Quarta-feira, 23.01.08
Estou a comer bolachas Maria torradas com manteiga (não tarda chego ao pão com manteiga e açúcar), vês quão nefasta influência exerces sobre mim, Fuckit?

E para o regresso ser quase completo (seria completo se fosse a versão da Pandilha, snif, mas não encontrei):





... tal a pachorra e pedagogia que transparecem do que escreve.

Adenda (porque o tema se mantém). Leiam-se também:

(...)A parte perigosa do raciocínio destes guardiões da fé, tão preocupados por pessoas como eu não estarem constantemente a atacar os fundamentalistas islâmicos tem a ver com uma determinada visão instalada. No fundo, o que aparenta estar por detrás disso é a ideia de que devemos ser condescendentes com o recrudescimento do fanatismo cristão porque, segundo esta gente, esta seria a maneira certa de combater o fanatismo islâmico. Todos sabemos onde isto nos pode levar(...)

Pedro Marques Lopes

(...)Dedicado ao cardeal-patricarca José Policarpo, outro expoente da tolerância, que não devemos deixar de convidar para as nossas universidades, sob pena de perdermos a liberdade, mesmo que tenhamos de ouvir e calar quando afirma que: "Todas as expressões de ateísmo, todas as formas existenciais de negação ou esquecimento de Deus, continuam a ser o maior drama da humanidade..." O rigor, a graça e a simpatia destas palavras são absolutamente comovedores.

Vasco M. Barreto



Ao saber da boa notícia de que se fala nos 5 dias lembrei-me de um caso irreal acontecido lá pela Gália há poucos meses.



(para aceder à página carregar na imagem)

Ficou hoje (parcialmente) disponível o Arquivo Maria de Lourdes Pintassilgo. Mais uma oportunidade para recomendar o trabalho de Adelino Gomes publicado na última sexta-feira no Público que transcrevi para o baú.



"Les pas du chat noir" deste senhor.



Ao abrir o mail, há minutos, olhei para um título do sumário do Hunffington Post, abanei a cabeça e pensei "nã, não sejas javardolas, não tem nada a ver o que pensas." e fiquei preocupada, bolas. Para tirar teimas, porque o meu lado santinho e naif continuava à tareia com o malicioso, resolvi abrir a página do "Clitoral Economics" (era assim que se chamava o artigo e percebem, agora, as alusões que por lá adivinhei, não percebem). Foi com alívio que, logo na primeira frase, percebi que existem razões para a malícia, "With all the talk about how to stimulate it, you'd think that the economy is a giant clitoris." (e a seguir borrifei-me no artigo, not in the mood for economics. Se vossas exas. ficaram curiosas, têm bom remédio).



Curioso, ao ler este post e o comentário que lá está, vivi um curioso momento de regresso ao passado. Lembrei-me de toda uma conversa estafada que ouvi anos a fio: de cada vez que falava de liberdades cívicas, de abuso de autoridade, de direitos humanos, de Amnistia Internacional, havia sempre quem dissesse "pois, pois, devias era ir para a União Soviética para veres como aquilo é bom, porque é que não vais para lá pregar?".
Era chamada a conversa de chacha, a conversa assassina (ou, mais prosaicamente, conversa de ir ao cu - sem ofensa, Dr. Maybe). De chacha porque não adiantava nada ao assunto que se discutia. Assassina porque matava imediatamente qualquer veleidade de troca de ideias. Nesses tempos distantes, qualquer defeito que se apontasse ao "mundo livre", qualquer denúncia de injustiça ou de abuso na nossa ("nossa" - europeia ou americana) democracia era vista como um ponto a favor do "lado de lá". Por muito mau que isto aqui pudesse ser, era muito melhor do que o que se passava nessas paragens, por isso, pianinho, pianinho, era mas é melhor estar calado, ou então, que fosse "para lá".
Nesses tempos, a Besta era vermelha e tinha uma foice e um martelo tatuadas na testa. Uma Besta temível, monstruosa, implacável, sem rosto. Depois viu-se que tinha pés de barro, afinal. E que os seus habitantes eram humanos e, ohh, até parecia, como mostrou uma estrela pop, que amavam os seus filhos e tudo. Hoje mudámos de Besta. Do vermelho de Lenine passou a verde do Profeta, mas apenas para alvos seleccionados. Os verdes iranianos são maus, os sauditas são bons. Mas muitas das conversas, essas, continuam estéreis.

desculpa lá a invasão mas foi mais forte que eu, tive mesmo que vir musicar o post.
shyz