Quarta-feira, 30.01.08
A pedido de variadíssimas famílias, e prestando um serviço público que esta espelunca também tem o dever de cumprir, aqui deixamos a receita de queques de chocolate que o mundo tanto aguarda:

- 350 g de chocolate negro (nada de ajavardar, que tem de ser do bom. Há uns com 70% de cacau).
- 150 g de açúcar fino.
- 4 ovos.
- 50 g de farinha sem fermento.
- 50g de manteiga.
- Uma pitada de sal.

Untar as formas. Derreter o chocolate em banho-maria e deixar arrefecer um pouco.
Bater a manteiga com o açúcar e acrescentar um ovo de cada vez, batendo muito bem entre cada ovo (com a batedeira. Ninguém é obrigado a trabalhos forçados).
Juntar a pitada de sal (muito pouco) e, seguidamente, envolver a farinha peneirada. (Não bater! Envolver com a colher de pau! - sim, de pau, e que se foda a ASAE).

A seguir: juntar o chocolate, envolvendo com a dita colher.
Verter para as formas e levar ao forno, que já deve estar aquecido a 200º. E deixar cozer durante 10 a 12 minutos.

Nota: devem comer-se sobre o quente, acompanhados com uma colherinha de natas pouco açucaradas, ou com gelado das mesmas - entre outras variantes igualmente pecaminosas.

Agora alambazem-se.

Ass: Junu e Mouro da Linha



"Democratic candidate John Edwards has decided to drop out of the presidential primary race, giving a speech this afternoon at the same place where he began this campaign — in New Orleans."



Às 2 da manhã sentei-me, desanimado, olhando a sala num caos. Atrás de mim, Jorge Luís Borges discutia com o chefe dos bombeiros de Bradbury. Quase me apetecia dar razão a este e queimar todas aquelas arrobas de papel. Nunca irei reler – ou simplesmente ler – grande parte. Então porque é que me dou a este trabalho insano de os arrumar? Porque sim. Porque estão ali e quero que estejam. Porque gosto de os ver. Porque eles me falam, mesmo que nunca mais os abra.

E porque é que o trabalho é insano? Porque eu os arrumo como quem escreve uma história, ou um poema. Ali, os romances. Acolá, a História. Acoli a “queirosiana”, e pegada a ela a ficção portuguesa. Há uns metros de poesia, e uma catrefada de assuntos contemporâneos. A História subdivide-se: não vou pôr a Idade Média junto da II Guerra Mundial, nem os gregos misturados com a guerra da Secessão. Há um escaninho para as patetadas esotéricas: não vou deitar fora a colecção “negra” da Bertrand, recheada de antepassados extraterrestres e de relações entre os nazis e os Maias, com os celtas a servirem de pau para toda a obra. Sinto uma certa ternura - eu devorei aquilo em tempos, achando que se não era vero, era bene trovato. Depois há a FC toda e a estimabilíssima Argonauta com cerca de três metros. Depois há a arte e a música, que aqui e ali se interpenetram
Parece fácil. Mas, e aqueles que não se sabe bem onde pertencem? Onde vou pôr Julius Evola? Ao pé de Hitler, de Platão ou dos esotéricos? Às tantas ele aparece misturado com a malta de esquerda. Se muita gente soubesse ao lado de quem a coloco, dava-lhe uma coisinha má. E logo ali começa a história das religiões – com a espiritualidade do Islão a misturar-se com a crónica dos Taliban. Como é que eu vou ordenar tudo isto, numa progressão lenta de um assunto para outro, como um jogo de dominó? Uma prateleira começa em Aquilino e acaba em Pedro Paixão. Outra vai da guerra na Bósnia à história do Império Otomano - tem ou não tem lógica? Aqui é capaz de ter. Mas há outras lógicas que são muito minhas e que nem me dou ao trabalho de entender, muito menos explicar.
Como vou resolver as intersecções de temas, as faltas de espaço para um assunto aqui e o espaço que sobra para outro, ali? Vou preencher vazios junto de Aristóteles com os Peanuts e Milo Manara?

Às 3 da manhã apaguei a luz e fui dormir, exausto. Sonhei que metia tudo o que era de meu numa mochila e partia para a Patagónia. Acordei a pensar onde ia arrumar Bruce Chatwin: na literatura de viagens ou na literatura estrangeira em geral?
A vida é tão difícil...



Há um ano (feito na noite/madrugada passada) os emigrantes - representados pelo André Belo, pelo Vasco M. Barreto e pelo Ivan Nunes - foram responsáveis por uma troca mailística alucinante entre vários bloguistas nacionais carregados de adrenalina. Relembro e presto homenagem a essa figura tão portuguesa com o tema musical que se impõe.





Tigres à solta ao pé de casa dos pais criam-nos, mesmo que só momentaneamente (até acordarmos de vez e pensarmos "Não seja parva, criatura"), algumas angústias.