Segunda-feira, 14.01.08
"Coisa mais gay, a homofobia" no Devaneios Desintéricos.

A recensão do Miguel Vale de Almeida ao Personas Sexuais de Camille Paglia, publicada no Público de sexta.




Há 10 anos, em Janeiro de 2008, explodia o caso Lewinsky e eu pasmava diante das notícias. De repente éramos bombardeados por questões fundamentais para o futuro da humanidade como a de saber se um broche era ou não uma relação sexual. As minhas memórias do período estão cheias de gargalhadas mas também de incredulidade. Como era possível que as escapadinhas do presidente americano (que também é filho de deus, ora, tem todo o direito a tê-las) se tivessem tornado o "maior problema da humanidade"? Podem acusar-me de estar a ser naif mas nunca consegui valorizar tudo aquilo para além do nível do anedotário político. Divertia-me que nem louca a apreciar as várias vertentes noticiosas, a ver como o assunto era abordado na imprensa americana. Desde um "When The Kids Ask Questions?", passando por "Allegations Pose Agony For Women's Groups", até "Therapists See Good From Clinton Scandal", encontram-se artigos para todos os gostos e isto apenas no arquivo do Washington Post. Por estas bandas, e no número do Expresso que fotografei, para além da reportagem baseada na investigação da Newsweek, o Comendador Marques Correia recentrava a discussão nos níveis que ela merecia e preferia, sem dúvida baseado na capa da Revista, inspirar-se num grande êxito da música portuguesa (que a seguir podem ouvir) para uma mui reflectida análise do problema afirmando que o busílis todo estava na óbvia preferência do senhor por olhos verdes.

"Olhos negros são ciúme" - aí está, também não é grande coisa, mas uma rapariga dessas talvez só lhe tivesse morto o gato "socks", quiçá dado uma facada na sua esposa Hilary, coisa de pouca monta, comparado com o que tem agora.
"Olhos azuis são queixume" - uma moça destas podia queixar-se à mãe, ao psicólogo, ao padre, até à Hilary, mas nunca a um Procurador, ou ao FBI. Porque este queixuma é de "uma tristeza sem fim", como diz a canção, e não um queixume feito de denúncias e crueldades.
"Olhos verdes são traição" - cá está, é o que tem . Não se queixe. Elas são traiçoeiras, apenas o querem prejudicar. E ainda por cima são "crúeis como punhais", o que já faz sentir o frio da lâmina entre duas costelas.
(Expresso, nº 1318, 31/1/98)
Não vale a pena transcrever a parte dos olhos castanhos, está-se mesmo a ver o resultado. Aquela conversa de que são "leais" perturba-me, a mim possuidora (tal como 9 em cada 10 portuguesas) de olhos castanhos, porque... leais são os cães!




Estou escandalizado com o que acabo de ler. Não há direito. Quando foi preciso acabar com a pouca-vergonha dos chinocas a estufar ratos e lagartos nos buracos infectos a que chamavam cozinhas, foi tudo feito mansamente e com a prata da casa. Muitos devem ter escapado, ou então pegaram lá nas tríades e foram chular o bom povo para a esquina do lado. Alguns mudaram de nome e agora dizem-se "asiáticos", pouca-vergonha do catano. Não há quem os meta num contentor e os mande lá para a terra deles, como eles fizeram ao Jack Bauer?
Pois é. Mas para acabarem com o bom do croquete nacional, o saudável jaquinzinho frito, a tradicional sandes de courato, aí já é preciso treino especial com espiões e americanos à mistura. É uma pouca-vergonha, como diria o Nelo. Não há respeito pelo que é português. São todos uns vendidos. O que vale é que a nossa gente, sempre sensata, sempre fiel, sempre justa, aplaudiu a limpeza feita aos badalhocos chineses mas agora está vigilante, atenta e en garde contra os atentados à cultura lusitana. Bedum, só nacional! Chunga, só portuguesa! Ranço, só do nosso! Viva a besunta do povo! Abaixo-assinado contra a discriminação da ASAE, já!





É todo teu, dona ester.


Sei que a conversa é repetida mas - que querem? - até se me revolvem as tripas cada vez que vejo alguém referir-se à Arábia Saudita nestes propósitos «Na entrevista ao Al Hayat, Sarkozy referiu-se à Arábia Saudita como um "aliado incontornável" da França na região e um "pólo de moderação e estabilidade".» (Público, p.13)