Sexta-feira, 18.01.08
Sobre a infeliz - isto sou eu a ser muuuito simpática- crónica de VPV leia-se o Daniel Oliveira que discorre sobre aquilo que o Cenas esta manhã descreveu como "a liberdade de[que] fala o senhor parece ora boa, ora má.". Ah! e a respectiva caixa de comentários.

Sobre o episódio com Ratzinger dois posts são muito recomendáveis:

O Papa e os físicos de La Sapienza, do Lutz

O que Ratzinger verdadeiramente disse, do João Pinto e Castro

Insisto que continua a fazer-me um bocadinho de comichão a conversa de que o homem foi "impedido" ou "censurado" (mas isso se calhar sou eu que sou muito susceptível).



Devidamente estimulado pelo Zéd e pelos Oompa Lumpas, lembrei-me disto. Agora descarta-te.
(Isto hoje está muito animado)







E não é que parece mesmo? Ataques de "vaginismo" (ai, não é vaginismo literal, ok?) costumam afectar-nos de tempos em tempos.


Aproveito para outras conversas de vizinhos, sem vaginas à mistura mas com um ataque de rezinguice. Gostando de ter a casa arejada, em particular o escritório por motivos que todos adivinham, deixo sempre as janelas abertas (as excepções são os dias de frio intenso) porque, a não ser que o homem aranha resolva passar por aqui e tenha decidido ir para o outro lado da força, não há grande risco de ter a casa visitada por companhia não desejada já que moro num 5º andar. Ontem, ao chegar a casa, fiquei um tudo nada agastada quando me vi confrontada com o espectáculo que ilustra este post. Os moradores do prédio ao lado devem ter decidido pintar a fachada do prédio e, zás, tinha um andaime montado a 30 cm da minha janela (ok, 50, pronto, o que interessa é que basta estender o braço para lá tocar). O bom senso aconselharia a que nestes casos se avisassem os moradores dos prédios contíguos, porque as casas ficam bem mais vulneráveis, não? É em situações picuinhas destas que nos começamos a questionar se às vezes não somos injustos quando amaldiçoamos certas regulamentações "oficiais".



Mehrnoushe Solouki é uma cineasta franco-iraniana e residente no Canadá que, em 2006, resolveu, munida das necessárias autorizações, ir a Teerão recolher material para um documentário sobre um episódio da guerra Irão/Iraque. Em Fevereiro de 2007 foi presa durante um mês e desde aí tem estado impedida de deixar o Irão, acusada de "intenção de propaganda anti-iraniana". Os factos, contados em discurso directo, podem ser lidos aqui. O caso correu em alguns círculos da web, em especial junto de internautas canadianos, que têm tentado, como podem, manter o assunto vivo. Hoje, finalmente, a notícia por que esperavam surgiu:
J’ai appris la libération de Mehrnoushe Solouki juste avant minuit dans la nuit de jeudi à vendredi, par un membre de sa famille qui m’a téléphoné de Téhéran. Je suis en contact avec Mehrnoushe régulièrement depuis juin 2007, mais depuis son procès le 13 janvier les événements se sont précipités. Le juge a conclu que l’accusation “d’intention de propagande” n’avait pas été prouvée, et il a acquitté Mehrnoushe. Le lendemain, le même juge a signé la lettre l’autorisant à quitter l’Iran et il a levé la caution de 85 000 Euros qui menaçait la maison de ses parents. Mercredi, Mehrnoushe a obtenu son passeport iranien, avec tous les tampons pour valider sa sortie du pays. Elle a acheté son billet d’avion le jour même et s’est envolée de Téhéran le vendredi 18 janvier à 8h.



...dá nisto. Confesso que sempre achei piada às crónicas do Vasco Pulido Valente. O tipo resmunga com tudo, pá, que se há-de fazer? Umas certeiras, outras ao lado, outras no pé. É assim a vida. É pedante, e depois? É convencido, what's new?
Hoje, ao ler a crónica no Público, achei que o senhor se passou definitivamente dos carretos. Que toma chá de Cutty Sark, já cá se sabia, mas suspeito que anda a abusar das infusões matinais. A crónica é um completo delírio. Chama-se "a liberdade vai morrendo" e começa por um muito comum e falacioso exemplo comparativo, a autorização dada à mesquita de Oxford para o apelo à oração vs. o "caso Papa na Universidade de Roma". Isto é comparar alhos com bugalhos, não percebo que raio de paralelo se pode traçar e, muito menos, que conclusão se pode tirar sobre a alegada tolerância para com o Islão e intolerância para com o Catolicismo. Passe o disparate do paralelo, faz-me lembrar o "enigma de Colombo", pega-se em duas pontas, por exemplo, a assinatura do navegador e o casamento com a filha de Bartolomeu Perestrelo e pimba!, temos uma prova irrefutável da sua origem portuguesa.
Depois, embrulha-se em disparates, como dizer que "o universalismo da civilização do Ocidente, agora desprezada, está a ser substituída por uma série de particularismos". E, pergunto eu, é isso que mata a liberdade? Será o "universalismo" tolerante e o "particularismo" o inverso? Continua: "usando uma antiga estratégia, o islão [sic, em minúscula] invoca a liberdade contra a liberdade. Um método que sempre seduziu a «inteligência» europeia, invariavelmente partidária da força e da repressão". Aqui caiu-me tudo aos pés. Fiquei a saber que os muçulmanos conspiram desde sempre contra nós, mas não percebi se a tal "inteligência" já existia nos tempos do citado "universalismo" da "civilização ocidental", se era diferente nessa altura ou se só o é agora.
Prosssegue: "A liberdade condena a «islamofobia» em Oxford e aprova a «catolicofobia» em Roma". Aqui baralhei-me, afinal a liberdade de fala o senhor parece ora boa, ora má. Não sabia que havia duas, e desconhecia que a liberdade condenava o que quer que fosse. E fiquei sem saber porque é que "vai morrendo", que é, afinal, o título e o mote da crónica. Estamos sempre a aprender. Por fim, termina com um confuso raciocínio : a intolerância aumenta, a exclusividade regional reaparece. "A «Europa», afinal, não juntou, separou", conclui, adiantando que "a fragmentação cultural do Ocidente não trouxe a ninguém autonomia e poder de escolha. Trouxe, e continua a trazer, fanatismos de vária ordem". Pouca vezes vi maior confusão e delírio. Quem conhece um pouco de História da Europa não pode deixar de rir com tamanho disparate. Só tenho pena que alguém possa ler o artigo e levá-lo a sério.





O "contexto":

(...)The Saudis decapitate criminals, apostates, foreigners, homosexuals, Christians, women and even witches. Many of those who are beheaded are found guilty without due process using shoddy evidence at best and, subsequently, too many decapitations are carried out on innocent people. In defiance of the UN Convention on the Rights of the Child, the Saudis continue to sentence children to death. Late term abortions, if you will.

On the upside, the "convicted" criminal is injected with a cocktail of drugs in order to prevent the decapitated body from scurrying around -- spraying blood all over the audience. So at least the decapitations are... audience-friendly?

Here's a Saudi executioner from the city of Mecca named Abdallah Bin Sa'id Al-Bishi describing his profession (don't worry, it's just an interview)(...)


A conclusão:

(...)Forget the relevance of the swords as they relate to human rights and the awful truth still remains: despite the president's inaugural remarks and despite our national pride, we continue to grovel at the feet of the world's 159th least democratic nation in order to keep our economy and our way of life from collapsing. The least our president can do is to show some dignity by not glad-handing this oppressive regime -- while gripping their oppressive weapon of choice.

Bob Cesca no Huffington Post



É reedição mas provocam-me, que hei-de fazer? Uma mulher não é de ferro. Para além disso serve, como já serviu antes, de aviso aos meus blog partners quando esta choldra anda too shy(z), shy(z).