Quinta-feira, 17.01.08
No que respeita a acabar com a burocracia, pelo menos no que respeita ao divórcio, o Egipto "está muito à frente"*!
Por cá não é nada disto. Primeiro, há a papelada (and money, que a coisa não é de borla). Mandam-nos a nós esperar não sei quanto tempo, de processo suspenso, para "ponderarmos". E, para cúmulo, mandam o pobre oficial do Estado ter aquela conversinha patética sobre "o que é que eu posso dizer-vos para vos fazer mudar de ideias?" (sic). Nós a pensarmos, "e de onde é que eu te conheço, ó caramelo, para me fazeres mudar de ideias a respeito das meias que calço de manhã, quanto mais acerca de um divórcio?". E ele a gaguejar, plenamente consciente do rídiculo da conversa.
Eu, quando me divorciei (sim, já fiz isso), saí da Conservatória a lembrar-me que, quando me tinha casado (sim, isso também tinha feito, a vida é um lugar estranho), ninguém me tinha mandado ponderar coisa nenhuma ou indagado acerca das minhas certezas. Só nos sugerem que pensemos no casamento quando já estamos fartos dele. Deve ser por isso que a duração média de um casamento português anda agora, se a memória não me falha, pelos 4 anos**. Às vezes parece que, nisto de relações e casamentos (como nos filhos, já se sabe), as nossas instituições e leis estão mais empenhadas em promover a quantidade que a qualidade. É uma espécie de sistema a granel dos afectos e intimidades.
* cliquem na imagem para conseguir ler
** não resisto a acrescentar, menos do que qualquer das relações "a sério" que tive.



Começo a ficar um bocado aborrecida (depois da fase do bocejo, tal é a previsibilidade) com as reacções à história do Papa e da Universidade La Sapienza, como se ele tivesse sido impedido de lá ir. Ora tal não foi o caso, decidiu não ir porque não estava na disposição de comer com os protestos. Atitude perfeitamente lícita a dele como lícita é, também, a de todos os que criticaram o convite que lhe foi feito. É nestas alturas que dá vontade de recordar os acontecimentos de Setembro na Universidade de Columbia e comparar reacções. Ah! E poupem-me à conversa que as duas situações/personagens não são comparáveis... depende de quem os olha. E para certos olhos não há muita diferença. Se a isto juntarmos o facto de no caso da Columbia se estar a falar de uma mera conferência e agora é daquela cerimónia, pomposa e com a sua importância, chamada abertura do ano na Universidade...






Era disto que te falava noutro dia, os sons do sexo por Treza (é o Rayon X). Continuo na minha, as palmadinhas ouço-as perfeitamente agora o som de um fellatio (é giro escrever fellatio, dá um ar pomposo)? Se lá está não dou por ele. Serei dura de ouvido ou falha de imaginação?
Bem, mas deixemos o artista descrever a sua obra:
Au-delà des percussions sur son corps, j'ai incorporé les sonorités du coït lui-même en positionnant un micro très sensible à différents endroits, explique-t-il. On entend des bruits de fellation ou de pénétration. J'ai aussi utilisé une technique de frottements sur ses poils pubiens, coupés courts, afin d'imiter l'effet produits par les "scratchs" des DJ’s hip-hop : il faut pour cela effectuer des allers-retours sacadés avec le bout des doigts.»

Quid de la pilosité ? Treza précise qu'il ne faut pas «une pilosité particulière pour faire un bon scratch puisque cette technique fonctionne aussi sur de la peau nue». Quant à la corpulence de son instrument féminin, elle importe peu : que les chairs soient tendues sur les os ou au contraire mollement rebondies influence peu la qualité sonore de la frappe. «Peu importe la silhouette. Une bonne frappe est celle qui entraîne la résonance avec un minimum d'énergie, dit-il. Ce n'est donc pas douloureux, et c'est même agréable : je pratique parfois les percussions sur le dos de mes ami(e)s. Jouer en rythme en écoutant des morceaux rapides fait résonner le corps et offre une expérience inédite, une découverte du rythme qui semble venir de l'intérieur, à l'image du battement du cœur, un phénomène probablement à l'origine de la notion de rythme dans la musique. Cette œuvre n'est donc pas le fruit d'une expérience sado-masochiste, mais d'une approche ludique du corps et de la sexualité.»




Para desenjoar das ridículas, bombásticas e obscenas [e eu sou uma agarrada do pior, mas há o mínimo de decência que se exige], tiradas que metem fascismo e nazismo na conversa, um texto para meditação (e provocação?) do Le Monde Diplomatique. Começa assim:

«Pare de fumar, proteja o seu capital saúde!»: a mensagem cobriu as paredes das nossas cidades e as primeiras páginas dos nossos jornais diários [1] . É como se, à força de fazermos da saúde um trunfo, um bem, um capital – cujo rendimento dependeria de escolhas estratégicas e da «responsabilização» de cada indivíduo –, tivéssemos esquecido que a saúde é, em simultâneo, uma construção cultural e uma ética pessoal. Já em 1975, Michel Foucault analisou o «olhar médico» como uma das componentes das nossas «sociedades de controlo» [2] modernas. Passados trinta anos, encontramos poucas análises críticas que possam esclarecer o lugar que o novo discurso sobre a saúde desempenha no âmago da democracia de mercado. Quem ousaria criticar a norma dominante de optimização dos corpos e dos órgãos, de prevenção dos riscos e de plenitude? Essa norma passou a ser apresentada como se fosse um processo natural, um bom instinto que os novos especialistas de saúde serão capazes de despertar em nós.(...)



Grass!




(o filme tem cerca de 1h)


Crítica cinematográfica ouvida há dias.

- E então o que achaste do Call Girl?
- Oh pá, a Soraia Chaves é boa que dói.