Quinta-feira, 03.01.08
Ó tu, homem das higienes!


Acabei de dar de caras com um post-it que é o exemplo perfeito desse tipo de implicância (mandaram-mo... porque será?), já que parece ligar a eficiência ao número de dedos activos ("Choque tecnológico é entrar numa repartição pública, e encontrar um burocrata inútil a escrever com os dois dedos indicadores, num laptop topo de gama...pago por mim."). Eu que só uso um, o da mão direita, desafiaria a maioria das pessoas a tentar vencer-me num concurso de rapidez de "teclanços" (há por aqui testemunhas da destreza do dedo habilidoso, não é verdade meninos?). Um dedinho milagroso vale por 10 pouco dotados... e não só em questões de dactilografia.



Excertos cirúrgicos do artigo de Bob Cesca, hoje, no Huffington Post.

"Thursday night, Republicans in Iowa will gather in various caucus locations to choose the candidate who will do the best job of scaring the fucking shit out of America.(...) not only do Iowa Republicans have a flair for choosing the presumptive nominee, they also possess an uninterrupted predilection for championing crazy people who use fear to better their political chances.

It's a lot of pressure. It's a matter of life or death -- and it all comes down to Thursday night. Huckabee or Romney. Who's crazier, Iowa?"

"Be afraid, be very afraid", lembram-se?




De um dos espaços mais deprimentes da web



Obrigadaaaaa, Hugo. Começo a habituar-me a fazer pedidos bizarros e a haver sempre gente simpática que me dá uma mãozinha.





Há coisas para as quais um pé-de-meia é útil. Por exemplo, para pagar multas. Logo à primeira. Logo, sem respirar. "Confesso, tomem lá, quanto é e onde pago?". Sem respirar e, sobretudo, sem pensar, porque às vezes, quando pensamos, sai disparate. Como aquele que saiu da boca do director da ASAE apanhado a fumar uma cigarrilha às duas da matina no Casino Estoril e que vem agora dizer que o famigerado projecto-lei anti-tabaco não se aplica aos casinos. Porra, pá, dizias que sim, que infringiste a lei e pagavas a multa. Que és fumador com muito orgulho, que tiveste um deslize (tipo "o meu relógio parou" ou, ainda melhor, "olhe, estava tão bêbado que nem vi as horas"), sim, que cumpres a Lei e quando não cumpres, pagas como todos nós pagamos. E que te limitas a aplicar e fiscalizar a lei, não a fazê-la, como alguns parecem crer e fazer crer. Agora isto? Uma foto no Diário de Notícias e desmentidos da Direcção Geral Não Sei de Onde e inteligentes comentários dos nossos jornalistas que dizem que "estalou a polémica" sobre "diferentes interpretações da lei"?
Como se não nos bastasse o espectáculo televisivo deprimente de ver, no Telejornal de hoje, os jornalistas e os cameramen atrás dos funcionários dos correios e dos bancos a fumar na rua e a perguntar, com ar de gozo, porque é que "não fuma no local de trabalho". Os fumadores, que agora são uns bombos da festa, estão sempre na defensiva e a pedir desculpa por fumarem, passaram de envenenadores inconscientes a coitados, uns viciados, uns doentes, uns fracos. Assim expostos à chacota pública e à vergonha televisiva, os novos leprosos, os novos bobos, a fumar cá fora, a levar com chuva e com frio, tsc tsc, expulsos do posto de trabalho só para virem matar o vício, só falta criar brigadas da virtude para começarem a atirar ovos podres a cada fumador que virem na rua a dar umas passas nos 5 minutinhos da pausa. Talvez um dia se arranje uma estrelinha amarela para usarem na lapela.
Posto isto: sou a favor da tal lei. Sou mesmo. Infelizmente, vejo que melhorará a saúde física dos portugueses, mas definitivamente irá afectar-lhes a saúde mental. Porque em cada passo no caminho da igualdade de direitos enfiamos um pé numa nova discriminação. Como se todas as sociedades tivessem uma qualquer necessidade profunda e mórbida de ter os seus párias, os seus intocáveis, os seus alvos. E a cada um que desaparece, logo se cria outro.