinação com que o autor do mail escreve, a outra não deve tardar. Assim sendo não posso deixar de recomendar ao maradona a leitura dos valiosos conselhos do dr. maybe que pode encontrar aqui na tasca, tenho a certeza que lhe poderão vir a ser muito úteis.



Começa com um zumbido aborrecido mas que do qual depressa nos alienamos, movimentos circulares do queixo ao alto da cabeça e um monte de cabelos se vai formando em jornais (preferencialmente) no chão. É provável que a técnica também resulte a partir de latitudes mais baixas (e isto levanta muito levemente o véu sobre a verdadeira questão dos champôs 2-in-1) embora nunca o tenha tentado por falta de densidade capilar que justifique.

 

Porque os lanifícios não são a minha indústria e por causa das bocas que por aí circulam lá me dignei a cortar o cabelo (aproveitei para aparar também a barba). É impressionante, quase deu um saco do Jumbo, dos pequenos, bem atado.

 

Uma coisa que tenho tendência a esquecer, muito devido à pouca regularidade destes rituais de desbaste, é quão sensível uma cabeça menos protegida de guedelha pode ser quando afagada, especialmente por dedos delicados de outra pessoa.

 

Há ainda uns utensílios interessantes para esses estímulos, vendem-se por aí, parecem batedores de bolos escangalhados. Tenho um e é coisa quase maléfica do arrepio doce que proporciona. É-o de tal forma que tem de estar longe do olhar e das mãos de visitas que decerto, experimentando, com ele se vão deleitar de forma quase obscena, agora um na cabeça do outro, aquele na cabeça deste e o deboche não pára...


sinto-me: fresco