Terça-feira, 12.02.08

...o 345 846 312º pôr-do-sol da história da fotografia.
(Alentejo, sábado)



 

Começou a corrida à nova ponte. Primeiro era Chelas-Barreiro e Beato-Montijo. Hoje ouvi que há, pelo menos, mais três propostas, uma Algés-Trafaria, uma Alverca-Alcochete e, até, uma Olaias-Montijo. É a proposta de um senhor major reformado, que disse à televisão que é o projecto o ideal porque liga mesmo o centro de Lisboa. Uma maravilha, pensei eu, uma ponte a debitar 100 automóveis por minuto à hora de ponta mesmo, mesmo no centro da cidade que, como toda a gente sabe, está sempre vazio. Pensei um bocadinho e achei que o melhor era mesmo construir uma ponte no prolongamento da Rua Augusta. Onde iria dar, se Almada, se o Barreiro ou a Baixa da Banheira, não importa. Era indiferente. O importante é que abastecia devidamente a Baixa e a cidade daquilo que ela carece mais, ou seja, automóveis.

No fim, achei que estava a ser injusto. O melhor era mesmo fazer todas, e ligadas. Uma rede ferro-rodoviária no meio do Tejo, com rotundas, semáforos, sentidos únicos, estações de serviço, estacionamentos pagos, obras e buracos, e portagens, muitas portagens. Resolvia-se a crise do desemprego e poupavam o país a discussões estéreis. Boa?




Logo pela manhã encontrei no Mar Salgado  referência a um vídeo que Pedro Caeiro teria encontrado no Pastoral Portuguesa que o teria encontrado no The Daily Dish. Agora, na ronda da noite e enquanto o esparguete não coze, vou encontrar a mesma referência, e o mesmo percurso, no Arrastão. Começo a desesperar porque sou uma curiosa compulsiva e de cada vez que carrego no play em qualquer um dos blogs é esta a rameira da "resposta" que tenho:



Bolas, não há por aí alguém que tenha um link alternativo para se conseguir ver a coisa?



"Pesadelo conservador, aka Normalidade", pelo Pedro Fontanela no InBetween (a que cheguei via o Penates Publici, do Héliocptero)   Um cheirinho:

«Same-sex couples are as committed and happy in their romantic relationships as heterosexual couples, find two studies in the January issue of the journalDevelopmental Psychology.
The authors of the studies say their findings challenge the stereotype that same-sex relationships aren't as healthy or secure as heterosexual pairings. (...)".

Adenda: porque a homossexualidade é também o tema recomendo a leitura do artigo do Público (espanhol) "Los 30 supervivientes gays de la persecución franquista" (a que cheguei através da Joana Lopes).



... sim, tu, Cenas, afinal consegues ou não ajudar o António P.?

P.S. - Eu não sonhei, pois não, há umas horas atrás estava aqui um pôr do sol que ninguém via, ceeerto? Qué dele?


Agora é o Zero de Conduta que se transformou em sapo (hum? há aqui um paradoxo qualquer, nas histórias infantis o objectivo é sempre abandonar o estatuto do batráquio). Só que eles são mais simpáticos que, por exemplo, a gente, transportam-nos directamente para "outra dimensão" (ai que twilightzone que isto soa).



Helena Matos escreve hoje sobre o ensino em Portugal de uma forma muito crítica (o que não é novo). Há imenso por onde pegar quando se aborda o tema sem haver necessidade de se distorcer a realidade. Quando afirma "Ontem mesmo li, num destes manuais, um texto sobre o sistema circulatório que se limitava a adaptar uma prosa da revista Superinteressante. Era fraquinho o texto, mas mesmo assim entendia-se. Propósito inatingível em matérias como a História, onde um qualquer impulso jacobino proíbe que se ensine o passado diacronicamente. Interdito que está saber o nome dos reis, as criancinhas portuguesas debitam, em escassos meses, uma espécie de cavalgada heróica sobre as classes sociais e as alterações dos meios de produção que vai do terramoto de 1755 ao 25 de Abril de 1974." (Público, p.43)só posso concluir que não fez os trabalhos de casa, é que se há coisa que se privilegia no ensino da História neste momento é a perspectiva diacrónica e, passe a repetição,  se há coisa que os putos agora fazem bem, logo desde o 4º ano de escolaridade, é o papaguear do nome (e cognome, já agora) dos reis de Portugal. Qualquer pai ou mãe de uma criança deste país a partir dos 9 anos pode facilmente constatar este facto. Para quê, então, usar argumentos que não correspondem à verdade se há tantos outros que são válidos? Porque é um mais eficaz soundbyte usar-se a expressão "impulso jacobino"?Tem mais força como "papão"?



Estou com a ligeira sensação que esta também é uma reedição, mas não me apetece confirmar (estou preguiçosa, dormi pouco) e, além disso, é promessa solene feita perante várias testemunhas. Ora ... o que prometo cumpro! (onde é que já ouvi isto, hum?)





À porta de um bar em Valencia de Alcantara, Espanha. "Se permite fumar." Um bar, ao acaso. São tantos como aqueles em que é proibido - ou, talvez, até mais. É assim por toda a Espanha.
Horas antes, em Portugal, eu fumei clandestinamente num quarto de hotel, porque os donos, para cumprirem a lei, proibiram o fumo em todos os quartos. a partir de 1 de Janeiro.
Se o hotel quisesse preservar todos os seus quartos da contaminação do fumo, era livre de o fazer, e eu só tinha que o aceitar. Mas a proibição devia-se apenas à nova lei, a qual não sei se os obrigava a isso. Um quarto de hotel é um espaço que eu alugo para nele ter a minha privacidade. Enquanto eu lá estou, não é um "espaço público."
Mas somos assim. A lei manda? Tá bem, eu não quero é chatices. Temos este complexo de bons alunos - mas só quando o professor está a ver, ou pode aparecer a qualquer momento. Dobramos a cerviz em frente da autoridade, e somos mais papistas que o próprio Papa. Somos um país de gente bem comportada - não por respeito pela lei lei e pela polícia, mas por medo delas. Como o Zé Povinho que nos retrata, só lhes fazemos manguitos quando estão de costas.