Quinta-feira, 25.02.16

You decide. Vem a propósito de uma certa mocinha que andou a meter posts no FB a propósito de preferências depiladeiras sertanejas. Este iutub mostra.




Sexta-feira, 19.02.16

Ainda há quem diga mal do Correio da Manhã. Não percebo como é possível. Há capas do CM que são verdadeiros case studies polivalentes, que dão matéria, em simutâneo, para análises linguísticas, tratados antropológicos, estudos de sociologia, reflexões teológicas, abordagens históricas, comentários desportivos, roteiros turísticos e thrillers docudramáticos. Melhor, melhor, só mesmo aquela anedota da professora que pediu ao alunos que escrevessem um conto que incluísse componentes básicos na narrativa: religião, realeza, sexo e mistério. Ganhou a aluna que escreveu o seguinte: "«Meu Deus», disse a rainha, «estou grávida!». Quem seria?".

A capa de hoje do CM diz, em letras grandes, "Denúncia de padres em ginásios gay". O leitor treme de emoção a querer saber o que é que os ditos denunciam nos referidos locais. Se deixaram de ser ginásios ou passaram a ser straight, por exemplo. E fica a dúvida se foram mandatados pelos respetivos bispos para o efeito. Depois vê-se, em letras pequeninas, "escândalo na igreja". Aí o leitor arregala os olhos ao imaginar os locais de culto arrendados em part-time para o efeito, e os mais devotos suspiram de indignação ao visualisar altares e sacristias carregadinhas de tipos musculados e de tangas cor-de-rosa a suar ao som do "In the Navy". Outros pensariam em crise de vocações, baixa nas esmolas, necessidade de adaptação à crise, sei eu lá que mais. Mas vendo com mais cuidado percebe-se que é uma denúncia de um pároco sobre "casos em  Gaia e Espanha". Ah espera. Afinal não é o que parece. Os padres não denunciam, um padre é que denuncia os seus pares, ok ok. E aponta a presença dos mesmos em ginásios gay. Hmmm. Deixa cá ver, pensa o leitor (cada capa é um mistério a puxar pelos neurónios). E a denúncia incidirá sobre serem ginásios ou sobre serem gay? Um padre não pode exercitar o físico, só mesmo o espírito? Só está autorizado a desenvolver a musculatura metafísica, conseguir um V espiritual? Mens sana in corpore sano, não? Nada a ver, um pastor de almas borrifa-se para a mens e para o corpore,tem é que apostar tudo no spiritu. Ou então, espera lá, não é por serem ginásios, será por serem gay? Ah se calhar,  é. Um padre que frequente "ginásios hetero" já não merece ser denunciado,  deve ser isso. Pode perder horas a babar-se a olhar para mamas, glúteos, pernas e curvas a bambolear-se, desde que sejam XX. Tudo bem, nesse caso, é padre, tem voto de castidade, mas nada o impede de apreciar as belezas do mundo e, bolas, se é para testar a fé, nada melhor que passar horas no meio de tentações. Femininas, calma lá. Há tentações e tentações, as boas e as más. Um par de mamas de uma moça avantajada (para usar a expressão do nosso novo PR) é tentação abençoada, uma musculatura peludinha de um dancing bear é obra do demo. Porque um padre é casto, mas hetero. Isto só pela capa, meu deus. Imagino o que daria a leitura da "carta" bufa do pe. Roberto, que deve estar lá pelo meio do jornal.




Quarta-feira, 10.02.16

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 obrigada a quem me fez o favor, não consigo escolher




Honte

317/199




Terça-feira, 09.02.16

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Domingo, 07.02.16

E isto confirma tudo o que escrevi no post anterior (verdadeiramente de ir às lágrimas de comoção, esta). 




Venho aqui manifestar o meu veemente desprezo pelo post da Shyz. Começa a ser irritante esta tendência de certos sectores da blogosfera de publicitar músicas estrangeiras, chocantes, porcas, com ritmos primitivos, sons agressivos, palavras estranhas e rimas de sarjeta que não têm nada a ver com os nossos valores culturais. Um lixo. Porque é que não ouvimos antes música portuguesa, daquela boa? Escutem esta e comparem merda com banha de cheiro, reparem na melodia, nos arranjos vocais, na poesia, com métrica e rima perfeitas, uma música que conta uma bela história de amor, bem portuguesa, muito nossa, haverá comparação possível? Nada chega ao nosso lindo Portugal.




Sábado, 06.02.16

* Não digam que não avisei




Quarta-feira, 03.02.16

...republico aqui um post meu de 2008, a propósito do proclamado "melhor escritor nacional":

 

Esta já vai atrasada. Mas antes tarde que nunca. Li, na Sábado de há duas semanas (nº 201), a entrevista/reportagem sobre José Rodrigues dos Santos. Fiquei devidamente informado sobre o dia-a-dia do cavalheiro. E a lição que nos dá a todos: "sou o escritor que mais vende em Portugal. Nos últimos quatro anos, já vendi acima de meio milhão de livros".

Estou longe de pensar que o sucesso deva ser motivo de modéstia, E muito menos de falsa modéstia. Mas mantenho a minha reserva: vender muito não significa ser-se um bom escritor. O síndrome Margarida Rebelo Pinto não me sai da cabeça. Enfim, adiante. Penso, porém, que quem vende tanto livro bem que poderia ser mais comedido a confessar certas coisas, porque não é sinal de coragem, mas sim de irresponsabilidade.

José Rodrigues dos Santos não recicla o seu lixo. Ou o come ao pequeno-almoço, ou simplesmente não está para isso. "Na parte que lhe cabe, poupa água. Mas pouco mais. Reciclagem? Pois, isso não. Nem vidro, nem plástico, nem papel? Nada? «Não, não faço. Sou uma pessoa normal». Muitas pessoas normais reciclam. «A média do cidadão não recicla o lixo. É muito complicado. Um saco é azul, outro é não sei o quê, aquilo é uma confusão»" (pág. 97).

Lembrei-me logo dos tempos em que célebres cromos milionários vangloriavam-se de declarar o ordenado mínimo no IRS. Hoje piam todos mais fino porque o fisco não dá tréguas. Chegará um dia em que a poluição será encarada a sério e estes meninos preguiçosos, balofos e irresponsáveis terão vergonha de dizer chalaças destas e começarão a fazer o que espero se torne "normal" rapidamente. Se for preciso meter o fisco, a ASAE ou a imprensa ao barulho, que se meta. Até lá, alguém deveria ensinar a estes filhos da abundância, da irresponsabilidade e do desperdício o que é um vidrão, um embalão, um papelão, um oleão, um electrão. Verde, amarelo, azul, laranja, vermelho. Tudo com cores diferentes para evitar raciocínios complicados que, já se sabe, estes intelectuais têm os neurónios ocupados nas tramas dos romances que escrevem. E se alguém um dia lhe encher a casa com o lixo que ele próprio produz e o afogar no entulho de que não cuida, no desperdício que não separa e cujo destino não quer saber, ninguém levará a mal por isso.

 



Uma gaja reage a um tuite sobre o novo orçamento e, de imediato, há alguém que nos desgraça 




"José Rodrigues dos Santos é considerado pelos portugueses o melhor escritor nacional."

 

Sobre fiabilidade e validade de inquéritos e estudos de perceção está tudo dito.




Terça-feira, 02.02.16

 




Segunda-feira, 01.02.16

 

Faz de conta que sou eu na imagem acima quando vejo mulheres, supostamente feministas, a apreciarem que num texto sobre regulação de tutela se defenda o, e cito, "sagrado direito de um filho ficar com a mãe" ou a esquecerem-se o importante que foi a lei consignar direitos iguais a mães e pais e virem agora falar, numa petição à AR, em "subsídio de maternidade".




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(obrigada ao Eduardo por me ajudar com a imagem)

 

Corria o ano da graça de 2012, era setembro, mais propriamente 15 de setembro. Ali algures pelas bandas do Campo Pequeno começa a ouvir-se a voz do rapaz de maus fígado, e é o que ele gritou nesse dia que hoje vos trago aqui. 




Há três dias anunciei no facebook que o Womenage a Trois ia regressar, depois de um epifanico que me deu ao ler uma coisa. Sim, um epifanico. Os mestres e sábios, os gurus e os santos, os iluminados e os escolhidos têm epifanias. Eu tenho epifanicos, que é uma coisa muito mais terrena, portuguesa e cá da terra. Não vou explicar bem o que é porque não sei bem, acabei de inventá-lo. Só sei que é um fanico com um centro. Não é preciso mais, neste país onde não é preciso explicar nada com lógica, senso ou conhecimento. Basta dizer uma coisa engraçadinha, olha que giro, pronto, pegou, já está. Like, like. Já vou ao epifanico. Para já, venho só manifestar que há gente quebra-tesões como o raio, que porra. Eu a preparar um regresso místico e apoteótico e estragou-se-me tudo. Primeiro o raio do login disto mais a password. Valeu-me a santa da casa, S. Bolota de Júpiter, padroeira dos cibernautas lusos, dos pírulas e dos tomates. Depois, claro está, foi a Shyz, que teve logo que fazer a gracinha - como aqueles putos que têm que meter o dedo no creme dos bolos - de espetar exatamente com a música com que eu queria assinalar o regresso triunfal à blogosfera. Digo que não sei onde foi ela buscar a inspiração testicular, digo, gesticular.

Pronto, depois deprimi. Só hoje arrebitei. O rebite vai ali no final. E já tarde, porque é rebite de início de fim de semana e não de final. Ah primeiro o epifanico. Pois sim. Para quem não souber ainda - tomem nota os escribas para memória futura - este blog não nasceu. Pela parte que me toca, foi parido noutro blog. Mais precisamente, num blog feminista que por aí pululava. Que eu achei tão giro, tão giro, mas as autoras não me acharam suficientemente feminista e censuravam tudo o que eu comentava. Eu queria ser comentador mas o meu país não deixou. Portanto, juntei um powertrio (há que tempos que andava pora poder usar esta, bolas) que decidiu criar o nosso próprio cantinho, não foi? Ora há dias, já com este womenage a trois a fazer tijolo há vários anos, li uma coisa que me abalou os alicerces e que me induziu a ressuscitá-lo. Foi um epifanico. O feminismo, uma vez mais. E que li eu? Um post sobre mamas na plataforma feminista do nosso tempo. Sobre mamas, mamas, mamas, escrito por uma mulher que gosta de mamas, sobretudo das próprias, que revela que "na presença de quem as chama à parada, podem ser um despropósito de fruição e até fazer graffiti" mas que "em contacto com a boca de um bebé, voltam ao seu ministério inicial que é o de provir alimento e amor materno". Longe vão os  tempos, há 10 anos, no tal blog, em que a Miss Piggy se insurgia contra o estereótipo de que "feministas são mulheres que 1- não gostam de homens; 2- não praticam sexo há muito tempo; 3- vestem sacos de batatas desprezando as saias e os decotes e, muito importante, não sabem maquilhar-se, etc.". Tempos de obscurantismo. Hoje, em 2016, a Patrícia Motta Veiga vai muito mais além e diz coisas impensáveis há uma década, como "o facto de ser feminista não colide em nada com o gostar de ser mulher, de ser feliz como mulher". Acho que ela também teve um epifanico, mas isso agora não importa. Isto a propósito das mamas, claro. Penso, portanto, que é chegada a hora de alguém criar uma plataforma masculina onde os homens escrevam textos igualmente libertadores e vanguardistas, por exemplo, a autoelogiar os testículos próprios e os alheios (já que vêm aos pares, como as mamas), e dizer que "já me deram muitas alegrias", como as mamas às donas respetivas. Textos devidamente ilustrados com a música que a Shyznogud ali espetou logo de enfiada, claro. É isto.

E porque é que arrebitei hoje, depois de este engasganço de arranque? Porque descobri isto, perdido há 12 anos num canto esconso deste computador. Já vai tarde, porque já é segunda feira. Mas serve perfeitamente para o próximo domingo. É eterna, multicultural, com amplo teor social e não tem nada a ver com mamas nem com testículos. À primeira vista, pelo menos. Um hino à lusofonia. Ai, Josefina.