Quinta-feira, 24.01.08
São estes os teus heróis, não são Cenas? Rebolo-me a rir com certas assunções. Que nos calhasse, a mim e à outra, tal sorte, ainda seria compreensível - compreensível é como quem diz, mas, pronto, "cumprimos" melhor o figurino vox populiano - agora a ti? é windo, windo, windo...




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Desde esta manhã que não me sai da cabeça uma canção infantil. Lucky you que não consigo arranjar registo sonoro, porque aquela coisa pega-se como carrapato. Não sou má suficiente para vos privar da letra, um monumento, poesia de finíssimo recorte (é em francês, sorry, mas não tenho culpa de ter unido o meu código genético a um habitante do Pas-de-Calais, o que me abriu todo um universo musical que mete allouetes, ponts d'avignon e coisas do estilo).

Ma Rosalie, ti li li pon pon
Elle est malade
Elle est malade ti li li pon pon
Du mal d’amour
Pour la guérir ti li li pon pon
Faut de la salade
De la salade ti li li pon pon
Trois fois par jour

C’est pas moi, c’est ma soeur
Qu’a cassé la machine à vapeur !
Quand tu m’disais, Rosalie
Que tu m’aimais, Rosalie
Moi je croyais, qu’c’était de la blangue
Quand tu m’disais, Rosalie
Que tu m’aimais, Rosalie
Moi je croyais, Rosalie
Qu’c’était pas vrai

Pour un sou on a un cigare
Pour deux sous, deux cigares d’un sou
Pour trois sous on a trois cigares
Pour quat’ sous quat’ cigares d’un sou.

Aaaaah! já sei, não comem com uma Rosalie comem com outra, pela mão do recém falecido Carlos (morreu há precisamente uma semana e só agora soube que era filho da célebre psicanalista Françoise Dolto), que já me alimentou os SST por mais de uma vez e é uma mina inesgotável.


Carlos " Rosalie "
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Henrique Raposo acaba de brindar a Cristandade com mais um belo, lúcido, sereno e informado post acerca das relações entre a Cruz, o Crescente e os outros. Quem são os outros? São os ateus. Em português, "ateus" rima com "Deus", o que é uma chatice para todos. Mas adiante. Diz o sensato e iluminado atlante que o ateísmo cool (presume-se que haverá outro, quiçá o hot, talvez ligado à indústria da pornografia) tem dois problemas. Um menor e um maior.
O problema menor dos ateus cool é "o relativismo entre religiões (isto é, dizer que o cristianismo é igual ao islão; que todas as religiões são iguais, etc.)". É o que posso verdadeiramente chamar de descoberta da pólvora. Depois, conclui, a propósito: “Claro, com o 9/11, não é o islão (o “outro”) que é culpado, mas sim todas as religiões (a culpa do islão é diluída com a ideia “todas as religiões são más, sobretudo o cristianismo)”. Simples e conciso. Os malvados dos ateus deveriam dizer, preto no branco, que a culpa do 11 de Setembro é exclusivamente do Islão e não de qualquer outra religião. Ficamos portanto a saber que é falacioso dizer-se que os atentados foram levados a cabo por um punhado de assassinos fanáticos. Não! Foi uma religião, e não uma religião qualquer: o Islão. E isto é uma coisa que os ateus hão-de reconhecer, a bem ou a mal, mais cedo ou mais tarde, de livre vontade ou depois de serem postos a tormento, como nos bons velhos tempos (passava-lhes a coolice num instante). Há más-línguas, provavelmente ateias (ou islâmicas, afinal a diferença não é muita) que poderão, enfim, afirmar que atribuir o 11 de Setembro ao Islão é o mesmo que atribuir a bomba de Hiroshima ao Cristianismo (se bem que os dois eventos não sejam comparáveis, afinal não viviam muitos cristãos nessa cidade, enquanto que as Torres Gémeas estavam quase cheias deles. E a cotação do americano cristão está muito acima do não-americano não-cristão, como toda a gente sabe). Apelo, desde já, à vigilância de todos para que não se deixem iludir por raciocínios falaciosos e disparatados (ateus, numa palavra) como este.
O problema maior dos ateus cool é, porém, outro: “não toleram sequer um discurso, uma opinião de um católico, mas, ao mesmo tempo, passam a vida a desculpabilizar actos criminosos e terroristas dos islamitas”. Isto é um problema real dos ateus cool. Aparentemente, a frescura dá-lhes para não serem verdadeiros ateus, mas simplesmente herejes. Ora, os muçulmanos também são herejes. Estão, portanto, todos feitos uns com os outros. Tudo a mesma choldra, como diz o nosso bom povo (cristão, melhor, católico. É que se ser cristão é bom, ser católico é óptimo).
Por fim, remata: “Uma opinião de um católico, até prova em contrário, não mata. Os islamitas andam a matar com[o] quem muda de camisa, mas as gentes que desprezam Bento são as mesmas que dizem “hoje sou do Hezbollah”. Juro, pelas alminhas coxas do Purgatório e pelas olheiras de S. Carlos Borromeu, que raras vezes li um argumento tão convincente, claro e distinto, verdadeiramente cartesiano, irrefutável. Eles andem , os islamitas, a matar. E os católicos, apenas a opinar. Os muçulmanos matam, os católicos opinam. Não há registo, nos anais sagrados, que os primeiros alguma vez tenham emitido opinião e que os segundos tenham morto. Porque é que os ateus cool persistem em cantar loas a uns e a zurzir outros? Mistério de Deus.



Quando vi referências à notícia no Blasfémias sabia que a busca da fonte ia valer a pena pelo palavreado que se anunciava ou não tivesse eu já tido encontros imediatos netísticos com o personagem noutros carnavais. Mais um fanático tarado, dir-me-ão vocês...verdade, mas reparem nas percentagens de votos que obteve nos actos eleitorais a que se apresentou e confessem lá se não sentem um arrepiozinho na espinha, por pequeno que seja.